Aquela grande pedra em frente a casa de minha avó Avelina de Lira Baía, era o cenário perfeito para que aquela gente vinda do sudeste do país, lá de São Paulo, mesmo sendo parte da família de origem da nossa matriarca, mas com certeza eles iam dar muita risada de como vivíamos no final dos anos 1970 para chegar em 1980 – em uma cidade sem saneamento algum. O terreiro como chamávamos era de terra batida, vermelha e outras pedras também enormes transformavam a paisagem da Rua 11 de Setembro nesse retrato do que parece bem distante dos tempos atuais.
É possível avistar lá do outro lado, a Rua Joaquim Rodrigues Nogueira, a casa de Dona Mozarina, de Dona Didi e Seu Chicão, de Dona Pepê e Seu Chico, de Seu Geraldo, de Dona Gualterina, de Seu Miguel Belo que morava com a família em um casarão, e naquele trecho já existia calçamento, para dimensionar o panorama da desigualdade social.
Agora imagine você quando chovia em que aquela garotada (me incluindo) descia lá do começo da Rua José Arnaud Campos em uma cachoeira de água e lama, aproveitando a tragédia de morar em um logradouro sem pavimento para literalmente transformar todo aquele desamparo em diversão.
Quando parava de chover, descobria-se ainda mais o emaranhado de pedras decorando a Rua 11 de Setembro.
Tempos difíceis em que minha mãe Cleonice, Dona Francisca, Tia Zita e tantas outras que moravam naquele trecho que um dia passou despercebido do poder público, pode acompanhar as tantas mudanças que Araripina alcançou e que para outras bandas que também sofrem dos mesmos dilemas que vivenciamos nos finais dos anos 70 para o início dos anos 80 – também consigam viver os mesmos sonhos.
Os personagens das imagens, onde apareço com 13 anos de idade eram todos ali do trecho: Mima, Deda, Itinho, Paulo de Seu Jota, Jotinha, Diana, Verônica, Gorete, Lusimar, Jacilde, Carlos, Lela de dona Regina, Fabíola, Flávio, Wellington, e tanta gente que esqueço de alguns.







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