Documento descreve suspeita de que parlamentares tentaram cooptar comissário da Diretoria de Inteligência da Polícia Civil para monitorar investigação
Por Raphael Guerra / JC
Somente entre 2022 e 2024, a Prefeitura de Ipojuca pagou mais de R$ 39 milhões em emendas parlamentares impositivas. Caso segue sob investigação da polícia - Cortesia
O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) afirmou à Justiça que vereadores tentaram cooptar um comissário da Diretoria de Inteligência da Polícia Civil (Dintel) na tentativa de monitorar a investigação dos desvios milionários de emendas parlamentares autorizadas pela Câmara Municipal de Ipojuca, município do Grande Recife.
O documento, obtido pela coluna Segurança, é uma manifestação do MPPE contrária ao pedido de revogação da prisão preventiva do presidente da Câmara, Flávio Henrique do Rêgo Souza, conhecido como Flávio do Cartório (PSD).
O vereador foi preso em 25 de novembro de 2025, um dia antes da deflagração da segunda fase da operação Alvitre, que investiga os desvios milionários. Na ocasião, segundo o MPPE, ele estava acompanhado do vice-presidente da Câmara, Professor Eduardo (PSD), e do vereador Júlio Marinho (PP) em um carro estacionado no supermercado Mix Mateus, em Boa Viagem, Zona Sul do Recife. No mesmo veículo, estava o policial da Dintel.
O presidente e o vice foram autuados por suspeita de lavagem de dinheiro, após serem flagrados com uma sacola com mais de R$ 14 mil em dinheiro no momento em que os policiais realizaram a abordagem. Anotações de valores que indicam possível esquema de "rachadinha" também foram achadas.
Na audiência de custódia, a Justiça decidiu pela liberdade provisória de ambos, mas Flávio permaneceu preso porque havia um mandado de prisão preventiva contra ele.
"REUNIÃO CLANDESTINA"
No novo parecer, promotores do Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) destacaram que, no carro onde estavam os vereadores e o policial, ocorria uma "reunião clandestina".
E que a prisão de Flávio "não se sustenta apenas na gravidade abstrata dos crimes de peculato, corrupção e lavagem de dinheiro, mas em um fato gravíssimo e concreto: a cooptação de agente de inteligência do Estado para monitorar a investigação e frustrar a aplicação da lei penal".
O MPPE pontuou ainda que o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou movimentações incompatíveis com a capacidade econômico-financeira declarada de Flávio, no período analisado de 1º de abril de 2021 a 3 de julho de 2024, cujo valor financeiro total foi de R$ 3.717.336,86.



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