Levantamento mostra disputa tecnicamente empatada dentro da margem de erro; Tarcísio de Freitas também lidera cenário direto contra o petista
Por Ryann Albuquerque
Lula e Flávio Bolsonaro empatam tecnicamente na pesquisa - Ricardo Stuckert/PR e Edilson Rodrigues/Agência Senado
Pesquisa AtlasIntel divulgada nesta quarta-feira (25) aponta um cenário de empate técnico, com vantagem numérica de Flávio Bolsonaro (PL), em um eventual segundo turno das eleições presidenciais de 2026 contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Segundo o levantamento, Flávio aparece com 46,3% das intenções de voto, enquanto Lula registra 46,2%. Considerando a margem de erro de ±1 ponto percentual, os dois estão tecnicamente empatados.
A pesquisa foi realizada entre os dias 19 e 24 de fevereiro de 2026, com 4.986 entrevistados, e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-07600/2026. O índice de votos brancos, nulos ou não souberam responder neste cenário é de 7,5%.
Série histórica mostra virada no cenário entre Lula e Flávio
Os dados indicam uma mudança significativa na série temporal do confronto entre Lula e Flávio Bolsonaro. Em dezembro de 2025, o presidente liderava com ampla vantagem, somando 53%, contra 41% do senador. Já em janeiro de 2026, a diferença caiu para 49,2% a 44,9%, ainda favorável ao petista.
No levantamento mais recente, Flávio ganha 1,4 ponto percentual, enquanto Lula perde 3 pontos, resultando no atual empate técnico com vantagem numérica de 0,1 ponto percentual para o senador do PL — a primeira vez em que Flávio ultrapassa Lula, ainda que dentro da margem de erro.
Em entrevista à Rádio Jornal nesta quarta-feira (25), o analista político da AtlasIntel, Breno Oliveira, afirmou que o movimento já vinha sendo observado internamente pela equipe do instituto. Segundo ele, há uma tendência consistente de crescimento do senador nos últimos meses.
“O Flávio vem de um crescimento robusto e continuado, que ainda não encontrou um teto muito claro. Pela primeira vez ele aparece numericamente à frente do presidente no segundo turno, ainda que em empate estatístico”, afirmou.
De acordo com o analista, o avanço ocorre em paralelo a uma piora nos índices de avaliação do governo federal, o que teria reduzido a tração eleitoral do presidente. “Quando a avaliação do governo piora, o incumbente perde fôlego nas intenções de voto e a oposição é beneficiada”, explicou.
Tarcísio de Freitas também a frente
Outro cenário que chama atenção é o embate entre Lula e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Neste confronto, Tarcísio aparece com 47,1%, enquanto Lula marca 45,9%, uma diferença de 1,2 ponto percentual, também caracterizando empate técnico, embora com vantagem numérica do governador paulista. Os votos brancos e nulos somam 7%.
A série histórica mostra que Lula e Tarcísio alternaram a liderança diversas vezes ao longo de 2025, com o petista recuperando vantagem no fim do ano passado. Em fevereiro de 2026, no entanto, Tarcísio volta a assumir a dianteira.
Segundo Breno Oliveira, neste caso a vantagem é estatisticamente mais consistente do que a registrada por Flávio Bolsonaro. “Diferente do cenário com o Flávio, aqui há uma vantagem que supera a margem de erro, ainda que pequena”, disse.
Apesar do desempenho, o governador tem reiterado publicamente que pretende disputar a reeleição em São Paulo e que apoia Flávio Bolsonaro como nome do campo bolsonarista para a Presidência.
Em Pernambuco, Lula lidera com folgas em cenários de disputa direta contra Tarcísio de Freitas e Flávio Bolsonaro, segundo Datafolha - Divulgação, Ricardo Stuckert/PR e Edilson Rodrigues/Agência Senado
Transferência de capital político e rejeição elevada
Na avaliação do analista da AtlasIntel, parte do crescimento de Flávio Bolsonaro está ligada à transferência direta do capital político do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo ele, o senador saiu rapidamente de um patamar pouco competitivo para um nível semelhante ao de outros nomes fortes da direita.
“A transferência de capital político do pai para o filho foi impressionante. Ele saiu de uma desvantagem de dois dígitos e praticamente eliminou essa diferença em poucos meses”, afirmou.
Breno também destacou que os níveis de rejeição seguem elevados para ambos os polos da disputa, com pouca tendência de oscilações bruscas. “A rejeição tende a flutuar menos, porque reflete posições mais consolidadas. São dois candidatos muito conhecidos e com rejeição alta”, disse.
Efeito pós-Carnaval e risco de divisão na direita
O analista também chama atenção para o contexto em que o levantamento foi realizado. Esta é a primeira pesquisa após as repercussões do desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e gerou disputas judiciais e forte embate político.
Segundo Breno, episódios recentes ajudam a moldar o humor do eleitorado e podem ter influenciado o movimento captado pela pesquisa, marcado pela ultrapassagem numérica de Flávio e pela perda de tração do presidente. “Algumas imagens e narrativas ganharam força e podem ter surtido efeito na opinião pública”, avaliou.
Ele pondera, no entanto, que o cenário segue aberto e sensível a rearranjos no campo conservador. Questionado sobre possíveis candidaturas alternativas, como uma eventual chapa com Ratinho Júnior e Ronaldo Caiado, o analista afirmou que divisões podem ser decisivas em uma disputa apertada.
“Se o nome mais competitivo da direita se consolidar, há tendência de concentração de votos. Mas qualquer fragmentação pode fazer diferença num cenário tão equilibrado”, afirmou.
Lula mantém vantagem contra outros nomes da direita e do centro
Nos demais cenários testados, Lula aparece à frente de outros possíveis adversários. Contra a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), o presidente marca 47,5%, ante 44,7% dela. Em um cenário hipotético contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Lula soma 47,3%, enquanto o ex-presidente teria 45,4%.
O petista também lidera contra governadores e lideranças do centro-direita, com margens mais amplas e aumento expressivo dos índices de indecisos. Lula aparece com 46,0% contra 41,7% de Romeu Zema (Novo); 45,7% frente a 37,6% de Ronaldo Caiado (PSD); e 45,5% contra 39,0% de Ratinho Jr (PSD).
Cenários de segundo turno testados pela pesquisa Atlas/Bloomberg mostram disputas apertadas entre Lula e nomes da direita. - Imagem gerada pela Inteligência Artificial (IA).
No cenário contra Eduardo Leite (PSD), Lula registra 45,2%, enquanto o governador gaúcho tem 24,5%. Este é o confronto com maior taxa de brancos, nulos ou indecisos, que chega a 30,3%, indicando menor polarização.
Desaprovação de Lula volta a superar aprovação e avaliação negativa cresce, aponta AtlasIntel
Pesquisa Atlas/Bloomberg mostra desaprovação em 51,5% e aprovação em 46,6%; avaliação do governo também registra piora no início de 2026
Por Ryann Albuquerque
Pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada nesta quarta-feira (25) mostra que a desaprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a superar a aprovação, após um período de recuperação no segundo semestre de 2025.
Segundo o levantamento, 51,5% desaprovam o desempenho pessoal do presidente, enquanto 46,6% aprovam. Outros 1,8% afirmaram não saber ou não responderam.
A pesquisa foi realizada entre 19 e 24 de fevereiro de 2026, com 4.986 entrevistados, margem de erro de ±1 ponto percentual, nível de confiança de 95%, e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-07600/2026.
A série histórica da aprovação pessoal de Lula mostra que o presidente viveu seu melhor momento no início de 2024. Em janeiro daquele ano, a aprovação atingia 51,2%, contra 45,4% de desaprovação.
O cenário começou a se deteriorar no fim de 2024, com a inversão dos índices ao longo do primeiro semestre de 2025, período marcado pelo maior desgaste do governo.
Em março de 2025, a desaprovação chegou a 53,6%, enquanto a aprovação caiu para 44,9%, o menor nível da série. Em maio de 2025, a rejeição atingiu o pico máximo, com 53,7%.
Recuperação no fim de 2025 e nova queda em 2026
A partir do segundo semestre de 2025, os números voltaram a melhorar para o presidente. Em setembro, a aprovação alcançou 50,8%, superando a desaprovação (48,3%). O movimento se repetiu em outubro, quando 51,2% aprovavam Lula, contra 48,1% que desaprovavam.
No entanto, a recuperação não se sustentou. Entre janeiro e fevereiro de 2026, a aprovação caiu de 48,7% para 46,6%, enquanto a desaprovação avançou de 50,7% para 51,5%, recolocando o saldo negativo para o presidente.
Infográfico mostra evolução da aprovação e desaprovação de Lula de 2024 a 2026, com recuperação no fim de 2025 e nova queda em 2026 - Imagem gerado por IA
Avaliação do governo acompanha tendência
A avaliação do governo Lula segue trajetória semelhante à da aprovação pessoal. No levantamento mais recente, 48,4% classificam a gestão como ruim ou péssima, enquanto 42,7% avaliam como ótima ou boa. Outros 8,9% consideram o governo regular.
Durante grande parte de 2024, os índices positivos e negativos ficaram próximos. Em julho daquele ano, por exemplo, 43,2% avaliavam o governo como ótimo ou bom, contra 41,5% de ruim ou péssimo.
A avaliação negativa começou a crescer a partir de novembro de 2024, culminando no pior momento do governo em maio de 2025, quando 52,1% classificavam a gestão como ruim ou péssima, enquanto apenas 41,9% a consideravam ótima ou boa.
No segundo semestre de 2025, houve recuperação. Em setembro e outubro, a avaliação positiva voltou a superar a negativa. Em outubro, 48% avaliavam o governo como ótimo ou bom, contra 47,2% de ruim ou péssimo.
Assim como ocorreu na aprovação pessoal, o início de 2026 trouxe nova deterioração na avaliação do governo.
De janeiro para fevereiro, o índice de ótimo ou bom caiu de 47,1% para 42,7%. No mesmo período, a parcela que considera o governo regular dobrou, passando de 4,4% para 8,9%, o que explica parte da perda de avaliações positivas.
Metodologia
A pesquisa foi realizada pelo instituto AtlasIntel, em parceria com a Bloomberg, utilizando o método Atlas Random Digital Recruitment (RDR), com coleta digital e pós-estratificação da amostra para refletir o perfil do eleitorado brasileiro por sexo, idade, renda, escolaridade, região e comportamento eleitoral em 2022.








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