Clima entre ministros do STF, já ruim após caso Master, piorou depois que Moraes decidiu investigar vazamento de dados de magistrados
Igor Gadelha
A decisão do ministro Alexandre de Moraes de investigar o vazamento de dados fiscais de integrantes do STF e de seus familiares azedou de vez o clima na Corte, que já vinha muito ruim nas últimas semanas em razão do caso Master.
Nos bastidores, ministros que costumam fazer oposição a Moraes dentro do Supremo Tribunal Federal reagiram à decisão do colega de mandar a Receita Federal rastrear quem teria acessado os dados de integrantes da Corte e de seus familiares.
Na avaliação de um influente ministro ouvido pela coluna, a ordem de Moraes seria “ilícita”. A avaliação desse magistrado é que somente o presidente do STF, Edson Fachin, poderia ter feito essa solicitação diretamente à Receita.
Esse ministro reclamou ainda do fato de Moraes não ter avisado os demais integrantes da Corte sobre a diligência. Houve ainda crítica ao fato de Moraes ter tomado as decisões no âmbito do inquérito das fake news, que tramita em sigilo.
“Alguns colegas com quem falei não foram avisados dessa diligência ilícita! (sic) Não creio que ninguém tenha receio, mas essa diligência no bojo do inquérito das fake news é um absurdo! (sic) O que ele (Moraes) quer com isso? Só falta ele estar grampeando os ministros do STF”, afirmou à coluna, sob reserva, um ministro do Supremo.
Aliados de Moraes no STF não veem problema
Ministros aliados a Moraes, por sua vez, dizem não ver problema na decisão do colega. Eles lembram que a operação contra os servidores da Receita suspeitos de violarem os dados foi pedida pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
“Ele vai para cima de quem organizou esta pancadaria no STF. Banqueiros, imprensa, Executivo”, afirmou à coluna sob, reserva, um ministro próximo a Moraes.
A trajetória do auditor suspeito de devassar o STF no interior de SP
Entre os quatro investigados, Ricardo Mansano de Moraes é o que recebe o maior salário
Letícia Guedes
Entre os quatro servidores investigados pela Polícia Federal (PF) por supostamente terem acessado, de forma ilícita, dados sigilosos de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e de seus familiares, por meio de sistemas da Receita Federal, está Ricardo Mansano de Moraes.
O servidor ocupa o cargo de auditor-fiscal da Receita Federal e, atualmente, está lotado na Delegacia da RFB em São José do Rio Preto (SP).
Entre os investigados, ele é o que recebe o maior salário. Conforme apurado pela coluna, Mansano chegou a receber R$ 51 mil em dezembro de 2025.
Ele ingressou no serviço público em 27 de novembro de 1995 e, atualmente, recebe salário de R$ 38.261,86. No entanto, o valor pode aumentar significativamente em razão de indenizações e gratificações, como ocorreu em dezembro.
O histórico do servidor
O nome dele consta em diversas edições do Diário Oficial da União (DOU), em atos de nomeação e convocação administrativa, desde a década de 1990.
Ao longo da carreira, atuou no Ministério da Fazenda e no Ministério da Economia.
O vazamento de dados
Conforme divulgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por meio de nota, foram identificados múltiplos acessos irregulares, com origem em suas credenciais, a dados de ministros da Corte e de seus familiares.
Nessa terça-feira (17/2), o grupo foi alvo de mandados de busca e apreensão autorizados pelo ministro do STF Alexandre de Moraes, no âmbito do inquérito das fake news, conduzido pela Polícia Federal (PF).
Como revelou o Metrópoles, na coluna Andreza Matais, o sigilo fiscal da esposa do ministro Alexandre de Moraes, Viviane Barci de Moraes, foi quebrado sem autorização. O filho de outro ministro do Supremo também teve dados da declaração de Imposto de Renda acessados de forma irregular.
A nota divulgada pelo STF após a deflagração da operação aponta a existência de “bloco de acessos cuja análise, pelas áreas responsáveis, não identificou justificativa funcional”.
Os demais investigados
Os outros três servidores na mira do inquérito são Luiz Antônio Martins Nunes, Luciano Pery Santos Nascimento e Ruth Machado dos Santos.
O primeiro ocupa, desde 1981, o cargo de técnico do Serpro, com salário mensal de R$ 12.778,82.
Luciano Pery Santos Nascimento é técnico do Seguro Social, lotado na Delegacia da RFB em Salvador, e recebe R$ 11.517,49 mensais.
Ruth Machado dos Santos atua como técnica do Seguro Social na Delegacia da RFB em Santos (SP), ingressou no órgão em abril de 1994 e recebe salário de R$ 11.128,16.






Blog do Paixão