O ex-prefeito de Petrolina (foto) e pré-candidato ao Senado, Miguel Coelho, divulgou uma nota sobre a operação da Polícia Federal esta manhã envolvendo emendas parlamentares e que atingiu seu pai o ex-senador Fernando Bezerra Coelho, seu irmão, o deputado federal Fernando Filho e ele próprio. Segundo ele, o alvo foram os investimentos feitos em Petrolina através de emendas e Fernando Bezerra, como senador, e Fernando Filho, como deputado que conseguiram “transformar o município que foi o que mais cresceu no Nordeste na última década, com a melhor qualidade de vida, indicadores educacionais e desenvolvimento humano”.
– É impossível não destacar o viés político desse tipo de operação uma vez que jamais deixamos de prestar quaisquer informações aos órgãos de controle sejam estaduais ou federais. – diz ele na nota e acrescenta: “as contas de Petrolina, aliás, estão devidamente regulares e aprovadas. Seguimos com tranquilidade e confiantes na Justiça brasileira. Nossa luta política não será abalada por perseguições de onde quer que elas venham”.
Abaixo publicamos a nota na íntegra
Na manhã desta quarta-feira (25) o Estado de Pernambuco foi surpreendido com uma operação cujo alvo principal é o crescimento da cidade de Petrolina.
A petição do STF para tudo o que vimos hoje, apresenta como motivação emendas parlamentares destinadas durante o mandato de Fernando Bezerra Coelho e Fernando Filho, para a nossa terra, emendas estas que transformaram o município, que foi o que mais cresceu no Nordeste na última década, com a melhor qualidade de vida, indicadores educacionais e desenvolvimento humano. Com a convicção que nossa força política é fundamental neste processo, reafirmamos que iremos continuar lutando para que mais recursos cheguem à cidade. Petrolina não vai parar de crescer e nem voltar ao passado.
Por meio da decisão do Ministro Flávio Dino, constatou-se que alguns fatos já foram objeto de apuração pelo STF com o consequente arquivamento (INQ 4513). Segundo consta na decisão do Ministro, a PGR manifestou-se contra as medidas postuladas pela polícia federal.
Impossível não destacar o viés político desse tipo de operação, uma vez que jamais deixamos de prestar quaisquer informações aos órgãos de controle, sejam estaduais ou federais. As contas de Petrolina, aliás, estão devidamente regulares e aprovadas.
Seguimos com tranquilidade e confiantes na Justiça brasileira.
Nossa luta política não será abalada por perseguições de onde quer que elas venham.
Miguel Coelho, ex-prefeito de Petrolina e deputado federal Fernando Filho”
Metrópoles
Fernando Bezerra é sócio oculto de concessionária usada para lavagem
Segundo a PF, a Bari Automóveis teria sido uma das “recebedoras de valores pagos por terceiros com destino a Fernando Bezerra Coelho”.
Manuel Marçal / Metrópoles
A Polícia Federal (PF) afirma que o ex-senador Fernando Bezerra Coelho e o filho dele, o deputado federal Fernando Coelho Filho (União-PE), eram sócios ocultos, ou seja, os “verdadeiros donos”, de uma concessionária de carros em Petrolina e Caruaru, em Pernambuco, usada para vultosas operações de dinheiro em espécie e recebimento de valores de terceiros.
A informação consta em trecho da decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a PF a deflagrar a operação Vassalos, que tem entre os alvos Fernando Bezerra Coelho, mais os filhos dele: Fernando Coelho Filho e o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho.
Os três são suspeitos de integrarem uma organização criminosa que teria montado um esquema para direcionar contratos públicos, desviar recursos de emendas parlamentares e lavar dinheiro. Ao todo, foram cumpridos 42 mandados de busca e apreensão em Pernambuco, Bahia, São Paulo, Goiás e no Distrito Federal.
Sobre a concessionária Bari Automóveis, que comercializa automóveis fabricados pela Jeep, Flávio Dino escreveu: “Outras comunicações de operações suspeitas, as quais revelaram que a BARI tem por hábito realizar vultosas operações financeiras em espécie, muitas delas em valores fracionados, além de direcionar repasses a pessoas físicas destituídas de renda compatível, todos indicativos da tentativa de ocultar a origem e o destino do patrimônio”.
Reprodução/STFTrecho da decisão do ministro Flávio Dino, do STF, que autorizou operação da PF contra ex-senador e deputado federal
Segundo os investigadores, a empresa teria sido uma das “recebedoras de valores pagos por terceiros com destino a Fernando Bezerra Coelho”. A PF identificou mensagens que revelam que pai e filho frequentavam o estabelecimento, se envolviam diretamente na venda dos veículos e tinham acesso aos balancetes da firma.
“Ora, diante de todos os elementos de convicção colacionados nesta peça, não pairam mais dúvidas de que FERNANDO BEZERRA DE SOUZA COELHO exerce efetivo poder sobre a BARI AUTOMOVEIS, sendo que os valores destinados àquela empresa estavam sendo, assim, diretamente em seu favor”, escreveu Flávio Dino.“Foi possível reunir elementos de prova que consubstanciam fortes indícios de que o Senador FERNANDO BEZERRA COELHO e seu filho FERNANDO BEZERRA DE SOUZA COELHO FILHO seriam, de fato, verdadeiros donos da BARI AUTOMOVEIS”, destacou o ministro do STF a partir da provas coletadas pela PF.
Endereço da concessionária Bari Automóveis. Segundo a PF, Fernando Bezerra e o deputado federal Fernando Coelho Filho são os “verdadeiros donos”
O que diz a defesa de Fernando Bezerra e dos filhos
Após a publicação desta reportagem, o advogado André Callegari, que faz a defesa do ex-senador, do deputado federal e do ex-prefeito de Petrolina, afirmou, por meio de nota, que os clientes dele não tiveram acesso integral aos autos e que “todos os fatos serão devidamente esclarecidos e, ao final, ficará demonstrado que não há qualquer conduta ilícita praticada pelos investigados”. Leia a íntegra a seguir:
“Fernando Bezerra Coelho, Fernando Bezerra Coelho Filho e Miguel Coelho não obteve acesso integral aos autos. Contudo, em análise preliminar da decisão que deferiu a busca e apreensão no âmbito da PET 10.684, esclarece que todos os recursos provenientes de emendas parlamentares foram corretamente destinados, tendo sido observada a lisura do procedimento.
A defesa confia que os órgãos beneficiados observaram rigorosamente as melhores práticas de governança e execução dos recursos recebidos.
Por meio da decisão, destacamos que alguns fatos já foram objeto de apuração pelo STF com o consequente arquivamento (INQ 4513).
A defesa destaca ainda, que segundo consta na decisão do ministro Flávio Dino, a PGR manifestou-se contra as medidas postuladas pela polícia federal.
Todos os fatos serão devidamente esclarecidos e, ao final, ficará demonstrado que não há qualquer conduta ilícita praticada pelos investigados”.
O que diz a Bari Automóveis
Por meio de nota, a Bari Automóveis afirmou que “não são verdadeiras as ilações que estão sendo divulgadas contra” a empresa e que Fernando Bezerra e os filhos “nunca foram sócios, formais ou ocultos” da Bari Automóveis.
Leia a íntegra da nota assinada pelo advogado Sebástian Borges de Albuquerque Mello:
“A Bari Automóveis Ltda. vem se manifestar sobre os fatos que deram ensejo à denominada “Operação Vassalos”, e afirmar, de modo categórico, que não são verdadeiras as ilações que estão sendo divulgadas contra si, uma vez que:
1) O ex-senador Fernando Bezerra, bom como seus filhos, nunca foram sócios, formais ou ocultos, da Bari Automóveis Ltda., nem tampouco detêm qualquer poder ou ingerência sobre a referida empresa;
2) A Bari Automóveis Ltda., bem como seus sócios, não mantém qualquer relação comercial ou societária com as empresas mencionadas na referida operação;
3) Eventuais referências a vínculos pessoais pretéritos entre o ex-senador Fernando Bezerra e os atuais sócios da Bari Automóveis Ltda. já foram objeto de apuração no pelo STF (INQ4513), e definitivamente arquivados. Não há, portanto, qualquer elemento que permita inferir qualquer conduta ilícita da empresa e de seus sócios.
Atenciosamente,
Sebástian Borges de Albuquerque Mello
OAB/BA 14.471″
Operação Vassalos
Pai, filhos, esposas e prefeito: saiba quem são os alvos de operação que mira Fernando Bezerra Coelho
Segundo a investigação, os políticos teriam direcionado verbas federais para custear contratos celebrados com a empresa Liga Engenharia Ltda, de propriedade de seus familiares
Jorge Cosme / Diário de Pernambuco
A Polícia Federal deflagrou, nesta quarta-feira (25), a Operação Vassalos. para investigar fraudes em licitações com desvio de verbas públicas. Entre os alvos dos mandados de busca e apreensão estão o ex-senador Fernando Bezerra Coelho e os filhos Miguel Coelho, ex-prefeito de Petrolina, e Fernando Filho, deputado federal.
Na decisão, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino determinou o cumprimento de 42 mandados de busca e apreensão. Ele também deferiu o pedido de afastamento do sigilo telefônico dos mesmos investigados alvos de busca e apreensão. Confira as pessoas físicas que foram alvo da Operação Vassalos, incluindo esposas e outros parentes de políticos.
Fernando Bezerra Coelho (MDB) - Ex-ministro da Integração Regional no governo de Dilma Rousseff (PT) e líder do governo Jair Bolsonaro (PL) no Senado Federal a partir de 2019. Líder do núcleo político do esquema investigado pela PF. Utilizaria sua influência na Prefeitura de Petrolina e na Codevasf para direcionar recursos públicos, encaminhados mediante termos de execução descentralizada (TED) e emendas parlamentares, a uma empresa pertencente a pessoas com quem possui vínculo familiar, com claros indícios de favorecimento e de desvio de valores.
Fernando Bezerra de Souza Coelho Filho (União) - Deputado federal. Acusado de direcionar verbas federais via emendas parlamentares e TED para custear contratos celebrados com a Liga Engenharia, de propriedade de familiares seus.
Miguel de Souza Leão Coelho (União) - Ex-prefeito de Petrolina. A Liga Engenharia, de familiares seus, foi a principal beneficiada com contratos de pavimentação na cidade a partir da primeira gestão de Miguel. Segundo a investigação, "a gestão Miguel Coelho (...) inquestionavelmente demonstra uma incomum tendência a celebrar contratos que acarretam pagamentos milionários para a Liga Engenharia.
Adriana de Souza Leão Coelho - Esposa de Fernando Bezerra Coelho. Sócia da Bari Automóveis Ltda, empresa que realizou elevadas movimentações de dinheiro em espécie. A Bari seria uma das recebedoras de valores pagos por terceiros com destino ao ex-senador.
Maria Laura Modesto Kehrle - Esposa de Fernando Filho. Empresa em nome dela seria a destinação de uma triangulação financeira. Tal movimentação ocorreu 15 vezes, com um total de R$ 5,47 milhões aportados na empresa.
Lara Teobaldo Secchi Coelho - esposa de Miguel Coelho. Figurou no quadro societário do Posto Petrolina Ltda até 23 de maio de 2018. O posto recebeu valores milionários da Liga Engenharia Ltda. Análise de dados bancários constata que os valores pagos pelo Município de Petrolina à Liga Engenharia mais do que dobraram de maio de 2018 para junho de 2018, mesmo período em que os valores pagos pela Liga ao Posto Petrolina triplicaram. Investigação também aponta uma "possível instrumentalização ilícita das relações familiares" entre o ex-prefeito Miguel Coelho e os familiares de sua esposa.
Aurivalter Cordeiro Pereira da Silva - Por indicação de Fernando Bezerra Coelho, assumiu a 3ª Superintendência da Codevasf, sediada em Petrolina. Antes, exerceu a função de assessor parlamentar no gabinete de Fernando Bezerra Coelho. Segundo a representação policial, ele sempre assumiu cargos comissionados de relevo nos órgãos públicos geridos pelo ex-senador. Elementos colhidos na Operação Desintegração revelam, segundo a polícia, verdadeira subordinação entre Aurivalter e Coelho. Ele encaminharia ao ex-senador e Fernando Filho "mensagens quase que semanalmente (...), com claras feições de prestação de contas".
Guilherme Almeida Gonçalves de Oliveira - Ocupou diversos cargos na Codevasf e se encontrava na função de chefe de gabinete da Presidência da empresa pública desde 2015, permanecendo no cargo até setembro de 2019, e nos quadros da Codevasf ao menos até fevereiro de 2021. Para a polícia, está claro o papel de Guilherme Almeida como intermediador dos interesses do então senador junto à direção nacional da Codevasf.
Daniela Barbosa Andrade Rodrigues - Pregoeira. Acusada de agir com formalismo exacerbado, desclassificando as licitantes sem que fossem realizadas diligências para correção de falhas, resultando na contratação da Liga Engenharia Ltda. Teria atuado em confronto com os princípios da economicidade, da obtenção de competitividade e da busca da proposta mais vantajosa.
Simão Amorim Durando Filho - Prefeito de Petrolina. Foi vice-prefeito de Miguel Coelho, reeleito nas eleições de 2024. Foi secretário parlamentar de Fernando Filho entre 2010 e 2016. Acusado de dar continuidade na execução de contratos aparentemente viciados durante sua gestão municipal.
Frederico Melo Machado - Ex-secretário municipal de Infraestrutura de Petrolina. Demonstraria obediência a Fernando Bezerra Coelho, sendo cobrado pelo ex-senador a adotar providências para a contratação da Liga Engenharia Ltda.
Joel Brito Rocha - ex-secretário parlamentar do deputado federal Fernando Coelho Filho. Teria o papel de acompanhar minuciosamente a liberação das emendas enviadas pelo deputado e por Fernando Bezerra Coelho.
Fabrício Pontes Ribeiro Lima - sócio da Liga Engenharia. Ele é filho de Diva Gusmão Pontes Lima e Eduardo Walter Ribeiro Lima. Walter é pai de Pedro Paulo Coelho Ribeiro Lima, filho de Eugenia Coelho Ribeiro Lima, com quem Walter é casado. Eugenia é irmã de Fernando Bezerra Coelho e tia de Fernando Filho e Miguel Coelho.
Pedro Garcez de Souza - sócio da Liga Engenharia. Irmão de Milla Garcez de Souza, esposa de Carlos Alberto Coelho Oliveira Neto, que é filho de Carlos Alberto Oliveira Neto e Conceição Coelho Oliveira Neto - esta última é irmã de Fernando Bezerra Coelho e tia de Fernando Filho e de Miguel Coelho.
Carlos Alberto Coelho Oliveira Neto - Primo de Miguel Coelho e de Fernando Filho. Teria conta com volumosas transações em espécie e com indícios de fracionamento, com a autoridade policial cogitando seu uso como "laranja" dos parlamentares.
Pedro Campos de Figueiredo - tem empresa que figura como sócia ostensiva em sociedades nas quais os sócios ocultos são empresas ligadas a Fernando Filho e a Miguel Coelho. Participaria da triangulação de valores que é finalizada na conta da empresa Maria Laura Modesto Kehrle Ltda.
Valtemir José de Souza - representa a empresa Maria Laura Modesto Kehrle Ltda. Também foi mencionado enquanto procurador da Mavel - Máqquinas e Veículos Ltda, empresa pertencente ao irmão de Fernando Bezerra Coelho, Caio Bezerra de Souza Coelho e sua esposa.
Domingos Savio Alexandre - interveria nas pessoas jurídicas investigadas Excelsus Participações Ltda e Manoa Participações Ltda a mando dos reais proprietários.
Paulo Andrade Silva - contador sócio na Bari Automóveis Ltda.
Pai e filhos investigados enviaram a mesma nota. A reportagem não conseguiu posicionamento dos demais alvos. Confira a nota de Fernando Bezerra Coelho e filhos na íntegra:
O escritório do advogado André Callegari, que representa Fernando Bezerra Coelho e Fernando Filho, não teve acesso à decisão do ministro do STF Flávio Dino. Os mandados vieram desacompanhados dos motivos que ensejaram as medidas cautelares. A defesa já solicitou acesso aos autos, para que, assim, possa se manifestar no processo.








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