Morte de Rodrigo Helbingen Fleury Castanheira, 16 anos, foi confirmada neste sábado (7/2) pelo advogado da família
Por Metrópoles
Morreu, neste sábado (7/2), o adolescente agredido pelo ex-piloto da Fórmula Delta Pedro Arthur Turra Basso, em 22 de janeiro. Rodrigo Helbingen Fleury Castanheira (foto em destaque), 16 anos, estava internado na UTI do Hospital Brasília em Águas Claras (DF) desde então.
Rodrigo era morador do DF e estudava no Colégio Vitória Régia. Amigos, familiares e jovens da capital realizaram duas vigílias na porta do Hospital Brasília em oração ao rapaz — a última foi realizada nessa sexta-feira (6/2).
Além de ser estudante, o jovem foi jogador de futebol da base do Ceilândia Esporte Clube e jovem aprendiz do programa CEP Talal Abu Allan, do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial do Distrito Federal (Senac-DF), que lamentaram a morte do jovem nas redes sociais.
Em 30 de janeiro, os tios de Rodrigo disseram que o jovem havia reagido a estímulos nos últimos dias. Desde então, os pais decidiram suspender as visitas para preservá-lo.
Apesar dos esforços médicos, Rodrigo Castanheira morreu em decorrência das complicações. O óbito do adolescente foi confirmado à coluna Na Mira pelo advogado da família, Albert Halex.
Como a briga começou
Segundo a investigação, a confusão teve início na noite do dia 22/1. Testemunhas relataram que Turra jogou um chiclete mascado em um amigo da vítima. Após provocações, os dois adolescentes passaram a se agredir fisicamente.
Vídeos gravados no local mostram o momento em que Turra desfere um soco que faz Rodrigo Castanheira bater violentamente a cabeça contra um carro. O impacto o deixou desacordado. Ele chegou a vomitar sangue enquanto era socorrido.
A nova ordem de prisão foi solicitada pelo Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT). Durante coletiva de imprensa, o delegado responsável pelo caso, Pablo Aguiar, apresentou detalhes adicionais da investigação.
Ele afirmou que o investigado já teria se envolvido em outros episódios violentos, incluindo a suposta tortura de uma adolescente com um taser, e classificou o comportamento de Turra como “sociopata”. Emocionado, o delegado comentou a gravidade do caso.
A defesa contestou as declarações. “O delegado não tem competência para definir o comportamento psicológico de ninguém. Isso pode configurar abuso de autoridade”, declarou o advogado Enio Barros.
Com morte de adolescente, como fica a situação penal de Pedro Turra.
O que antes era investigado como lesão corporal gravíssima, agora, pode se tornar lesão corporal seguida de morte, com pena de até 12 anos
Carlos Carone
A morte do estudante Rodrigo Helbingen Fleury Castanheira, de 16 anos, muda de forma decisiva o rumo do processo criminal envolvendo o ex-piloto da Fórmula Delta Pedro Arthur Turra Basso, 19 (foto em destaque). O que antes era investigado como lesão corporal gravíssima, agora, pode se tornar lesão corporal seguida de morte, crime mais grave, com pena que pode chegar a 12 anos de prisão. A reclassificação tende a impactar diretamente o futuro jurídico e pessoal de Turra, que já está preso preventivamente.
Rodrigo morreu neste sábado (7/2), na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Brasília em Águas Claras. O jovem estava internado em estado crítico desde o dia 22/1, após sofrer traumatismo craniano grave durante uma briga em Vicente Pires. Apesar dos esforços médicos, ele não resistiu às complicações. O óbito foi confirmado pelo advogado da família, Albert Halex.
Com a morte do adolescente, o caso deixa de ser tratado apenas como agressão grave.
A principal diferença entre a lesão corporal com resultado morte e o homicídio culposo reside no dolo (intenção) e no objetivo inicial do autor. No homicídio culposo, a morte ocorre por negligência, imprudência ou imperícia, sem intenção de ferir ou matar. Na lesão corporal seguida de morte, o autor quer lesionar (dolo na lesão), mas o resultado morte é inesperado e ocorre por culpa.
O inquérito, já concluído pela 38ª Delegacia de Polícia (Vicente Pires), agora está nas mãos do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), que analisará a possível mudança na tipificação do crime.
Prisão preventiva
Pelo Código Penal, a lesão corporal seguida de morte (art. 129, §3º) ocorre quando há intenção de agredir, mas a morte acontece por imprudência, negligência ou imperícia — sem intenção direta de matar. Trata-se de um crime chamado preterdoloso, cuja pena varia de 4 a 12 anos de reclusão.
Turra foi preso preventivamente no dia 30/1, em casa, sob protestos de moradores. Ele já havia sido detido anteriormente, mas foi liberado após pagamento de fiança de R$ 24 mil. Agora, permanece à disposição da Justiça.
Segundo a investigação, a briga começou após Turra jogar um chiclete mascado em um amigo da vítima, o que gerou provocações e agressões físicas. Vídeos mostram o momento em que o ex-piloto desfere um soco em Rodrigo, que cai e bate violentamente a cabeça contra um carro. O jovem perdeu a consciência e chegou a vomitar sangue enquanto recebia socorro.
Episódios de violência
Durante coletiva, o delegado Pablo Aguiar afirmou que o investigado já teria se envolvido em outros episódios de violência e classificou o comportamento como preocupante. A defesa contestou as declarações, alegando possível abuso de autoridade.
Após a repercussão do caso, vieram à tona outras ocorrências policiais atribuídas ao ex-piloto, entre elas:
- agressão em praça pública após discussão;
- briga de trânsito com um motorista de 49 anos;
- denúncia de coação contra uma adolescente em festa, possível violação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
- Todos os registros ainda estão sendo apurados.
Dor e pedidos de justiça
Familiares, amigos e colegas de escola de Rodrigo organizaram homenagens nas redes sociais e vigílias em frente à instituição onde ele estudava. A família pede justiça e responsabilização pelo ocorrido.
Enquanto o Ministério Público avalia a nova classificação do crime, a morte do adolescente marca um ponto sem retorno no caso. Para Turra, o que antes era uma acusação por agressão pode agora representar uma condenação mais severa — e um futuro incerto diante da Justiça.




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