O que o PP perderá se deixar a base de Raquel e se aliar ao prefeito João Campos, além do grande espaço que ocupa na administração estadual?
Por TEREZINHA NUNES
Apesar de negar que vá sair da base da governadora, Eduardo da Fonte (PP) pouco tem ido ao Palácio do Campo das Princesas - Zeca Ribeiro/ Câmara dos Deputados
O Partido Progressista, comandado pelo deputado federal Eduardo da Fonte tornou-se a bola da vez no emaranhado político em que se transformou a eleição para o Senado em Pernambuco.
Prestes a ver sua bancada na Assembleia Legislativa de Pernambuco passar de 8 para 11 deputados, após a janela partidária, a legenda virou motivo de disputa nos bastidores entre a governadora Raquel Lyra (PSD) e o prefeito João Campos (PSB) depois que, somado a isso, uma Federação que está para ser sacramentada entre ele e o União Brasil dará a Eduardo da Fonte o poder de comando no conglomerado a ser formado, com grande tempo de televisão e expressiva soma de fundo eleitoral.
Mas o que se tinha como pacífico até pouco tempo, como a certeza de que o PP marcharia com a governadora Raquel Lyra pois está na base do seu Governo desde 2023 ocupando expressivos espaços no poder estadual, acabou desnudado nas duas últimas semanas, quando o prefeito João Campos revelou em reuniões com lideranças do PT no Recife e em Brasília que o companheiro do senador Humberto Costa (PT) em sua chapa para o Senado seria o deputado Eduardo da Fonte.
Medo e ficar sem mandato
Até agora o parlamentar não se pronunciou oficialmente sobre o assunto e deputados estaduais progressistas informaram a este blog que ele não tem demonstrado interesse em mudar de lado.
Não é isso que se comenta nos corredores do Palácio Capibaribe e do Palácio do Campo das Princesas. Com uma razão de ser: antes que qualquer comentário surgisse a esse respeito, ele teria citado à própria governadora seu desejo de disputar no mesmo palanque de Humberto.
Na época, sugeria que Raquel fizesse uma aliança com o PT para que ele aceitasse concorrer ao Senado, mesmo sabendo do acordo PSB/PT.
“Eduardo morre de medo de ficar sem mandato e está buscando uma forma de concorrer com menor risco”, disse esta semana um deputado estadual da base governista, alegando que ele estaria convencido de que, ao lado de Humberto, conseguiria votos à esquerda suficientes para superar os demais concorrentes com a soma de sufrágios que acredita ter condições de ir buscar na direita e no centro.
Pressão de deputados e prefeitos
Esse mesmo deputado afirmou que “a governadora tem razão suficiente para estar desconfiada de que Eduardo da Fonte está mesmo entendido com João Campos”.
Citou o fato de que ele só deseja declarar se será candidato ao Senado, como informou ao próprio Palácio, após o dia 04 de abril, quando encerra a janela partidária e ninguém vai poder mais mudar de partido e nem sair PP – refere-se à bancada progressista - e de recentemente ter resistido até a última hora a liberar uma nota do partido de apoio à reeleição de Raquel Lyra, só o fazendo no final da tarde por pressão dos parlamentares e dos prefeitos.
A continuar assim, o PP pode passar por maus bocados, é o que se comenta na Alepe. A razão para isso estaria na crescente irritação com o seu comportamento no meio governista.
Apesar de negar que vá sair da base da governadora, ele pouco tem ido ao Palácio e há muito não participa de agendas oficiais, embora todo início ou final de semana divulgue visitas até a hospitais públicos acompanhado apenas do filho Lula da Fonte, também deputado federal.
Risco iminente
O que o PP perderá se deixar a base de Raquel e se aliar ao prefeito João Campos, além do grande espaço que ocupa na administração estadual que inclui a secretaria de Turismo e órgãos como Lafepe, Detran e Ceasa?
O perigo maior e já passível de comentários é a possibilidade de a legenda perder quadros quando está para assumir o protagonismo na Assembleia com a maior bancada entre os partidos ali representados, como foi revelado neste mesmo espaço na semana passada.
Da mesma forma que deputados e prefeitos fizeram Eduardo da Fonte soltar uma nota de apoio a Raquel, parte deles poderá resistir a se afastar da legenda a tempo de disputar o mandato por outro partido.
Se isso ocorrer, o PP também pode deixar de ganhar pelo menos dois novos deputados que pretendem se filiar à legenda até o dia 04 de abril. E na expectativa de conquistar um mandato de senador, perder representatividade e força eleitoral para formar alianças fundamentais na disputa de um cargo majoritário.




















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