Operações cumpriram mandados de prisão e de busca e apreensão nesta quarta-feira (25). Inquéritos foram abertos após fraudes em seleções do TJPE e TCE
Por Raphael Guerra
Operações cumprem mandados contra grupo que fraudou concursos públicos em Pernambuco - PCPE/DIVULGAÇÃO
A investigação da Polícia Civil contra a fraude no concurso do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) realizado no ano passado identificou um grupo criminoso fortemente organizado que está atuando há pelo menos dez anos no Estado e que é suspeito de praticar crimes para aprovar candidatos em seleções públicas em áreas como saúde e segurança.
Duas operações foram deflagradas nesta quarta-feira (25) pelo Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado, sendo uma relacionada à captura de suspeitos de integrar o grupo suspeito de fraude no concurso de técnico do TJPE, que foi anulado. Denominada Kyma, a operação cumpriu nove dos 11 mandados de prisão e 22 de busca e apreensão expedidos pela Justiça. Entre os presos estão servidores públicos, incluindo três policiais militares, sendo dois de Pernambuco e um do Piauí.
A outra operação, chamada de Crivo, investiga fraude no concurso público do Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE), também realizado no ano passado e que foi suspenso diante dos indícios de crimes. A polícia apura se investigados nessa operação têm ligação com a organização que atuou na seleção do TJPE. Por enquanto, somente mandados de busca e apreensão foram cumpridos.
POLÍCIA DETALHA ESQUEMA DE FRAUDE EM CONCURSOS
Responsável pela investigação da fraude no concurso do TJPE, realizado em 21 de setembro, o delegado Júlio César Pinheiro explicou que as investigações começaram no final de novembro de 2025, após denúncias encaminhadas à polícia. A partir do avanço do inquérito, ficou comprovado o vazamento do gabarito das provas e integrantes do grupo foram identificados.
"Existia uma pessoa infiltrada na banca [examinadora] como coordenadora, colaboradora ou de alguma forma trabalhando nos locais de aplicação da prova para poder capturar as imagens do conteúdo da prova, repassar para o líder da organização criminosa, que por sua vez distribuía aquelas questões para serem resolvidas por outras pessoas [professores]. As respostas voltavam para líder, que redistribuía para os chamados clientes, que são aquelas pessoas que compraram o gabarito", disse o delegado.
Dispositivos eletrônicos eram adquiridos na Romênia, na Europa, para alterar equipamentos usados pelos candidatos nas provas e tentar driblar os detectores.
Pinheiro pontou que alguns candidatos usavam dispositivos eletrônicos, enquanto outros usavam anotações com as respostas das provas.
"Existe um dispositivo eletrônico que simula um cartão de crédito, que recebe a ligação do celular e transfere via bluetooth por um ponto eletrônico. Outras pessoas, já com o gabarito ilícito, optavam por copiar essas respostas em papel e escondiam no próprio corpo para consultar ao longo da prova", contou.
A investigação identificou que candidatos pagavam valores antes da realização do concurso e, caso fossem aprovados e assumissem os cargos, também repassavam outras quantias em dinheiro.
"Normalmente era pago, a título de entrada, um valor para cobrir todo esse custo logístico e de equipamentos, que variava de R$ 2 mil a R$ 5 mil. Se conseguisse ingressar, pagaria algo em torno de R$ 50 mil a R$ 70 mil, a depender do cargo", detalhou.
Em geral, os valores eram repassados para terceiros, por meio de dinheiro em espécie ou via Pix, para dificultar o rastreamento.
A polícia informou que não sabe o número de candidatos que podem ter sido beneficiados com as fraudes, nem quis citar alguns dos concursos em que os crimes foram praticados pelo grupo investigado.
PROFISSIONAIS DA SEGURANÇA ENTRE OS PRESOS
Os nomes dos envolvidos não foram revelados. O líder do grupo está preso no Centro de Observação e Triagem (Cotel), em Abreu e Lima, por crime semelhante.
A polícia confirmou ainda que um PM de Pernambuco e outro do Piauí presos na operação integram o grupo, participando da logística de distribuição de equipamentos usados nas fraudes. Já outro PM de Pernambuco pagou pelo gabarito da prova do TJPE.
Um guarda municipal do Rio Grande do Norte e um policial penal também estão entre os investigados.
FRAUDE NO CONCURSO DO TCE-PE
Já a investigação do concurso do TCE-PE foi conduzida pelo delegado Paulo Vitor Rodrigues. A investigação teve início após uma pessoa ser presa em flagrante no dia da realização das provas.
"A fraude envolvia a utilização de sósias, clones ou pessoas que se faziam passar por outra para fazer a prova", disse.
Servidores públicos estão entre os investigados, mas a polícia não detalhou em que órgãos eles trabalham. Rodrigues ressaltou que há indícios de que se trata do mesmo grupo investigado por fraude no concurso do TJPE, mas somente com o avanço do inquérito isso será confirmado.
A expectativa, agora, é avançar a partir da análise dos materiais apreendidos na operação, que também cumpriu mandados no Rio Grande do Norte. "Conseguimos prova do concurso, mídias digitais, celulares."



















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