Declarações foram feitas em programa exibido em rede nacional. Representação cita que falas questionaram identidade de gênero da deputada
Pablo Giovanni
O Ministério Público Eleitoral encaminhou, nesta sexta-feira (13/3), uma representação para apurar se o apresentador Ratinho cometeu violência política de gênero contra a deputada federal Erika Hilton (PSol-SP) após comentários feitos contra a parlamentar no programa dele no SBT.
O apresentador, durante seu programa na emissora na quarta-feria (11/3), questionou o fato de a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados ser presidida por Erika.
“Teve uma votação hoje, e deram a Comissão da Mulher para uma mulher trans. Eu não achei muito justo, não. Tem tanta mulher, por que vai dar para uma mulher trans? Ela não é mulher, ela é trans”, disse.
Ratinho prosseguiu: “Para ser mulher tem que ter útero, menstruar, tem que ficar chata três, quatro dias”.
O documento, assinado pela procuradora regional da República Raquel Branquinho, encaminhou a representação para que o Ministério Público Eleitoral de São Paulo analise a conduta de Ratinho.
Raquel pontua que as declarações foram transmitidas em rede nacional e que os comentários do apresentador questionaram a legitimidade da eleição de Erika, além de negar a identidade de gênero da parlamentar.
“Importante ressaltar, ainda, que o representado, o apresentador Ratinho, também já foi denunciado pela prática do mesmo crime de violência política de gênero, tendo como vítima a deputada federal Natália Bonavides, caso que tramita perante o foro eleitoral de São Paulo”, cita o documento, mencionando outro episódio no qual ele é investigado.
R$ 10 milhões
Além dessa apuração, Ratinho é alvo de outro pedido, agora do Ministério Público Federal (MPF), para que ele e o SBT sejam condenados a pagar multa de R$ 10 milhões a título de indenização por danos morais pelas falas ditas no programa.
O documento, assinado pelo procurador regional dos Direitos do Cidadão no Rio Grande do Sul, Enrico Rodrigues de Freitas, teve origem após a própria parlamentar pedir que o apresentador fosse investigado.
O pedido apresentado à Justiça solicita que, além do pagamento de R$ 10 milhões, a emissora retire a íntegra do programa de sites e redes sociais, “como forma de limitar o dano perpetrado pelas falas discriminatórias e preconceituosas”.



















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