*Maria Cristina Alencar
Agraciou-me a Providência Divina com o mérito e desafio de, em atendimento ao pedido do Padre Milton Porfírio dos Santos, construir o Projeto Arquitetônico de reforma e melhoria das instalações da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, Padroeira de Araripina, minha terra natal.
Debrucei-me com afinco no conhecimento maior da arquitetura sacra com as especificidades que lhes são próprias, porque requeridas pelos atos litúrgicos que um templo sagrado congrega.
Nossa Igreja Matriz, construída em estilo gótico, no período de 1930 a 1942, patrimônio histórico-religioso de Araripina, apresentava na sua estrutura física os desgastes da ação inexorável do tempo, comprometendo a segurança dos frequentadores, visto que o madeiramento do teto, no limite de sua vida útil, não mais garantia a sustentação do telhado, além das profundas fissuras nas paredes e o desnível do piso, tudo a denunciar prestes desabamentos.
Busquei cuidadosamente elaborar o projeto, partindo de dois pressupostos: o respeito às características originais do prédio e aos elementos essenciais: ritmo das fachadas, modulação da antiga estrutura e horizontalidade predominante do conjunto. Assim, trabalhado, o projeto foi acolhido pelo Padre Milton e pelos fiéis que, embora sem recursos financeiros, não mediram esforços, no mais bonito mutirão de boas-vontades, tornando possível, hoje, a Igreja continuar a ser cartão-postal de nossa cidade.
A antiga cobertura, precária em sua conservação, era auxiliada na sustentação por 12 colunas ocas, que sem nenhuma resistência, sucumbiram à retirada do telhado, permitindo-nos a substituição por estrutura metálica que, pela leveza e praticidade, cobre grandes vãos, tornando prescindíveis as colunas que também não caracterizam o estilo gótico. Essa opção tornou mais amplo o espaço para um maior número de fiéis e visibilidade por todos do presbitério. A cobertura atual, em telha ondulada de fibrocimento, recebeu belíssimo forro de gesso acartonado, formando falsas vigas, em que o dourado da pintura oferece imponência ao templo. O piso de ladrilho hidráulico desgastado, agora, de granito claro, que contrasta com o presbitério em degraus de granito, na cor preto tijuca, com acabamento boleado faz sobressair harmonia e beleza. A sacristia ganhou armários embutidos até o teto e um moderno banheiro.
Em fase de instalação, a Capela do Santíssimo Sacramento oferecerá ambiente propício ao recolhimento dos fiéis. O projeto de iluminação, antes inexistente, hoje, distribui sete belíssimos lustres na nave central, arandelas nas colunas laterais e iluminação especial para os nichos frontais, ora reformados. Destaque-se, também, a escada de acesso ao coro alto e à torre sineira, antes muito larga, impedindo a visibilidade de um vitral, foi substituída por moderníssima escada helicoidal, em concreto, circundada por corrimão de ferro, dando beleza e arte ao ambiente. A pia batismal, criação de Giulliano Califf, artista plástico, residente em Recife, possui borda esculpida em resina, com tampa em acrílico transparente, assentada sobre coluna, revestida de placas de granito. Cada uma das quatro faces da coluna, apresenta uma cruz, simbolizando os quatro evangelistas: Mateus, Marcos, Lucas e João.
Nessa reforma, foram construídos dois nichos, na parede frontal interna, depositários dos restos mortais dos inesquecíveis Padre Luiz Kehrle, fundador da Igreja e Monsenhor Gonçalo P. Lima, segundo Pároco, ambos identificados por lápides. As pinturas interna e externa fizeram sobressair a combinação do clássico e o gótico que se expressa na esbelteza da torre sineira. Deram realce às janelas em arco ogival, à regularidade da simetria e às rosáceas, ressaltando, também, a preciosidade dos vitrais.
Privilegiada por sua localização, a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição é, indiscutivelmente, belíssima.
*Maria Cristina Alencar é arquiteta























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