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ANIMAÇÃO ARARIPINA

De mais de 40 mil km/h a 32 km/h em poucos minutos: como será a entrada da Artemis na Terra

A fase final da missão é uma das mais críticas: cápsula enfrenta calor extremo, apagão de comunicação e desaceleração brusca até cair no oceano.

Por Redação g1


Astronautas da Artemis II — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

A volta da missão Artemis II à Terra, prevista para 21h07 (de Brasília) desta sexta-feira (10), concentra alguns dos momentos mais delicados de toda a viagem. Em poucos minutos, a cápsula Orion vai desacelerar de mais de 40 mil km/h para cerca de 32 km/h —uma redução extrema que depende de uma sequência precisa de manobras e das condições exatas de entrada na atmosfera.

A preparação começa ainda no espaço. No último dia completo da missão, os astronautas revisam procedimentos e vestem trajes de compressão, que ajudam o corpo a se readaptar à gravidade.

Já na fase final, cerca de 20 minutos antes da reentrada, o módulo de serviço é descartado, expondo o escudo térmico que protegerá a cápsula do calor intenso.

Antes de atingir a atmosfera, a Orion realiza ajustes finos para garantir o ângulo correto de entrada, uma etapa crítica. Uma inclinação mínima fora do padrão pode fazer a cápsula queimar ou até ricochetear de volta ao espaço.


Lua fotografada de dentro da cápsula Orion, na missão Artemis II. — Foto: NASA

Entrada na atmosfera: calor extremo e perda de comunicação

A chamada “interface de entrada” acontece a cerca de 122 km de altitude. É ali que a cápsula começa a encontrar as primeiras camadas da atmosfera terrestre, ainda a velocidades próximas de 35 vezes a do som.

A partir desse ponto, o atrito com o ar gera temperaturas que podem ultrapassar 2.700 °C, calor suficiente para formar um plasma ao redor da nave. Esse fenômeno provoca um apagão de comunicação de cerca de seis minutos, período em que a tripulação fica temporariamente sem contato com a Terra.

Ao mesmo tempo, os astronautas enfrentam forças de até 3,9 vezes a gravidade terrestre. Para reduzir o impacto no corpo humano, a nave entra na atmosfera em um ângulo específico, o que alonga a desaceleração e evita forças extremas que seriam insuportáveis.


Astronautas da Artemis II encantam o mundo com novas fotos da Lua e da Terra — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

A atmosfera como freio

Diferentemente de aviões, a cápsula Orion não é projetada para ser aerodinâmica.

Ela funciona quase como um “tijolo voador”, usando o arrasto da própria atmosfera para perder velocidade rapidamente. Esse processo é responsável pela maior parte da desaceleração —de dezenas de milhares de km/h para algumas centenas em poucos minutos.

Após o período de blackout, a cápsula já estará a cerca de 46 km de altitude, ainda em alta velocidade, mas suficientemente desacelerada para iniciar a fase final da descida.

Paraquedas e pouso no oceano

A cerca de 6,7 km de altitude, são abertos os paraquedas de frenagem, que estabilizam a cápsula e reduzem ainda mais a velocidade. Pouco depois, por volta de 1,8 km, entram em ação os três paraquedas principais, responsáveis por levar a Orion a uma queda controlada.

O impacto final ocorre no Oceano Pacífico, próximo à costa de San Diego, a cerca de 32 km/h. A queda é relativamente suave, mas ainda exige precisão para garantir a segurança da tripulação.

Após o pouso, equipes de resgate devem retirar os astronautas da cápsula em até duas horas. Eles serão levados de helicóptero até o navio militar USS John P. Murtha, onde passam pelas primeiras avaliações médicas antes de seguir para o Centro Espacial Johnson, no Texas.

Toda a sequência —do primeiro contato com a atmosfera até o pouso no mar— dura pouco mais de dez minutos. É rápida, intensa e considerada uma das fases mais arriscadas da missão.

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