Barreira deslizou sobre casa na sexta-feira (1º), matando uma mulher e seus dois filhos. Desde 2023 a Câmara de Vereadores tem requerimento aprovado solicitando a contenção da barreira que desabou.
Por Bruno Fontes, TV Globo
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"Foi uma fatalidade, sim, mas foi muita negligência da prefeitura e da Defesa Civil que vieram aqui na casa da minha filha e disseram que a barreira não tinha perigo. Que iriam voltar e botar uma lona na barreira [...] Eles disseram para ela não sair, que não tinha perigo da barreira. Se eles tivessem falado para ela: 'olha, Jaqueline, pegue sua família e saia daqui porque tem perigo para você', a minha filha ia ficar não, ela ia sair. Só que eles não deram a orientação à minha filha que a barreira ia cair, por isso ela ficou".
O depoimento que acusa o poder público de negligência é de Janaína Soares da Silva, mãe e avó de três vítimas de um deslizamento de barreira no bairro de Dois Unidos, na Zona Norte da cidade, na sexta-feira (1º).
Janaína é mãe de Jaqueline Soares, de 25 anos, a avó de Riquelmy, de 7 anos, e Maria Helena, de 1 ano, vítimas do temporal que atingiu a Região Metropolitana do Recife e a Zona da Mata Norte do estado, deixando 27 municípios em situação de emergência (veja vídeo acima).
Janaína foi ao local da tragédia na manhã desta segunda-feira (4) para recolher alguns pertences da filha e dos netos que ficaram nos escombros.
De acordo com ela, a família comprou o terreno há 6 anos e morava na casa há 4 anos. Em anos anteriores, ela chegou a acolher a filha e seus netos em sua casa, para que ela não corresse o risco gerado pelas fortes chuvas.
Janaína também disse que, na sexta-feira (1º), antes da barreira ceder, estava a caminho de Dois Unidos para buscar a família.
"No mesmo dia da fatalidade eu corri com meu esposo para buscá-la. Ela já estava na porta para sair, com o esposo dela. Só que quando ele [marido de Jaqueline] ia tirá-la, pois estavam prontos para sair na porta da sala, ele olhou para trás, a barreira veio. Ele correu para dentro de novo, para pegar a família dele, mas não deu tempo, eles ficaram aí", lembrou.
Janaína disse que está revoltada com o poder público, que, de acordo com ela, não ofereceu um aluguel digno para a família. "Eu estou com muita dor na alma, mas estou muito revoltada", disse a mãe da vítima.
Em 2023, a Câmara de Vereadores do Recife aprovou um requerimento pedindo que a prefeitura fizesse a contenção da barreira que desabou na sexta-feira (1º). O documento indica que a solicitação é uma resposta às diversas reivindicações da comunidade, pontuando que "os moradores vêm sendo prejudicados com deslizamentos devido às várias rachaduras que estão aparecendo na barreira".
Requerimento de 2023 pedia obras na barreira que desabou em 2026 e deixou três mortos no Recife — Foto: Reprodução/TV Globo
Mesmo após três anos da requisição, o serviço não foi feito. A barreira deslizou e arrastou a casa onde Jaqueline morava com toda sua família.
A TV Globo também conversou com outros moradores da região, que tentam voltar à rotina depois do deslizamento. Uma das pessoas da comunidade, que acompanha a mobilização desde a sexta-feira, (1º) é Moacir, que mora perto de onde a barreira caiu.
"A gente estava na sexta, na porta de casa, conversando sobre a barreira. Quando a gente acabou de falar, veio o alerta. Infelizmente, aconteceu, ela desceu [a barreira]. E aconteceu o que vocês estão vendo. E a gente não pôde fazer mais nada, a num ser retirar o pessoal, tentar socorrer, mas não teve mais jeito", lembrou Moacir, emocionado.
O enterro de Jaqueline Soares e seus dois filhos aconteceu na tarde do domingo (3), no Cemitério de Santo Amaro, no Centro do Recife. O pai das crianças e marido e Jaqueline, José Rodrigues, sobreviveu, com ferimentos nas costas e na perna, pois ficou soterrado até a metade do corpo.
Jaqueline, Riquelmy, Maria Helena e José foram vítimas de um deslizamento de barreira em Dois Unidos, na Zona Norte do Recife — Foto: Reprodução/WhatsApp
Mortes nos temporais no Grande Recife
Pernambuco contabilizou seis mortes por causa dos temporais que atingiram a Região Metropolitana do Recife e a Zona da Mata do estado. Além das três mortes em Dois Unidos, na Zona Norte do Recife, houve duas mortes em Olinda.
A jovem Bruna Karina, de 20 anos, e seu filho de 6 meses, Pietro da Silva, morreram soterrados em um deslizamento de barreida no bairro do Passarinho. A sexta morte foi em São Lourenço da Mata, no Grande Recife, de um homem que se afogou na correnteza forte do rio.
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