Taxa
estadual é de 84,6 óbitos para cada 100 mil pessoas com faixa etária entre 15 e
29 anos. Foram registradas 1.814 vítimas somente em 2024
Por Raphael
Guerra / JC
Mais de 300 mil jovens foram assassinados no País em apenas 11 anos - SIDNEY LUCENA/JC IMAGEM
Pernambuco
registrou, em 2024, a terceira maior taxa de mortes violentas de jovens do
País. O índice foi de 84,6 óbitos para cada 100 mil pessoas com faixa etária
entre 15 e 29 anos. O resultado é mais do que o dobro da média nacional, que
foi de 42,2.
A
estatística faz parte do Atlas da Violência 2026, divulgado nesta terça-feira
(26). O estudo é produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada
(Ipea), em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), foi
elaborado a partir dos dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM)
e do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da
Saúde.
No
País, 301.825 jovens foram assassinados entre 2014 e 2024, sendo a média
diária de cerca de 75 vítimas. A violência letal é predominantemente
masculina e armada.
O
estudo indicou que essa violência tem relação, ainda, com fatores como
raça/cor, condição socioeconômica e território (periferias urbanas e
regiões de maior vulnerabilidade). As maiores taxas estão nas regiões mais
pobres do Norte e Nordeste.
Em
2024, a liderança ficou com o Amapá. A taxa foi de 114,7 mortes violentas de
jovens para cada 100 mil habitantes. Em seguida, a Bahia com 101,8.
Quando
observado o recorte de 2014 a 2024, o Altas apontou que o Amapá teve aumento de
45,2%, Pernambuco com 7,5% e Bahia com 6,4%. Já o Distrito Federal e Goiás
tiveram as maiores reduções: 79,6% e 67,8%, respectivamente. A média nacional
foi de queda de 39%.
O
estudo destacou que a violência letal dos jovens, especialmente homens, se
trata do desfecho mais brutal de "trajetórias frequentemente marcadas por
exposição precoce à violência, ausência de proteção e reprodução de
desigualdades estruturais".
Atlas da Violência: Pernambuco tem
terceira maior taxa de homicídios do Brasil
Número
de assassinatos no estado é de 37,3 mortes por cada 100 mil habitantes,
ultrapassando a média nacional, de 20,1
Ester
Marques
Violência urbana ( Rafael Vieira/DP)
Pernambuco
é o terceiro estado com a maior taxa de homicídios no Brasil, segundo o Atlas
da Violência 2026, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). O
estudo, que mapeia registros de violência ao redor do país, com dados que vão
de 2014 a 2024, foi divulgado nesta terça-feira (26).
No
Brasil, a média de homicídios registrados por 100 mil habitantes é de 20,1. De
acordo com o levantamento, Pernambuco está entre os 18 estados que apresentaram
uma taxa de homicídios acima da média nacional, com 37,3 mortes por cada 100
mil habitantes, atrás apenas do Amapá (45,7) e da Bahia (40,9), sendo seguido
por Alagoas (35,9) e Ceará (34,3), respectivamente.
Ao
todo, foram registrados 3.534 homicídios no estado no ano de 2024. Em
comparação a 2023, que contabilizou 3.697 homicídios, o número diminuiu 4,4%.
Ele também é o menor desde 2021 (3.409).
Na
análise do índice que calcula a quantidade de homicídios a cada 100 mil
habitantes, o resultado de Pernambuco (37,3 em 2024) representa um aumento de
1,1% em relação a 2014. De 2023 para 2024, nesta categoria, foi constatada a
diminuição de -4,6%.
Retrospectiva
Os
dados do relatório apontam que o ano mais violento para Pernambuco foi 2017,
com 5.419 homicídios. O menor registro de homicídios aconteceu em 2014, com
3.358. O ano com a menor taxa de homicídios a cada 100 mil habitantes é 2022,
com 36,1 homicídios a cada 100 mil habitantes. A maior taxa pertence a 2017
(58,6).
Brasil
Em
nível nacional, a taxa de homicídios sofreu uma diminuição ao longo de 11 anos
de análise. Em 2024, foram registrados 42.590 homicídios no Brasil, o que
equivale a 20,1 assassinatos a cada 100 mil habitantes.
Esse
índice representa uma redução de 6,9% no número absoluto de mortes, e de 7,4%
em relação a 2023. Em comparação com o ano de 2023, a taxa caiu 7,4%. De 2014
até 2024, foi observada uma queda de 6,9%.
Pesquisadores
indicam que mudanças nas políticas de segurança estaduais e municipais,
alterações nas dinâmicas do crime organizado e o envelhecimento da população
são alguns dos fatores a se considerar ao constatar as causas dessa diminuição.
No
entanto, a pesquisa alerta para as mortes violentas por causa indeterminada,
que torna incerta a classificação dos assassinatos. Assim, o
Atlas institui a probabilidade de que, considerando esta categoria, o número de
homicídios no Brasil aumente para 49.673 em 2024, diminuindo, assim, a queda
significativa registrada em relação a 2023 através dos meios oficiais de
apuração, de 6,9% para 0,4%.
Sobre
os dados estaduais, o Diário de Pernambuco entrou em contato com a
Secretaria de Defesa Social, mas não obteve retorno até a publicação desta
matéria.


