Operação Cortina de Fumaça mirou empresas fraudulentas que atuavam no setor de distribuição de alimentos. Ao menos 14 pessoas e 36 companhias são investigadas.
Por g1 Pernambuco
Delegado Breno Varejão — Foto: Reprodução/TV Globo
O grupo suspeito de praticar um esquema de sonegação
e fraudes fiscais que causou um prejuízo de mais de R$ 132 milhões aos
cofres públicos dava dinheiro a beneficiários do programa Bolsa Família para
lavagem de dinheiro por meio de empresas de fachada, segundo a Polícia
Civil. Ao menos 14 pessoas e 36 companhias são investigadas.
A organização criminosa foi alvo da Operação Cortina de
Fumaça, deflagrada na quarta-feira (6). Foram cumpridos, ao todo, 18 mandados
de busca e apreensão, além de bloqueios financeiros e autuação dos suspeitos,
que estão sendo monitorados por tornozeleira eletrônica. Não houve prisões até
o momento. Os nomes dos envolvidos não foram divulgados.
Em entrevista coletiva nesta quinta (7), o delegado Breno
Varejão, titular da Delegacia de Crimes Contra a Ordem Tributária, disse que o
esquema contava com a participação de contadores para "camuflar" as
sonegações e fraudes fiscais e driblar a fiscalização.
De acordo com ele, o esquema envolvia empresas de
distribuição de alimentos. Algumas delas são sediadas no Centro de
Abastecimento e Logística de Pernambuco (Ceasa), no bairro do Curado, na Zona
Oeste do Recife. O grupo também atuava em Camaragibe,
na Região Metropolitana, e em Caruaru e Bezerros,
no Agreste.
"Eles [os contadores] representavam muitas vezes a empresa perante esses órgãos administrativos, a Receita, a Cefaz, a Jucepe, como procuradores, para estar destravando questões administrativas e criando essas empresas laranja. [...] Foram identificadas algumas pessoas e elas receberam, ou recebiam, programas como Bolsa Família e outros programas assistenciais do governo federal, enquanto titularizavam empresas de grande porte", disse.
Conforme aponta o inquérito, os criminosos usavam dados de
pessoas que recebiam os benefícios sociais para abrir empresas de fachada no
nome delas.
"As investigações apontam que essas pessoas também eram
beneficiadas, recebiam uma contraprestação pecuniária, financeira, para poder
ter essa participação", explicou Breno Varejão.
O caso começou a ser investigado em 2023, mas o esquema era
operacionalizado havia, ao menos, dez anos, segundo a apuração realizada pela
Polícia Civil com o Ministério Público de Pernambuco. Entre as irregularidades
encontradas, estava também a venda de mercadorias sem nota fiscal.
"Ele [esse tipo de crime] pode tanto contribuir para um desequilíbrio comercial perante os concorrentes e trazer um ambiente para desfavorecer e poder até quebrar contribuintes idôneos e honestos. Eles podem também incentivar que outros acabem entrando nessa prática e quem vai perder, de certa forma, é a arrecadação. E, consequentemente, o estado não consegue lançar para políticas públicas, saúde, educação, segurança", afirmou.

