O chefe da corporação, no entanto, considera o erro como "individual" e nega que a letalidade policial seja um problema sistêmico no Estado
Por Estadão Conteúdo
Polícia Militar de São Paulo - Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
Comandante-geral da Polícia Militar de São Paulo, o coronel
Cassio Araújo de Freitas, disse nesta terça-feira, 3, em entrevista à
GloboNews, que em mais de três décadas de serviço nunca tinha visto uma cena
tão chocante quanto o caso do homem
que foi jogado da ponte por um PM durante uma abordagem.
"Tenho 34 anos de serviço e não tinha visto algo parecido com isso",
disse.
Ele afirmou que a ação foi filmada pelas câmeras nas fardas
e que as imagens estão sendo analisadas pela Corregedoria. "Nessa operação
nós tínhamos 13 policiais, eles estavam com as câmeras e essas imagens estão
sendo analisadas neste momento na nossa Corregedoria."
O chefe da corporação, no entanto, considera o erro como "individual" e nega que a letalidade policial seja um problema sistêmico no Estado. A PM paulista matou 496 pessoas entre janeiro e setembro, o maior número desde 2020, conforme dados da Secretaria da Segurança Pública (SSP) do Estado.
"Uma instituição com 90 mil homens, que trabalha 24 horas por dia, atendendo 30 milhões de ocorrências, nós vamos ter, sim, uma taxa de falha. Nós somos seres humanos."
"Embora você tenha essa percepção de que é sistêmico, é
pontual. Se for colocar na ponta do lápis o número de ocorrências que
atendemos, o número de confrontos que enfrentamos, o número de pessoas que
salvamos, você vai ver que isso aí é uma taxa pequena. É claro, é uma taxa
ruim, que tem uma visibilidade porque chama muita a atenção. É chocante ver uma
cena como essa", completou.
A Secretaria da Segurança Pública diz investigar todas as
denúncias. No caso do rapaz atirado da ponte, a gestão Tarcísio de Freitas
(Republicanos) afastou os 13 agentes das ruas. Segundo a Ouvidoria das
Polícias, a abordagem ocorreu na segunda-feira, 2, na Cidade Ademar, zona sul
da capital.
Durante a entrevista, o comandante afirmou ainda que a PM já
apurava o caso antes das imagens serem divulgadas nas redes sociais. Os
envolvidos já foram ouvidos. O policial que joga o rapaz prestou depoimento na
tarde desta terça à Corregedoria.
O vídeo registra o momento em que o policial levanta o rapaz pelas pernas e o joga do alto da ponte sobre um córrego. Na sequência, o corpo de um homem aparece boiando nas águas do córrego.
"A Polícia Militar de São Paulo é uma instituição que
preza, acima de tudo, pelo seu profissionalismo na hora de proteger as pessoas.
Policial está na rua pra enfrentar o crime e pra fazer com que as pessoas se
sintam seguras. Aquele que atira pelas costas, aquele que chega ao absurdo de
jogar uma pessoa da ponte, evidentemente não está à altura de usar essa farda.
Esses casos serão investigados e rigorosamente punidos. Além disso, outras
providências serão tomadas em breve", disse o governador de SP em publicação
no X.
Pelo Instagram, Guilherme Derrite, secretário da Segurança
Pública do Estado, confirmou o afastamento dos envolvidos e também prometeu
"severa punição".
"Anos de legado da PM não podem ser manchados por condutas antiprofissionais. Policial não atira pelas costas em um furto sem ameaça à vida e não arremessa ninguém pelo muro. Pelos bons policiais que não devem carregar fardo de irresponsabilidade de alguns, haverá severa punição", disse na postagem.
As manifestações ocorrem após o Ministério Público divulgar
uma nota em que define o caso como "estarrecedor e inadmissível".
A Procuradoria-Geral determinou que o Grupo de Atuação Especial de Segurança Pública (Gaesp) associe-se ao promotor natural do caso para que o Ministério Público de São Paulo "envide todos os esforços no sentido de punir exemplarmente, ao fim da persecução penal, os responsáveis por uma intervenção policial que está muito longe de tranquilizar a população".
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