CAÍMI, A BAHIA E...
Caimi está de volta às noites cariocas, no Flag, ao lado de Luís Carlos Vinhas. É uma curta temporada, de 20 dias. Depois esperam-no em outras partes do Brasil.
O bom baiano, de cabelos grisalhos mas alma sempre jovem, confessa de saída:
"Eu precisava voltar à noite. Já começava a sentir saudade. O advento da fita magnética, da música tecnificada, me assustou um pouco, me afastou. Meu gênero é a comunicação intimista. Não me sinto bem em ambientes grandes, porque há muita dispersão. Sou um intimista. Minha música é romântica. E eu precisava me comunicar."
Reportagem de GRACINHA CALDAS Fotografia de LEONDINO KUBIS
De volta à noite carioca, Caími se sente em casa. Ao lado de Luís Carlos Vinhas, apresenta-se numa atmosfera aconchegada, íntima, revivendo velhos sucessos e cantando novidades também. Caími continua a compor e seu próximo LP, a sair breve, traz nada menos que 6 músicas inéditas.
ESTÁ CANTANDO NO RIO
Por isso, por precisar se comunicar, por sentir necessidade de contato com o público, Caymmi voltou. E está no Flag, na noite carioca. Ao lado do pianista Luís Carlos Vinhas, do jeito que gosta — "o público ligado em mim, e eu ligado ao público". Recentemente, Caymmi se apresentou no Casa Grande, e não gostou da experiência. A casa era muito grande. Por isso, também, recusou convite para apresentar-se no Canecão. Caymmi prefere os pequenos ambientes, onde é maior a proximidade do artista com seu público. Seu repertório, de maneira geral, é conhecido do público. Mas ele apresenta novidades. No ensaio, ao cantar Tão Só, deixou-se dominar pela emoção ao ponto de exclamar: "Esta música é realmente uma solidão!" E gritou para Vinhas: "Vamos para o folclore, que é pra animar o ambiente. Se não, é fossa certa."
E cantou Francisca Santa das Flores, música praticamente inédita, composta há menos de um ano.
Caymmi sabe que tem umas sessenta músicas na praça. Do número exato, perdeu a conta. Ele se prepara para lançar um novo LP, com pelo menos seis músicas inéditas. No mais, ao terminar a temporada, voltará para a Bahia, para descansar das férias do verão. Isto porque quase diariamente batiam à sua porta, pedindo pra ele cantar "pelo menos um número só". Caymmi, que se sente parte do folclore baiano, e não sabe dizer não, cantava. Agora, porém, sonha com merecido repouso, enquanto não parte para novos compromissos, já que tem convites chegando sempre de todo o Brasil, de gente que quer vê-lo e ouvi-lo. Na verdade, ele não é apenas parte do folclore baiano, e, sim, tradição viva e valor positivo da MPB.
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