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ANIMAÇÃO ARARIPINA

O que se sabe sobre o documentário da Netflix com Suzane von Richthofen

No longa-metragem, ela revisita o crime de 2002 e descreve dinâmica de violência e falta de afeto familiar

Por Da IstoÉ / Em Gente


Suzane von Richthofen Foto: Reprodução

Um documentário em produção pela Netflix traz Suzane von Richthofen, de 42 anos, para revisitar o crime pelo qual foi condenada a 39 anos de prisão — pena que atualmente cumpre em regime aberto. No longa-metragem, ela concede uma entrevista e reconstrói, sob sua perspectiva, a história que se tornou um dos casos mais noticiados do Brasil.

Em nota enviada à IstoÉ, a Netflix afirmou que a obra ainda está em fase de produção e não há previsão para a data de estreia. No entanto, o colunista Ullisses Campbell, do jornal O Globo, teve acesso à produção durante uma pré-estreia restrita. Segundo ele, Suzane descreve no longa a relação com os pais, Manfred e Marísia von Richthofen, como um “abismo”.

“Eu vivia estudando. Era só nota alta. Tirava 9 e 10 em todas as matérias. Não tinha demonstração de amor, nem deles pra gente, nem da gente pra eles. Minha vida era brincar com o meu irmão”, relatou ela. “Meu pai era zero afeto. Minha mãe ainda tinha um pouco. Volta e meia ela pegava a gente no colo, mas era muito de vez em quando”, emendou.

Ainda de acordo com Suzane, sua família estava longe de ser perfeita. “O relacionamento dos meus pais era muito ruim”, classificou, chegando a contar que presenciou uma cena de violência entre os dois: “Eu era criança. Meus pais botavam a gente pra dormir muito cedo. Ouvi uma discussão e desci pra ver o que era. Eu vi meu pai enforcando a minha mãe contra a parede. Foi horrível”, recordou.

Em outro momento, Suzane afirmou que não havia diálogo no ambiente familiar e que, por isso, ela e o irmão, Andreas von Richthofen, criaram um mundo próprio, que servia como “um refúgio nosso dentro de casa”. Segundo o seu relato, todo esse cenário contribuiu para que Daniel Cravinhos ocupasse um lugar central em sua vida.

Manfred e Marísia foram assassinados a pauladas em 31 de outubro de 2002, em um crime planejado pela filha e executado pelos irmãos Daniel e Cristian Cravinhos. “Eu não construí a arma do crime. Não tenho nada a ver com isso”, ressaltou ela, alegando que havia resistência dos pais em aceitar o namoro. Marísia, inclusive, criticava diretamente a relação: “Ela falava que ele ia me puxar para o fundo do poço”.

A partir dali, Suzane passou a levar uma vida dupla. “Eu saía de casa dizendo que ia para o karatê, mas ia para a casa do Daniel”, contou. “Escondida dos meus pais, conheci todo o litoral de São Paulo. A gente alugava carro e seguia viagem. O Daniel me mostrou o mundo que eu queria viver”. As mentiras se acumularam até serem descobertas, o que transformou a convivência em uma “guerra”. O conflito com o pai escalou até a agressão física: “Ele me deu um tapão na cara tão forte que meu rosto virou para o lado”, relembrou.

De acordo com ela, o ponto de virada ocorreu quando os pais viajaram por 30 dias para a Europa e Daniel se mudou para a residência da família. “Foi um mês de liberdade total. Um sonho que eu não queria que acabasse. Era o dia inteiro de sexo, drogas e rock ’n’ roll”, disse ela, chegando a rir ao relembrar episódios do período. “Aquele mês mudou tudo na nossa vida”.

Durante o depoimento, Suzane afirmou que a ideia do crime não surgiu de forma direta, mas foi construída aos poucos. “Nós não falávamos em matar meus pais. A gente dizia que seria muito bom se eles não existissem”, descreveu. Quando o duplo homicídio ganhou forma concreta, ela diz ter tentado se afastar do planejamento, embora reconheça sua participação: “Eu aceitei. Eu os levei para dentro da minha casa. A culpa é minha”.

Sobre a noite do crime, Suzane relatou que permaneceu no andar de baixo, tentando se desligar do que acontecia no pavimento superior, onde os pais dormiam. “Eu fiquei no sofá, com a mão no ouvido para não escutar nada”, contou. Ela admitiu que poderia ter interrompido os assassinatos, mas ponderou: “Quando tudo terminou, o impacto veio de forma imediata. Não tinha mais como voltar atrás. O que eu fiz não tem mais volta”.

Em outra parte do longa, Suzane aparece ao lado do marido, o médico Felipe Zecchini Muniz. Ele relata que entrou em contato com ela pelo Instagram para encomendar sandálias customizadas para as três filhas; a partir daí, iniciaram o relacionamento. As filhas do médico e o filho pequeno de Suzane também aparecem em cenas domésticas no documentário.

Por fim, ela declarou que a mulher que participou do crime não existe mais. “Aquela Suzane ficou lá no passado. A sensação que eu tenho é que ela morreu junto com os meus pais”, comparou, afirmando ser hoje uma “outra pessoa”, transformada ao longo dos anos.

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