Agora neste ano, completo 60 anos. Não toco nenhum instrumento musical e muito menos canto em público. Roberto meu irmão (@betinhodocavaco) considero um músico completo: toca cavaco, violão e entende de notas musicais, além de cantar muito bem e ele sim, é eclético musicalmente falando. Canto apenas karaokê e talvez meu tom de voz seja entre barítono e baixo, não sei. Gosto de quase todo estilo de música, não me considero eclético porque não curto esse estilo atual de pisadinha, sei lá, sofrência, sertanejo universitário, esses estilos em que os instrumentos se misturam em uma batida única, como se fosse uma língua embolada, que só torna irritante, para o editor deste, claro. A geração atual adora e a única coisa que podemos fazer é respeitar. Não tenho nada contra e cada escuta o que os ouvidos suportam.
Comprei duas caixas de som, uma mesa, microfones para assim me divertir em casa e cantar tudo que gosto: desde Bartô Galeno, Waldick Soriano, Odair José, José Augusto, Reginaldo Rossi, Fernando Mendes e toda aquela safra de artistas que embalaram a Jovem Guarda, que se define em um grande músico e artista brasileiro que alguns tratam como ultrapassado, o nosso querido e eterno rei Roberto Carlos. Esse é inimitável.
Gosto de Caetano, Gil, Gal, aquela galera tropicalista toda. Gosto de Elis, Belchior, Fagner, Tom Jobim, Chico Buarque, Zé Ramalho, Raul, Ritchie (quem nunca cantou Menina Veneno) - enfim. Jovem Guarda, Bossa Nova, Brega, Tropicalismo, Forró Pé de Serra, Rock in rol tudo está no meu cardápio musical e isso só demonstra a riqueza da nossa música popular brasileira, com todas as suas nuances.
Mas o meu relato é simplesmente para falar das alegrias incontidas dos últimos dias para tratar de música. E de música boa.
Sempre quando tem um palco, uma galera alvoroçada aplaudindo e cantando essas melodias barulhentas, de duplo sentido e muitas vezes xingando e destratando a figura feminina, a tristeza é sempre o refúgio de quem acredita que a geração atual está perdida e não tem mais jeito.
Quando lembrando que a nossa geração que viveu intensamente o melhor momento musical de baladas, tertúlias, bandas versáteis que faziam shows em discotecas (a febre dos anos 80, afirmamos que nunca mais existirá outra igual.
Esses dias encontrei nas redes sociais um jovem cantando e tocando e os filhos e a esposa o acompanhando em duas melodias que somente os apaixonados que viveram momentos marcantes com essas mensagens musicais, podem contemplar com a ternura dos enamorados. Eles cantarolavam “A Beleza da Rosa”, de José Ribeiro e “A Desconhecida”, de Fernando Mendes, enquanto ele tocava com a maestria de quem conhece a composição “Cordas de Aço” do inesquecível Cartola, que diz:
Ai! Estas cordas de aço
Esse minúsculo braçoo
Do violão que os dedos meus
Acariciam
Ai! Esse bojo perfeito
Que trago junto ao meu peito
Só você, violão
Compreende porque perdi toda alegria
...E nos presenteia com tanta musicalidade e tanta letra boa que agora sim, podemos salvar parte dessa geração.
@tombrito_pedrada tem mais de 300 mil seguidores no Instagram e ele faz parte dessa geração que resgata a MPB raiz e mostra que o amor por a boa música é uma coisa de família.
Pensa que terminou?
Aí nos deparamos como uma galera sensacional de jovens aprendizes que tocam, cantam, gesticulam e viram artistas no palco que entoa Zé Ramalho e um absurdo musical que lacrimejam os olhos deste quase sexagenário. Ainda temos esperança. Obrigado @pacheco_antonyel e a Banda do Professor.
E para finalizar, um garoto com seu pandeiro e seu fiel parceiro de cavaquinho, tem mostrado que a música boa, pode ser traduzido de diversas maneiras musicalmente. Leozinho a estrela do samba @leozinhoestreladosamba raiz, não cantarola só o mesmo estilo e esses dias, ele esteve com o forrozeiro também raiz, Flávio José e como se fosse um tour pelo nosso bom estilo musical nordestino, mandou bem.
Então resumindo, esses novos adeptos que tem atraído uma comunidade musical ávida por ouvir um pouco do passado batendo, tocando e inovando a velha e boa MPB – traz de volta o sonho de que nem tudo está perdido.
Viva a boa Música Popular Brasileira.



















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