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ANIMAÇÃO ARARIPINA

23% dos eleitores apontam a violência como principal problema de Pernambuco

Pesquisa da Genial/Quaest ouviu 900 pessoas, com 16 anos ou mais, entre 22 e 26 de abril. Violência foi o 2º problema mais indicado; saúde liderou

Por Raphael Guerra / JC


Pernambuco é o terceiro estado com maior número de mortes violentas intencionais - SEVERINO SOARES/JC IMAGEM

Com indicadores entre os piores do País, a criminalidade continua preocupando quem vive em Pernambuco. Pesquisa Genial/Quaest, divulgada na terça-feira (28), mostrou que 23% dos entrevistados apontam a violência como o maior problema do Estado. A saúde lidera, com 27%.

O levantamento, com o objetivo de identificar as intenções de voto para o governo de Pernambuco, ocorreu entre os dias 22 e 26 de abril. Foram ouvidos 900 eleitores com 16 anos ou mais, por meio de questionário aplicado presencialmente. A margem de erro é de três pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.

Na avaliação do pesquisador, consultor e especialista em Governança, Estratégias e Sistemas de Segurança Pública Armando Nascimento, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), o fato de a violência ser apontada como um dos principais problemas revela "um estado de alerta social que o investimento financeiro isolado não consegue aplacar de imediato".

"O investimento em segurança pública, como compra de viaturas, armamentos e novas contratações, é o que chamamos de insumo. No entanto, a população não julga o governo pelo que ele gasta, mas pelo resultado que ela sente ao sair de casa", disse.

Nascimento pontuou que a viralização de imagens de crimes nas redes sociais amplia a sensação de insegurança, mesmo que haja altos investimentos no combate à violência.

"Vivemos em uma era onde um crime ocorrido em um bairro distante viraliza no WhatsApp em minutos. Isso cria um fenômeno de vitimização vicária (o medo de ser a próxima vítima mesmo sem nunca ter sofrido um crime). O governo pode investir milhões, mas a narrativa digital da violência é muito mais ágil e impactante", explicou.

O pesquisador pontou que o resultado da pesquisa não indica que o investimento é inútil, mas que, no momento, é insuficiente para alterar a percepção de risco do cidadão.

"Para que a violência caia nesse ranking, o governo de Pernambuco precisa migrar de uma estratégia puramente baseada em gastos e policiamento ostensivo para uma estratégia de gestão por resultados territoriais, com foco em inteligência e, acima de tudo, na redução da impunidade nos crimes do cotidiano, que são os que mais alimentam esses 23% de preocupação popular", avaliou.

De acordo com estatísticas da Secretaria de Defesa Social (SDS), o Estado registrou 729 mortes violentas intencionais no primeiro trimestre deste ano. A queda é de 15,5% em comparação com o mesmo período de 2025.

Mesmo com a queda, Pernambuco é o 3º estado com maior número de mortes, perdendo para Rio de Janeiro (1.138) e Bahia (1.261). Em relação à taxa por 100 mil habitantes, Pernambuco fica em 4º lugar. Na liderança estão Alagoas (3º), Bahia (2º) e Rio Grande do Norte (1º).

Esses dados são atualizados mensalmente pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública.

DESAFIOS NA SEGURANÇA EM PERNAMBUCO

Armando Nascimento pontuou alguns dos desafios estruturais em Pernambuco na área da segurança pública. Um deles é a interiorização das facções criminosas.

"A dinâmica do crime mudou. O avanço de grupos organizados para o interior do Estado cria uma percepção de 'perda de controle', que gera medo, independentemente do volume de recursos alocados", disse.

"Além disso, quando há investimento pesado em repressão, muitas vezes ocorre o efeito 'balão': o crime migra de uma área para outra, mantendo a média de medo alta na população geral", complementou.

O pesquisador reforçou que apenas a polícia não vai solucionar o problema da criminalidade e reduzir os números da violência.

"Note que 'Desemprego', 'Educação' e 'Pobreza' também pontuam na pesquisa. A segurança pública é uma política transversal. Sem investimento pesado em áreas sociais nas comunidades vulneráveis, a polícia acaba apenas 'enxugando gelo'. É imperativo que o governo estadual convoque os municípios a assumirem um papel de protagonismo", finalizou.

  

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