Padre Ibiapina passou por aqui em 1871 e a Fazenda São Gonçalo começou a se desenvolver


Uma capela, um cemitério e uma ideia que transformou uma fazenda em vila, depois em município. Araripina através de um processo religioso, um povo obediente a Deus, a uma fé, começa a mudar aquele pacato e singelo lugar para depois de muitos anos, apesar ainda de muitos desafios que precisa enfrentar, criar uma das circunscrições mais desenvolvidas do Sertão de Pernambuco, e mais importante do Sertão do Araripe.

Araripina precisa ainda mais de um salto promissor, voos altos, credibilidade cada dia em evidência e gestões que pensem nela não como um arrimo para enriquecimento rápido e imoral, mas com vantagens que podem mover a vontade empreendedora do seu povo.

No mês maio de 1871, por ali passava o Pe. Ibiapina, procedente do Piauí, onde, em Picos, construíra uma igreja e um cemitério. O Pe. Ibiapina se destinava aos sertões de Pernambuco. Resolveu edificar na Fazenda São Gonçalo uma capela e um cemitério. A capela foi inaugurada provavelmente no dia 08 de dezembro daquele ano, pois lhe foi dado o patrocínio de Nossa Senhora da Conceição, que ainda hoje é a padroeira da Paróquia.

A construção das casas nas cercanias da capela deu lugar ao surgimento do povoado e para lá acorriam pessoas e famílias das mais diversas providências. O Pe. Francisco Pedro da Silva, de Ouricuri, duas ou três vezes por ano, vinha celebrar missa na capela e administrar os sacramentos, acontecimento sempre muito concorrido. No ano de 1882, ali era batizado Procópio José Modesto, 11º filho do Cel. Victor José Modesto, morador na Fazenda Alagoinha, nas proximidades do Povoado.

Ao redor da Fazenda São Gonçalo, a esse tempo já muito habitada, existiam outras fazendas e sítios, mas foi São Gonçalo a que mais prosperou. A Fazenda Morais, de grande extensão, era ocupada por mais de cinco dezenas de possuidores; a Olho D’Água era a mais populosa, mais de cem pessoas habitavam suas terras; nas proximidades da atual Rancharia, ficavam as Fazendas dos Gregórios e Alegre; Alto Alegre e Mulungu, nas proximidades de Lagoa do Barro; as Fazendas Conceição, Flamengo, Santa Cruz e São Pedro se extremavam com as terras da Fazenda São Gonçalo.

Muitos outros sítios menores integravam a Fazenda São Gonçalo. Nazaré, que pertenceu a José Rodrigues Nogueira, José Capitão, descendente de Daniel Rodrigues; ao atual Zé Martins, que foi de Raimundo Bom e de José Martins de Alencar, este proprietário das terras de Sahuém; São Francisco, de Valdevino Cesar; Boca da Mara, Bolandeira e Lambedor, que pertenceram a José Pedro da Silva; Cavalete, de Francisco do Carmo, Torre, de Umbelino Gomes; Canastra, de Leopoldo Cirilo; Jardim, de Adrião Claro; Massapê, da Família de Fausto França e de José Mariano; Gameleira, de Antonio Lacerda Paixão; Caldeirão, adquirida por João Jacó; Iracema, de Francisco Pedro da Rocha; Baixio, de Antônio e Honório Martins; São Paulo, da família de Ângelo Dias; Altamira, de Euclides Benício; Inácio, de Faustino e João Guardião; Minador, da Família Coelho; Saúna, de José Marins e Antônio Praxedes; Alagoinha, da família de Vítor José Modesto e de Alexandre Arraes; Ventania, de Pedro Barros; Patos, de João Gonçalves; Campina, de Abílio José Modesto; Caroá e Teju, dos filhos de Vítor Modesto e outros.

No último decênio do século passado, por causa da construção da capela, a migração para a Fazenda São Gonçalo foi muito grande e já era um povoado de umas vintes e poucas casas, com uma população de aproximadamente 300 pessoas.


  











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