Os
números da pesquisa Genial/Quaest são inclementes para Flávio: o candidato de
Bolsonaro está comendo ainda mais poeira atrás de Lula
Mario
Sabino
Carla Sena/ Arte Metrópoles
Flávio
Bolsonaro é cabra marcado para perder; será preciso que ocorra uma hecatombe na
campanha de Lula para que o filho de Jair reverta o jogo e
consiga vencer a eleição presidencial.
A
menos de três meses do primeiro turno, os números da pesquisa Genial/Quaest são
inclementes para Flávio: o candidato bolsonarista está comendo ainda mais
poeira atrás de Lula.
No
segundo turno, o chefão petista ampliou a sua vantagem em relação à pesquisa
anterior e está 8 pontos percentuais à frente de Flávio (45% a 37% das
intenções de voto).
Dado
eloquente, na direita não bolsonarista, a intenção de voto no filho de Jair
despencou de 82% para 74%.
Em
condições normais, um candidato com taxa de 50% de rejeição, como Lula tem
agora, jamais seria eleito. Mas 57% dos eleitores repudiam Flávio, um aumento
de 5 pontos percentuais em relação a abril. No mesmo período, o chefão petista
viu a sua rejeição encolher os mesmos 5 pontos.
A
disputa é sobre quem é alvo de menos repulsa, outra conquista da pujante
democracia brasileira.
Tarifas
americanas, Dark Horse, Michelle: o filho de Jair vem sendo sucessivamente
abalroado pelas suas imensas qualidades, bem como por aquelas da sua família.
Jacques
Wagner: prejudica Lula, mas não a ponto de fazer diferença até o momento.
Os brasileiros se resignaram à corrupção petista.
Como
não poderia deixar de ser, em um país de gente endividada, o programa Desenrola
2.0 deu um empurrão em Lula. De acordo com pesquisa, para 35% dos
entrevistados, ajudou a aumentar a renda.
Clássico
nacional, ninguém parece se dar conta de que a causa do endividamento é,
principalmente, o próprio governo com seus gastos pantagruélicos.
Lula
usa e abusa do populismo e da máquina federal para ser reeleito. O dado
impressionante é que Jair Bolsonaro, no poder, não tenha conseguido manter-se
nele usando receita idêntica. É que uma saraivada de tiros foi disparada no
próprio pé.
A
estridência bolsonarista, a irresponsabilidade criminosa durante a pandemia, um
monte de gente louca falando e fazendo enormidades: como mostra a
Genial/Qaest, os eleitores têm mais medo da volta disso tudo do que da
permanência de Lula e da sua alcateia no Planalto.
Ao apropriar-se indevidamente da direita brasileira, fazendo terra arrasada de boas opções e contando com a miopia do indistinto público para enxergar as ainda disponíveis, a família Bolsonaro nos condena a ter mais quatro anos de PT.

