Por Maria Angélica P. de O. Bouzada
As fotonovelas foram um fenômeno de vendas no Brasil nas décadas de 1960 e
1970. Narrativas ilustradas em forma de quadrinhos, elas foram basicamente as
sucessoras dos folhetins, romances que eram publicados nos rodapés de jornais
desde o século XIX, quase sempre com temas amorosos, fantásticos e dramáticos,
muitas vezes voltados para o público feminino. Com o crescente interesse
popular por imagens, essas histórias passaram a ser desenvolvidas em sequências
de imagens ilustradas. Com a fotografia, o gênero foi reinventado e surgiu a
fotonovela.
As revistas de fotonovelas surgiram na Itália na década de 1940, época de
popularização do cinema. As revistas publicavam adaptações de filmes para
os quadrinhos, utilizando sequências de fotografias de filmes famosos e levando
as histórias e os atores para suas páginas, mais acessíveis ao público. Logo os
fotogramas de filmes foram substituídos pela criação de histórias próprias e
originais.
No Brasil, foram um enorme sucesso por aproximadamente 25 anos, criando um
público cativo. Entre 1949 e 1980, cerca de trinta títulos de revistas de
fotonovelas foram publicados no país, chegando a tiragens de 400 mil exemplares
por edição semanal. Algumas das mais famosas como a Grande
Hotel, Sétimo Céu e Capricho. O gênero fazia tanto sucesso no país que Capricho chegou
a ser a revista mais vendida da América Latina na década de 50.
Na revista Grande Hotel nº 210, de 1951 podemos observar a
transição das histórias com retratos ilustrados, “fotos-desenhos”, para a
utilização de fotografias. “O Primeiro amor não morre” foi a primeira
fotonovela com fotos publicada na revista e, no mesmo número, na página anterior,
é possível ver “A Doce missão”, ainda no antigo modelo, desenhado.
No início, estas revistas apenas traduziam as fotonovelas produzidas na Itália,
mas a partir dos 1960, começaram a ser produzidas também no Brasil fotonovelas
nacionais, com atores, roteiros e temas brasileiros. A revista Sétimo
Céu, da Editora Bloch, foi a pioneira. Das histórias, participavam artistas
famosos, como Vera Fischer, Carlos Imperial, Jerry Adriani e Agnaldo Rayol. Na
edição nº 138 da Sétimo Céu, publicada em setembro de 1967, os cantores Erasmo
Carlos e Wanderlea estrelaram a fotonovela “E agora, Maninha”.
Por volta de 1980, as fotonovelas entraram em declínio, com diminuição do
interesse do público principalmente por conta da popularização da televisão e
das telenovelas, que passaram a ser o centro das atenções do grande público.
Muitas publicações originalmente de fotonovela, como a Contigo e a Capricho,
conseguiram se reinventar e, abordando assuntos mais diversos, ainda
continuaram a ser publicadas por décadas, adentrando o século XXI.


















