filmes
realizados em Afogados da Ingazeira entre 2023 e 2025 ocupam a tela do cinema
com histórias que resgatam memória, personagens e histórias do sertão; entrada
gratuita
Cartaz oficial e programa da mostra. Os filmes realizados em Afogados foram financiados pela LPG do município. Créditos: redes sociais.
É
tempo de audiovisual pajeuzeiro no Cine São Luiz: neste domingo, 19/7, a partir
das 16h, o cinema recebe a mostra “Olhares Afogadenses”, que reúne cinco curtas
metragens realizadas em Afogados da Ingazeira, Sertão do Pajeú, todos
financiados pela Lei Paulo Gustavo do Município. “Para nós que fazemos cinema
no interior, essa é uma importante janela de exibição das nossas produções”,
reflete o produtor e jornalista Leonardo Lemos, criador da mostra.
“Olhares
Afogadenses” nasceu em abril de 2025. Criado para ocupar gratuitamente o Cine
São José, emblemático cinema de rua em pleno funcionamento no Sertão do Pajeú,
e levar a população de Afogados da Ingazeira a se ver na tela a partir dos
filmes financiados pelo município através da Lei Paulo Gustavo. Na ocasião, o
cinema foi aberto exclusivamente para exibição dos filmes Afogadenses.
Cerca
de um ano depois, a mostra chega a novas cidades, estreando em Recife: “Ocupar
o Cinema São Luiz era um sonho, e que bom que o templo do cinema pernambucano
está aberto ao audiovisual do interior, isso é fundamental para nosso
desenvolvimento enquanto realizadores”, destaca Leonardo.
Para
a exibição do dia 19/7, foi criado o programa “Um audiovisual para a Salvação”
(65’), com os filmes: “Aquilo que a Memória Amou” (18’), de Silmara Marques; “A
Ponte” (10’), de Richard Soares, “Casinha de Mureta (17’)”, de Leonardo Lemos,
“Cicatriz” (10’), de Luccio Vinicius e “Salam” (9’), de Bruna Tavares.
Classificação indicativa Livre.
O “Um audiovisual para a Salvação” é uma metáfora com a logo da mostra: a silhueta do prédio do Cine São José, que parece uma escadaria rumo ao céu. “Queria que o público entendesse como é vitorioso cinemas históricos que não viraram igrejas; e ao mesmo tempo, o quanto o audiovisual pode ser esse lugar de cura e salvação da alma”, filosofa Leonardo.
Do
São Luiz, a mostra segue para o Festival Pernambuco Meu País Caruaru, dia
29/8 (sábado), quando o evento ocupará a ETE Nelson Barbalho a partir das 15h.
Depois, deve visitar Floresta, Serra Talhada, Triunfo e Petrolina até o fim do
ano.
CINEMA
PLURAL
“Lutar
por espaços de exibição de nossos filmes é fundamental, porque tal qual
Pernambuco é a Meca do cinema, Afogados também é uma referência, apesar do
pouco fomento público. De lá saíram filmes como o curta “Lilith”, de Nayane
Nayse,e o longa “O Bem Virá”, de Uilma Queiroz, obras premiadas que, de alguma
maneira, nos inspiraram e, inclusive, nos profissionalizaram. Não à toa nossos
filmes, como “Salam” ou “Casinha” também acumulam prêmios. Isso é reflexo de
nossa vocação, mas, também, nossa originalidade para o cinema”, destaca
Leonardo.
A
mostra de cinema “Olhares Afogadenses” ocorre no Cine São Luiz a partir das
16h, de graça, com ingressos liberados 1h antes. Após as exibições, haverá
debate. Outras informações pelo instagram @cinemasaoluizpe ou pelo fone 81
99745 8340.
A
seguir a sinopse dos filmes
“Um
audiovisual para a Salvação” (65’)
Afogados
da Ingazeira e Recife têm como elo o Cine São José e o Cine São Luiz, duas
jóias arquitetônicas que resistem aos percalços da modernidade e não viraram
igreja, apesar de ainda serem templo para almas inquietas que buscam no
audiovisual algum alento e salvação. Do sertão profético ao litoral profano, a
Mostra Olhares Afogadenses abre nossos olhos com filmes de memória, lugar no
mundo, especulação imobiliária, denúncia e fé. Abram os poros e os ouvidos para
o que tem a dizer o que há de melhor no audiovisual do interior.
“Aquilo
que a Memória Amou” (18’), de Silmara Marques
Lembranças
sobre as Escolas Radiofônicas e como a Ditadura Militar proibiu a alfabetização
de adultos no Pajeú
“A
Ponte” (10’), de Richard Soares
O
trânsito diário entre concreto armado e o leito de um rio
“Cicatriz”
(10’), de Luccio Vinicius
Após
a enchente que atingiu Afogados da Ingazeira durante a pandemia, surge
Cicatriz, marca de um racismo ambiental e o descaso com as periferias
“Salam”
(9’), de Bruna Tavares
Uma
jovem tem seu encontro de fé no sertão de Pernambuco
“Casinha
de Mureta (17’)”, de Leonardo Lemos
A partir da reflexão sobre preservação histórica e direito à cidade, o filme passeia pela saudade, raiva e nostalgia

