Última foto antes do defeso reúne três candidatos ao Senado. Faltou um

Presença conta. Eduardo da Fonte tem a ata. Os outros três têm a foto. Nas próximas semanas, a governadora vai dizer qual das duas coisas vale mais.

Por Igor Maciel


Raquel Lyra encerra agenda de atos públicos com pacote de R$ 2,6 bilhões em obras e agradecimento à base aliada - Foto: Hesíodo Góes/Secom

O Palácio do Campo das Princesas viveu na sexta-feira (3) a última fotografia institucional com entregas do governo antes do chamado "defeso eleitoral". Dezenas de obras foram anunciadas de uma só vez, em um ato que encerrou a maratona de entregas das últimas semanas, quando a governadora Raquel Lyra (PSD) passou a correr contra o calendário do TSE. Desde o sábado (4), pré-candidatos estão proibidos de participar de inaugurações e atos administrativos com potencial de promoção institucional. O evento, portanto, tinha valor duplo. Fechava o ciclo de gestão e abria, na prática, a temporada de escolhas políticas. Aí, a plateia chamou a atenção. Uma ausência, principalmente.

Entre os espectadores, três dos quatro pré-candidatos ao Senado do campo governista marcaram presença. Miguel Coelho (União Brasil), Túlio Gadêlha (PSD) e Fernando Dueire (PSD) entenderam o recado do cerimonial. Aquele palco funcionava como um casting informal para a chapa majoritária. A quarta cadeira ficou vazia. Eduardo da Fonte (PP), justamente o nome que se apresenta como "candidatura mais certa", não apareceu.

Ausência

O paradoxo é evidente. Da Fonte é o pré-candidato com a credencial partidária mais formalizada do bloco. Seu nome passou por votação interna na Executiva Estadual da Federação União Progressista, deliberação que seus aliados consideram válida e definitiva. A validação, porém, é contestada dentro da própria casa. Miguel Coelho e Fernando Filho (União Brasil) se abstiveram na reunião, e o ex-prefeito de Petrolina repete a quem quiser ouvir que quem monta a chapa é o governador, não o partido.

Bastidores ouvidos pela coluna Cena Política indicam que a ausência de sexta-feira não foi exceção. O deputado não é visto com frequência nos eventos ao lado da governadora, e a repetição do gesto incomoda o entorno do Palácio. Em um jogo no qual quatro nomes disputam duas vagas, cada cadeira vazia é contabilizada pelos aliados. E o evento de sexta é mais revelador porque não era um compromisso qualquer, era o encerramento de um ciclo que a governadora fez questão de transformar em vitrine.

E é uma vitrine que os candidatos ao Senado, inclusive, serão incentivados a usar durante a campanha.

Palanque

Da Fonte não sumiu do mapa, pelo contrário. Na quarta-feira (1º), participou de eventos políticos em Ipojuca e em Macaparana. O deputado escolheu vitrine própria enquanto a governadora percorria o estado.

O movimento admite duas leituras. A primeira aponta demonstração de força territorial autônoma, o recado de quem não depende de palanque alheio. A segunda traz desconforto com uma chapa que ainda não o abraçou. O histórico recente pesa para a segunda hipótese. Em abril, quando circularam rumores de tensão entre Raquel Lyra e Eduardo da Fonte, coube a Lula da Fonte representar o PP nos eventos do governo, garantindo em público que o partido estaria com a governadora. O titular da pré-candidatura, mesmo então, preferia se preservar.

Calendário

A matemática aperta. As convenções partidárias ocorrem no início de agosto, e o campo governista chega a elas com quatro postulantes para duas vagas. Do outro lado, a Frente Popular já resolveu sua equação, com Humberto Costa (PT) e Marília Arraes (PDT) confirmados na chapa de João Campos (PSB). A assimetria aumenta a pressão por definição mais rápida.

Com o defeso, a régua muda. Acabou a fase em que os pré-candidatos podiam se exibir ao lado das entregas do governo. Começa a fase em que Raquel Lyra terá de escolher, e escolher significa frustrar ao menos dois aliados. A presença de Túlio Gadêlha ao lado de Dueire na sexta lembra que o PSD tem dois nomes de casa na disputa, o que reduz o espaço da Federação. Se a governadora contemplar apenas um nome do bloco formado por PP e União Brasil, a disputa entre Miguel Coelho e Eduardo da Fonte vira eliminatória direta.

Nesse mata-mata, presença conta. Da Fonte tem a ata. Os outros três têm a foto. Nas próximas semanas, a governadora vai dizer qual das duas coisas vale mais. 

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