Anchieta demitiu Marcos Vinicius Araújo e outras duas técnicas após apuração interna, em 2025. Semanas depois, quando trio foi preso, técnico de enfermagem já estava empregado.
Por Marcella Rodrigues, g1 DF
Três técnicos de enfermagem suspeitos de matarem pacientes internados na UTI do Hospital Anchieta — Foto: TV Globo/Reprodução
O técnico de enfermagem suspeito de matar três pacientes no Hospital Anchieta, no Distrito Federal, chegou a trabalhar em uma UTI pediátrica de outra instituição após o crime, segundo a Polícia Civil.
Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, de 24 anos, foi demitido ainda durante a investigação interna do hospital Anchieta, antes da operação policial. A direção do centro médico suspeitou das circunstâncias das três mortes, entre 17 de novembro e 1º de dezembro.
O caso chegou à Polícia Civil e, no último dia 11, Marcos Vinícius e outras duas técnicas de enfermagem que teriam auxiliado nos crimes foram presos. Segundo a polícia, ele já tinha encontrado um novo emprego na UTI infantil.
"A investigação continua. Vamos investigar se existem outras vítimas naquele hospital [Anchieta]", disse o delegado Wisllei Salomão.
O delegado disse que Marcos Vinícius Araújo atuou no Anchieta por cerca de um ano – ao todo, ele acumula cinco anos de trabalho na área da saúde.
Além do técnico de enfermagem, são suspeitas também:
👉Amanda Rodrigues de Sousa, de 28 anos;
👉Marcela Camilly Alves da Silva, de 22 anos.
Como suspeitos agiram
Para cometer os crimes, Marcos Vinícius usou o login de médicos do hospital para prescrever um medicamento.
Ele buscou o medicamento, preparou e escondeu em seu jaleco. Depois, aplicou de forma irregular no sangue das vítimas, o que causou a morte delas. Duas mortes foram no dia 17 de novembro e uma em 1° de dezembro.
Segundo a Polícia Civil, as técnicas de enfermagem teriam acobertado o crime. Imagens de câmeras de segurança do hospital mostram que elas vigiaram portas para que o técnico aplicasse o medicamento de forma irregular.
💣"Elas não interviram e não fizeram nada", disse o delegado Wisllei sobre as técnicas.
O técnico ainda fez massagem cardíaca nos pacientes pra disfarçar a autoria do crime e fingir que tentava salvar suas vidas. Em uma das três vítimas, de 75 anos, o técnico também aplicou desinfetante dezenas de vezes em seu sangue.
As vítimas são:
- a professora aposentada Miranilde Pereira da Silva, 75 anos, de Taguatinga;
- o servidor público João Clemente Pereira, 63 anos, do Riacho Fundo I;
- o servidor público Marcos Raymundo Fernandes Moreira, 33 anos, de Brazlândia.
Homicídio qualificado
Veja os crimes pelos quais os suspeitos são investigados, segundo a Polícia Civil:
- Pela morte de Miranilde Pereira da Silva, os três suspeitos respondem por homicídio qualificado.
- Pela morte de João Clemente Pereira, o técnico e uma técnica respondem por homicídio qualificado.
- Pela morte de Marcos Raymundo Fernandes Moreira, o técnico e a outra técnica respondem por homicídio qualificado.
🔎 Homicídio qualificado: é o crime de matar alguém com circunstâncias agravantes, como motivo torpe, crueldade ou emboscada.
Prisões
De acordo com a Polícia Civil, as prisões dos ex-técnicos de enfermagem aconteceram no último dia 11. Na ocasião, os agentes também cumpriram três mandados de busca e apreensão em Taguatinga, Brazlândia e Águas Lindas de Goiás.
A segunda fase da mesma operação foi deflagrada na última quinta-feira (15), quando foram apreendidos dispositivos eletrônicos em Ceilândia e Samambaia.
A Polícia Civil ainda apura se existem outros casos no Hospital Anchieta e em outras unidades de saúde onde o homem de 24 anos atuou.




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