NOTÍCIAS

10/recent/ticker-posts

ANIMAÇÃO ARARIPINA

A Veja (infelizmente) tem razão sobre Virgínia

O choque é maior porque na mesma semana em que a Veja eleva Virginia, celebramos Tatiana Coelho de Sampaio, a mente por trás da polilaminina, uma descoberta com reconhecimento mundial que permite a regeneração de neurônios. Uma brasileira que faz tetraplégicos voltarem a andar.




Fotomontagem

A internet brasileira entrou em polvorosa. O motivo? Uma nota na coluna Gente, da revista Veja, afirma que não existe mulher tão “relevante” no Brasil atual quanto Virgínia Fonseca. O massacre digital foi imediato. Mas o problema, o grande problema, o imenso problema e a nossa tragédia é que provavelmente a Veja está certa.

O choque é maior porque na mesma semana celebramos Tatiana Coelho de Sampaio, bióloga e professora da UFRJ. O contraste beira o trágico. Tatiana é a mente por trás da polilaminina, uma descoberta com reconhecimento mundial que permite a regeneração de neurônios. Estamos falando de uma brasileira que faz tetraplégicos voltarem a andar.

Mas Virginia tem 54 milhões de seguidores só no instagram. Seu “império” não é feito de ciência, mas de exposição absoluta, contratos milionários com plataformas de apostas (as polêmicas bets) e uma vida ostentada em tempo real. Enquanto Tatiana cura medulas, Virgínia vende o vício que endivida famílias.

Mas não nos deixemos enganar. Ela é o sintoma, não a causa. Provavelmente muitos pais e mães educam hoje seus filhos esperando que eles sejam mais Virginia do que Tatiana.

Digite Virginia no Google. Só Virginia. A reposta imediata será um monte de informações sobre quem? Viginia Woolf? Viginia Bicudo? Virginia Hall? E tantas outras Virginias notáveis sequer são citadas. Virginia Fonseca reina absoluta.

Se hoje digitamos “Virgínia”, o Google nos entrega o jatinho, a polêmica da base e o namoro com Vini Jr., ignorando completamente o legado literário de Virginia Woolf (veja a história da escritora clicando no link abaixo. Mas só se for interessante, se não for, vai lá nas redes sociais de Vígirnia Fonseca mesmo.) , só para citar um exemplo. “Isso acontece porque o algoritmo é alimentado por cliques e volume. Woolf não gera “stories” diários, não vende perfumes em lives de 13 horas e não ostenta bolsas de R$ 500 mil”. Quem me contou foi o próprio Google, quando perguntei as razões da preferência por Virgínia Fonseca.


A “relevância” foi sequestrada pela presença constante. No mundo digital, “ser” é “estar postando”.

Quando vi a polêmica nas redes fui procurar saber quem era Virginia. Então lembrei. Não é a primeira vez que topo com a moça. No ano passado. na mesma semana em que vi a polêmica nas redes de sua bolsa de meio milhão de reais, li a lista do ministro Haddad com a relacao dos que receberam benefícios fiscais. Ela estava lá, beneficiada pelo PERSE. O Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos, instituído pela Lei nº 14.148/2021, um benefício fiscal brasileiro voltado a empresas de eventos e turismo afetadas pela pandemia da COVID-19. Ele reduziu a 0% as alíquotas de tributos federais (IRPJ, CSLL, PIS, COFINS) por 60 meses.

Não é a revista que está errada, é a nossa régua de valores.

Por Canal My News


Adendo nosso:

E como tapa de luva na cara dos brasileiros que não cultuam a ignorância como a "maioria", pasmem!!! Virgínia Fonseca foi a mais lida (do G1), a mais comentada, a mais clicada e provavelmente aumentou a legião formada pela massa ignara.

Com se não bastasse o desserviço da Globo com um programa medíocre e o êxtase final do que a televisão poderia mostrar de mais esdrúxulo como Big Brother, agora ela impulsiona e induz os seus "leitores" a cultivar esse tipo de excentricidade que com toda certeza não representa a inteligência feminina e as mulheres do Brasil.

Postar um comentário

0 Comentários

Ad Code

Responsive Advertisement