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ANIMAÇÃO ARARIPINA

Quem são as vítimas da chuva em Juiz de Fora

Temporal deixou mortos, desaparecidos e desabrigados; cidade decretou estado de calamidade pública.

Por Luiza Sudré, Carol Delgado, g1 Zona da Mata — Juiz de Fora


Vítimas da chuva em Juiz de Fora — Foto: Redes Sociais/Reprodução/@sportonrio

Um estudante e uma professora estão entre os mortos devido à forte chuva que atingiu Juiz de Fora na segunda-feira (23). A cidade decretou estado de calamidade pública.

Quem são as vítimas?
  • Estudante Bernardo Lopes Dutra, do 7º ano do Colégio de Aplicação João XXIII, da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)
  • Carla Teixeira, profissional de educação do Centro de Educação a Distância (Cead/UFJF)
  • Arminda de Fátima Soa, 63 anos, moradora do bairro Esplanada
  • Maitê Cedlia Pereira Fernandes, de 5 anos, aluna da Escola Municipal Vereador Raymundo Hargreaves
  • Arthur Rafael de Oliveira Machado, aluno da Escola Municipal Vereador Raymundo Hargreaves
  • Miguel Carlos da Silva Machado, aluno da Escola Municipal Vereador Raymundo Hargreaves
  • Rosimeire do Carmo de Oliveira Souza, da Escola Municipal Vereador Raymundo Hargreaves
  • Kaleb Marques Reis dos Santos, aluno da Escola Municipal Batista Oliveira
  • Ramom Rafael Araújo de Almeida, aluno da Escola Municipal Batista Oliveira
  • Neuza Mageste, moradora do bairro de Lourdes
  • Deogracia Aurélia Fernandes, contratada do Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DEMLURB)

Médicos legistas vieram de Belo Horizonte para ajudar na identificação dos corpos.

O Cemitério Municipal informou que nove sepultamentos de vítimas das chuvas estão agendados para esta quarta-feira (25), em Juiz de Fora.

Notas de pesar


Em nota, a UFJF e o Cead lamentaram as mortes ocorridas na cidade.


Nota de pesar da Universidade Federal de Juiz de Fora — Foto: Redes Sociais/Reprodução

A Escola Municipal Vereador Raymundo Hargreaves lamentou a morte dos alunos Maitê Cedlia Pereira Fernandes, Arthur Rafael de Oliveira Machado, Miguel Carlos da Silva Machado e Rosimeire do Carmo de Oliveira Souza.


Nota de pesar da Escola Municipal Vereador Raymundo Hargreaves — Foto: Redes Sociais/Reprodução

Nas redes sociais, a Escola Batista Oliveira comunicou o falecimento de dois alunos, Kaleb Marques Reis dos Santos e Ramom Rafael Araújo de Almeida.

Nas redes sociais, a Escola Batista Oliveira comuniciou o falecimento de dois alunos — Foto: Redes Sociais

O Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Juiz de Fora (Sinserpu-JS) divulgou nas redes sociais uma nota de pesar pelo falecimento de Deogracia Aurélia Fernandes, contratada do Departamento Municipal de Limpeza Urbana (Demlurb).


SINSERPU-JF divulgou nota de pesar pelo falecimento de Deogracia Aurélia Fernandes — Foto: Redes Sociais

Por que a chuva foi tão intensa em Juiz de Fora? Entenda o papel do relevo e do oceano quente

Especialistas explicam como o relevo montanhoso da cidade, o oceano mais quente e uma frente fria fraca criaram o cenário para o temporal que provocou mortes e deslizamentos.

Por Poliana Casemiro, g1


Chuvas deixam mortos em Juiz de Fora — Foto: Departamento dos Bombeiros de MG/ via AFP

A geografia de Juiz de Fora ajudou a intensificar a chuva que já deixou mais de 20 mortos e dezenas de desaparecidos na cidade e em Ubá, a pouco mais de 100 km de distância. Segundo especialistas ouvidos pelo g1, o relevo acidentado da Zona da Mata funcionou como um “gatilho local”, potencializando um cenário atmosférico já favorável a temporais de verão.

Grande parte de Juiz de Fora é formada por morros e serras, com altitudes que variam de cerca de 470 metros a quase 1.000 metros. A cidade está situada em uma espécie de vale cercado por paredões naturais — uma configuração que favorece o confinamento de nuvens de chuva quando sistemas meteorológicos estão direcionados para a região.

Nesta segunda-feira (23), a cidade enfrentou um temporal que acumulou mais de 190 milímetros de chuva em oito horas. No mês, a cidade mineira já acumulou quase 600 mm. Toda essa chuva tem relação com uma série de fatores meteorológicos que atuam sobre todo o Sudeste, mas que ganharam força com o relevo local.

Como isso aconteceu?

Nos últimos dias, uma frente fria ficou estacionada no litoral do Sudeste. Essa frente, embora não fosse intensa, ajudou a canalizar um corredor de umidade vindo da Amazônia. Esse fluxo atravessou o Sudeste, passou por Minas Gerais e alimentou as nuvens sobre a região.

Ao mesmo tempo, o oceano na região está até 3 °C mais quente que a média, com temperaturas próximas de 29 °C. A água mais quente aumenta a evaporação e a quantidade de umidade disponível na atmosfera, funcionando como combustível para a formação de tempestades.


Chuvas deixam mortos em Juiz de Fora — Foto: Corpo de Bombeiros de MG/ via AFP

➡️ Esse ambiente é comparável a uma panela de água no fogo: quando a água ferve, a gente sabe que ela vai borbulhar, mas não exatamente onde surgirá a próxima bolha. Esse processo acontece também na atmosfera e é chamado de convecção.

Ao mesmo tempo, a entrada de ventos mais frios e úmidos vindos do oceano favoreceu o encontro entre ar quente e ar frio, intensificando a formação de nuvens do tipo cumulonimbus — associadas a temporais fortes. Elas podem se espalhar ou se concentrar no mesmo local, dependendo das condições do terreno.


Temporal em Juiz de Fora — Foto: Kayan Albertin/Arte g1

Nessa analogia, as bolhas são como as nuvens, que acabam surgindo mais carregadas em uma área do que em outra. Aqui é que entra a questão do relevo: em Juiz de Fora, os morros forçaram a subida do ar úmido, favoreceram a formação de nuvens mais carregadas e contribuíram para que o temporal permanecesse sobre a cidade por horas.

“A interação desse cenário de grande escala com o relevo na pequena escala faz com que, em algumas áreas, haja nuvens mais carregadas. Ou seja, o relevo acaba fazendo a chuva ser mais intensa e mais concentrada”, explica o meteorologista do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Giovani Dolif.

Esse fenômeno também ampliou a área atingida. Para se ter uma dimensão, em Mangaratiba, por exemplo, no Rio de Janeiro, no mesmo período a chuva acumulou mais de 200 milímetros, um volume maior que o de Juiz de Fora. No entanto, o impacto não foi o mesmo.

“Essa chuva foi generalizada, ela não ficou concentrada em uma área da cidade, e isso faz com que haja mais impactos. O que a gente percebe é que isso pode ter acontecido pela reação do cenário meteorológico com a própria cidade”, explica Pedro Camarinha, especialista em desastres e diretor do Cemaden.

Chuva se transformou em desastre por vulnerabilidade

Há ainda outro fator: a vulnerabilidade da cidade aos desastres. Quando a água caiu sobre encostas íngremes, desceu com rapidez, formando enxurradas e sobrecarregando a rede de drenagem. Em áreas ocupadas e com moradias em encostas, houve uma série de deslizamentos de terra que levaram às mortes.

E isso já era sabido: há cerca de um ano, em 26 de fevereiro de 2025, a então diretora do Cemaden, Regina Alvalá, alertou que 130 mil moradores de Juiz de Fora viviam em áreas de risco.

No ano anterior, em 2024, a cidade era a quarta no ranking nacional em ocorrências de risco geológico, como deslizamentos de terra.

Um levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que analisou as áreas de risco no país, mostrou que Juiz de Fora estava no 12º lugar no ranking nacional, com mais de 128 mil pessoas em áreas vulneráveis.

“A forma como a cidade é ocupada é uma questão-chave. Há moradores em encostas, em áreas de risco, e isso faz com que toda chuva seja um risco. Quando há um volume maior, vemos uma tragédia”, explica Giovani Dolif.

Risco segue nos próximos dias

De acordo com o Cemaden, o alerta extremo deve seguir sobre a cidade. Isso porque o solo já está muito encharcado e a chuva deve voltar com intensidade entre quinta-feira (26) e sexta-feira (27).

A cidade está em situação de calamidade pública e foi montado um esquema de acompanhamento para atender os atingidos e também fazer a proteção para os possíveis riscos dos próximos dias.

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