A guerra de versões sobre a morte cerebral de Sicário do Vorcaro

Sicário foi preso durante a Operação Compliance Zero, que apura crimes relacionados ao escândalo do Banco Master

Mirelle Pinheiro


Arte/Metrópoles

A prisão de Luiz Phillipi Mourão, apontado pela investigação como “sicário” ligado ao empresário Daniel Vorcaro, deu início a uma guerra de versões sobre o estado de saúde do investigado após uma tentativa de suicídio dentro da carceragem da Polícia Federal em Belo Horizonte.

Mourão, de 43 anos, foi preso durante a Operação Compliance Zero, que apura crimes relacionados ao escândalo do Banco Master.

Segundo a investigação, ele atuava como líder operacional de um núcleo responsável por intimidar e constranger adversários do banqueiro. Nos autos, é descrito como um matador de aluguel, apelidado pelos próprios comparsas de “Sicário”.

A tentativa de suicídio ocorreu na tarde de quarta-feira (4/3), enquanto Mourão aguardava audiência de custódia na sede da PF na capital mineira.

De acordo com a corporação, por volta das 15h30 ele retirou a própria camisa, de mangas longas, e a utilizou para se enforcar nas grades da cela.

Policiais perceberam a situação cerca de dez minutos depois e iniciaram manobras de reanimação. Procedimento que durou cerca de 30 minutos.

O atendimento foi realizado inicialmente por agentes do Grupo de Pronta Intervenção da PF e depois por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

O investigado foi levado em estado grave ao Hospital João XXIII, referência em trauma em Minas Gerais.

Informações contraditórias

Ao longo das horas seguintes, informações divergentes sobre o estado de saúde de Mourão passaram a ser dadas por instituições envolvidas no caso.

Na noite de quarta-feira, a Polícia Federal confirmou que médicos do hospital teriam constatado morte cerebral.

Minutos depois, porém, a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais divulgou nota afirmando que o paciente seguia internado em estado gravíssimo no CTI.

Nessa quinta-feira (5), a defesa apresentou uma terceira versão. Segundo o advogado Robson Lucas da Silva, Mourão permanece vivo e internado em estado grave, porém sem abertura do protocolo médico para confirmação de morte encefálica.

Investigação interna

A Polícia Federal abriu um inquérito para apurar as circunstâncias da tentativa de suicídio na custódia da corporação.

Segundo a PF, a cela onde Mourão estava preso é monitorada por câmeras e não possui pontos cegos.

As imagens teriam registrado toda a sequência do episódio e mostram que nenhum objeto além da própria camisa foi utilizado.

A PF informou ainda que as gravações serão encaminhadas ao Supremo Tribunal Federal, onde o caso é relatado pelo ministro André Mendonça.

Segundo a investigação, Mourão tinha um histórico ligado a atividades criminosas e coordenava um dos núcleos da organização suspeita de atuar em favor de interesses ligados ao Banco Master.

Os investigadores afirmam que ele recebia cerca de R$ 1 milhão por mês pelos serviços considerados ilícitos, que incluiriam ameaças e pressões contra adversários.

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais confirmou que Mourão já era réu em outro processo por participação em organização criminosa, crimes contra a economia popular e lavagem de dinheiro.

Registros da Secretaria de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais indicam que ele chegou a ficar preso por cinco dias em 2020.

Durante a operação que levou à prisão do investigado, a Polícia Rodoviária Federal também apreendeu um carro blindado ligado a ele na BR-381, no sul de Minas.

O veículo, avaliado em mais de R$ 700 mil, era conduzido por um casal que acabou preso por ordem do Supremo Tribunal Federal.

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