Influenciadores foram alvos da Polícia Civil nesta segunda-feira (27). Operação da Delegacia Especial de Repressão à Crimes Cibernéticos cumpre mandados de prisão e de busca e apreensão.
Por João Gabriel Leitão, Nalu Cardoso, Yara Ramalho, g1 RR — Boa Vista
Foram presos os influencers: Raniely Silva Carvalho, Gildázio Cardoso, Laís Ramos Gomes da Silva, Patrik Adhan, Amanda Lourenço Faria, Adrielly Vivianny Araújo de Jesus, Dione dos Santos (marido de Adrielly), e Vitória Reis da Silva — Foto: Reprodução/Instagram
Oito pessoas, sendo seis influenciadores digitais, foram presas nesta segunda-feira (27) em uma operação contra um esquema de crimes contra o consumidor e lavagem de dinheiro relacionado à divulgação do "jogo do tigrinho". A ação, deflagrada pela Polícia Civil de Roraima, apura movimentação de R$ 260 milhões em dois anos.
Além dos influenciadores, também foram alvos da operação empresários e uma esteticista. Ao todo, foram cumpridos 11 mandados de busca e apreensão, sequestro de bens móveis e imóveis e bloqueio de valores que podem chegar a R$ 68 milhões nas contas bancárias dos investigados.
Foram presos os influenciadores:
- Raniely Silva Carvalho - influenciadora conhecida como Raniely Carvalho, dona do perfil "Portal Raniely Carvalho" e de uma loja de conveniência;
- Gildázio Cardoso, de 25 anos - influenciador conhecido como Mulherzona (preso em Goiás);
- Laís Ramos Gomes da Silva - influenciadora conhecida como Laís Ramos;
- Patrik Adhan dos Santos Ribeiro, de 27 anos - influenciador conhecido Patrik Adhan;
- Amanda Lourenço Faria, de 28 anos - influenciadora conhecida como Amanda Faria e dona de uma loja de roupas;
- Adrielly Vivianny Araújo de Jesus, de 29 anos - influenciadora conhecida como Adrielly Araújo e dona de uma loja de roupas fitness;
- Dione dos Santos da Silva, de 37 anos - marido de Adrielly e atleta de levantamento de peso;
- Vitória Reis da Silva, de 26 anos.
Um dos investigados, o empresário Ruissian Ferreira Braga Ribeiro, de 28 anos, também foi preso por posse irregular de munição. Ele foi solto após pagar mais de R$ 48 mil de fiança.
O delegado Eduardo Patrício, da Delegacia Especial de Repressão aos Crimes Cibernéticos, disse que a operação é resultado de uma investigação que começou em setembro de 2024, e revelou um esquema estruturado, com forte atuação nas redes sociais.
De acordo com ele, os investigados utilizavam a visibilidade digital para divulgar plataformas do chamado “jogo do tigrinho”, atraindo seguidores com promessas enganosas de ganhos fáceis.
“As investigações demonstraram que havia uma atuação organizada, com uso estratégico das redes sociais para alcançar um grande número de vítimas. Trata-se de uma prática criminosa com elevado potencial de dano coletivo”, destacou.
A Polícia Civil também cumpriu mandados de busca e apreensão contra:
- Victoria Paixão Barros, de 26 aos - influencer conhecida como Vick Paixão, dona de uma loja de produtos de beleza;
- Juliana Lima do Nascimento, de 23 anos - esteticista;
- Ruissian Ferreira Braga Ribeiro, de 28 anos - empresário conhecido como Ruissian Braga e dono de lojas de vendas de carros;
- Ruissian Comércio de Veículos LTDA, empresa do Ruissian Braga.
Alvos de buscas e apreensão pela Polícia Civil: influencer Victoria Paixão Barros, empresário Ruissian Ferreira Braga Ribeiro e a esteticista Juliana Lima do Nascimento — Foto: Reprodução/Instagram
Em nota, a defesa da influenciadora Raniely Carvalho informou que é ela inocente e "nega veementemente qualquer envolvimento em práticas de lavagem de dinheiro, golpes financeiros ou estelionato."
"A influenciadora sempre pautou sua atuação profissional pela transparência e está à inteira disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários, confiando que a justiça competente reconhecerá a licitude de suas atividades", destacou nota assinada pelos advogados Elizângela Matos e Henrique Wagner.
Os advogados de Vitória Reis da Silva, divulgaram que tentam "acesso aos autos e alega cerceamento de defesa" e disseram que se manifestarão "somente após o conhecimento do inteiro teor da decisão judicial". Ela é representada pelos advogados criminalistas Carlos Vila Real e Edmarcos Gonçalves.
O g1 tenta contato com a defesa dos demais citados.
Os mandados de busca e apreensão foram expedidos pela juíza Daniela Schirato, titular da Vara de Entorpecentes e Organizações Criminosas, após manifestação favorável do Ministério Público de Roraima (MPRR).
Ela determinou que fossem apreendidos objetos e bens vinculados aos delitos praticados, como armas de fogo, celulares, notebooks, dispositivos eletrônicos e ópticos de armazenamento de dados, anotações em meios físicos e digitais.
Operação Mantus
A operação, batizada de Mantus, também apreendeu celulares, notebooks, dispositivos eletrônicos, documentos físicos e digitais, veículos de alto valor e bens de luxo, como joias e acessórios.
A ação ocorreu simultaneamente nos bairros Cidade Satélite, Caranã, Cambará, Aparecida, Buritis, Centro, Caçari, Jardim Floresta e Jardim Primavera, em Boa Vista. Segundo a Polícia Civil, foram montadas dez equipes policiais.
O nome da operação tem origem na mitologia etrusca, em que Mantus é associado ao mundo subterrâneo e às forças ocultas. A escolha do nome, segundo a polícia, faz referência à atuação do grupo investigado, que agia de forma dissimulada no ambiente digital, explorando jogos ilegais e ocultando a origem dos valores obtidos.
Influenciadores são alvos de operação por divulgar 'jogo do tigrinho' em Roraima. — Foto: Reprodução/Redes sociais





















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