Da
esquerda para direita: Jacob do Bandolim, Flávio Cavalcanti, Taiguara e
Sérgio Bittencourt (década de 60)
Nome
da Música: Naquela Mesa – Sérgio Bittencourt com Elizeth Cardoso
(1972) Nelson Gonçalves (1974)
Nome
e histórico do Compositor / Interprete
Sérgio
Freitas Bittencourt, nasceu no Rio de Janeiro em 1941 e morreu em 1979, com
apenas 38 anos. Foi um compositor e jornalista brasileiro.
Filho
de Jacob do Bandolim, foi criado em volta dos chorões e das rodas de
choro. Na escrita, seu estilo era duro e desaforado, mas era considerado
sentimentalista.
Então
antes vamos falar sobre o seu Pai, Jacob do Bandolim. Maior referência
brasileira no instrumento que virou parte de seu nome. Começou a tocar e se
apresentar muito cedo, porém nunca se profissionalizou! Sempre teve outros
empregos não relacionados à música. Foi vendedor, prático de farmácia, corretor
de seguros, comerciante e escrivão de polícia, cargo que ocupou até
morrer.
Ele
escreveu e gravou mais de 100 músicas.
Para
quem quiser conhecer um pouco mais deste grande músico Brasileiro, em 1997 a
professora Ermelinda Paz lançou o livro "Jacob do Bandolim", pela
editora Funarte.
Jacob
morreu em 1969, aos 51 anos, tendo sofrido um infarto cardíaco,
nos braços da esposa, quando voltava da casa de Pixinguinha.
Então
vamos apresentar o filho do Jacob do Bandolim, o jornalista Sérgio Bittencourt.
Famoso
pelo estilo polêmico. Não economizava críticas ácidas ao escrever sobre música
popular. Foi jurado musical nos programas de calouros de Flávio Cavalcanti.
Apesar das críticas ácidas, suas palavras ficavam doces ao falar sobre a
admiração e paixão que tinha pelo pai, Jacob do Bandolim. Apenas não conseguia
conviver com o pai, pois ambos tinham a mesma personalidade, o mesmo gênio.
Ele
nasceu hemofílico, doença que fazia questão de esconder! Em razão disso, foi
superprotegido pelos pais. Como consequência, forjou um caráter arrogante,
inseguro, e altamente polêmico. Não tinha meio-termo: ou as pessoas o amavam ou
o odiavam. Morreu em 1979, com apenas 38 anos de idade, vítima de um infarto
como o próprio pai.
Autor de mais de 30 músicas. Além de Naquela Mesa ele também é compositor da belíssima música Modinha, defendida e gravada por Taiguara, vencedora do Festival O Brasil Canta o Rio, em 1968.
Momento
da História:
Em 1972,
o Brasil comemorou os 150 anos da Proclamação da Independência, vivíamos o
regime militar, os chamados anos de chumbo! O General Emílio Garrastazu Médici
era o nosso presidente.
Nesta
época o Brasil vivia o seu grande momento, o chamado “Milagre Econômico”.
Surgiram grandes obras como a hidrelétrica de Itaipu, a rodovia Transamazônica,
a ponte Rio-Niterói e o metrô de São Paulo. Lembrando também que nesta época o
Brasil era o tricampeão da Copa do Mundo!
Histórico
da letra da Música:
Consta
que esta música foi composta pelo filho no dia da morte do pai em 1968, escrita
num guardanapo. Apenas isso seria suficiente para que essa música tivesse uma
história.
Em
1978, um ano antes de morrer, aos 38 anos, o jornalista declarou: “Tenho
certeza e assumo: não sou nada, porque, de fato, não preciso ser. Me basta ter
a certeza inabalável de que nasci do amor, da loucura, da irrealidade e da
lucidez de um gênio”.
É
inevitável: ouvir essa música e lembrar do seu pai, do seu avô, de alguém
querido que se foi. A música materializa a saudade numa mesa.
E na
verdade é quando se senta numa mesa, se possível acompanhado de uma boa bebida,
comida um café, que falamos da vida, conta-se causos, damos ou recebemos
conselhos, negociamos, acordamos, brindamos, momento que se fala a verdade e
ficamos tristes e choramos, ou então ficamos alegres e sorrimos!
Repare
como na primeira parte da música se faz referência nostálgica de tudo o que o
pai fazia na mesa, e na segunda parte, só resta a dor da saudade e da mesa
vazia.

