Transnordestina em Pernambuco precisa mirar conexão com Norte-Sul, mas primeiro definir o caminho pelo qual o trem chegará a Suape

Desafio de Raquel Lyra não é retomar primeiro trecho, mas definir o traçado da ferrovia até a entrada no porto de Suape que o TCU cobrou da Infra S.A.

Por Fernando Castilho / JC


Transnordestina em Pernambuco deve ter como estratpegia ser o destino ferrovia Norte-Sul no Maranhão. - Divulgação

Apesar de todo otimismo (justificado) da governadora Raquel Lyra, de que nas próximas semanas o presidente Lula da Silva assine junto com ela a ordem de serviço do trecho de 73 quilômetros entre Custódia e Arcoverde, no Agreste pernambucano é importante que ela tenha presente que a decisão dos ministros do Tribunal de Contas da União no acórdão que determinou que o Executivo se abstenha de assumir novos compromissos financeiros relacionados à retomada da construção do trecho ferroviário Salgueiro–Suape, não depende apenas de conseguir ou não um embargo da decisão.

Primeira batalha

Essa foi apenas a primeira ação de um processo que vai durar e que, aliás, vai exigir que ela e sua equipe debruçam na parte que nos cabe que definir o traçado da linha pela qual a ferrovia vai entrar no porto de Suape, aliás uma das cobranças do TCU além da realização de um estudo de viabilidade Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (Evtea) da futura concessão do trecho Salgueiro–Suape da conforme previsto no Novo PAC.

Embora, como disse Raquel Lyra, o Ministério dos Transportes tenha solicitado o embargo da decisão, para isso terá que apresentar informações robustas diante da investigação de um ano que as equipes do TCU fizeram e que resultou nas cobranças da decisão dos ministros expressa no acórdão.

Sem informações

Portanto, Ministro dos Transportes e Infra S.A., a empresa que está contratando do primeiro trecho a retomada não pode chegar com informações que já apresentou e que não foram levadas em consideração pelo ministro relator Jhonatan de Jesus.

Para ajudar nessa tarefa, a Sudene — que recebeu o estudo produzido pela consultoria Ceplan e pelo Observatório da Indústria, encomendado por Suape, só utilizou as informações contidas nele para uma nota técnica à Infra de modo a ajudar na contestação — é útil. Mas esse estudo não está nos autos do processo do TCU.


Ilha de Cocias de Suape reservada para terminal de minérios. - Divulgação

Aqui em casa

Porém, antes de falar em Brasília, a governadora precisa agir em Pernambuco e responder a questões essenciais relacionadas especificamente ao trecho D (SPS 8 e SPS 9), que necessitam de definições de traçado, como os últimos 10 km próximos à poligonal do Porto de Suape.

Essa é uma tarefa urgente porque, para os lotes 8 e 9, necessita-se de estudo de traçado atualizado em compatibilização com os trabalhos das áreas de meio ambiente e desapropriação para se iniciar o projeto básico que não foi apresentado à INFRA S.A.

Estratégico

Essa definição é que vai propiciar a execução das obras no trecho final, que dependem da atuação do governo de Pernambuco. Em português claro: Hoje, não se sabe o caminho pelo qual o trem vai chegar à Ilha de Cocaia, seu destino final.

E não será suficiente contra-argumentar que a decisão do TCU se baseou no estudo da Mackenzie utilizado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) para questionar a viabilidade econômica do trecho pernambucano da Transnordestina entre Salgueiro e o Porto de Suape.


Presidente da Infra S.A. na Fiepe em março de 2025. - Divulgaçao

Fazer o EVTEA

Por mais otimista que a governadora possa ser (e ela precisa ser) , um EVTEA terá que ser escrito sobre o trecho até para sustentar o discurso de que a Transnordestina só tem futuro se se conectar com a ferrovia Norte-Sul. E a maior prova disso é o estudo que ele mesmo determinou que fosse feito e pago por Suape.

Então, no limite, talvez fosse necessário que o próprio Estado de Pernambuco o encomendasse e acrescentasse ao escopo do trabalho a conexão da ferrovia com a Norte Sul.

Novo destino

E essa proposta já existe no Ministério dos Transportes, pela qual a Transnordestina seria prolongada de Eliseu Martins (PI) para Estreito, no Maranhão, passando por Balsas, hoje um grande polo do Matopiba.

Isso dará à governadora um discurso estratégico para dizer que a Transnordestina saindo de Suape mira um conceito estruturante regional e de importância nacional. Não é mais um trem que vai voltar do Piauí. O trem precisa seguir até a Norte Sul. E esse discurso é um bom tema para articular com o atual governador do Piauí e do Maranhão.

Dever de casa

Mas ela precisa fazer o seu dever de casa. E também convencer a nossa bancada no Congresso de que já em 2025 será preciso colocar dinheiro no OGU para a ferrovia além dos recursos do PAC. Ela não tem tido sucesso em levar os deputados a destinar verbas expressivas para projetos estruturadores para o estado, como fazem os demais governadores do Nordeste.

Felizmente, a ferrovia que tem capacidade de juntar os parlamentares pode ser um veículo de destino de verbas expressivas numa emenda de bancada com o discurso estratégico para Pernambuco. Mas isso será necessário já agora, quando da escrita do OGU de 2027, com o qual ele espera poder contar caso seja reeleito. 


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