No velho oeste americano, o saloon era o centro de tudo. Bar, cassino, palco,
correio de fofoca e segunda casa de cowboy, minerador e fora da lei. O primeiro
abriu em 1822, no estado de Wyoming, pra atender caçadores de pele, e quando
uma cidade nascia, o saloon costumava chegar antes da igreja. Em Fort Worth, no
Texas, os anos 1880 registravam 9 igrejas e mais de 60 saloons.
O cardápio era bruto. O uísque caseiro das primeiras casas misturava álcool
puro, açúcar queimado e fumo de mascar, e a cerveja descia quente, porque
refrigeração não existia. Nas mesas, os jogos que engoliam salários inteiros,
como o faro, flagrado na foto do Arizona. E conta-se que os fregueses criavam
calos nos cotovelos de tanto apoiar no balcão.
Tem história escondida em cada foto. O Long Branch ficava em Dodge City, a
cidade dos xerifes Wyatt Earp e Bat Masterson. O Crystal Palace de Tombstone, a
cidade do tiroteio do O.K. Corral, está aberto até hoje, você pode entrar e
pedir uma bebida no mesmo salão de 1885. E o The Northern, em Tonopah, foi
aberto em 1902 pelo próprio Wyatt Earp, dá pra ler o nome dele na placa, e a
mulher a cavalo na foto pode ser Josie, a esposa dele.
Detalhe que pouca gente sabe: mulher considerada respeitável não pisava num
saloon. As que cruzavam as portas vai-e-vem trabalhavam ali como dançarinas,
num mundo que era quase todo dos homens.
O fim veio de canseira. Em 1893 nasceu uma liga nacional contra os saloons, e a
Lei Seca de 1920 fechou as portas de vez. Sobraram o mito, os filmes e essas
fotos.
Fonte: @historiailtda











