Em
áreas de Pernambuco e do Ceará, propriedades registraram produtividades de até
152 sacas de milho e 69 sacas de soja por hectare
Por Patricia
Raposo / Folha de Pernambuco
Plantação de milho em Exu - Foto:divulgação
Uma
nova fronteira agrícola começa a despontar no sertão nordestino. Ela está
localizada na Chapada do Araripe, território compartilhado por Pernambuco,
Ceará e Piauí, que já vem alcançando índices de produtividade de milho e
soja superiores à média nacional, como mostrou reportagem da jornalista Mariana
Araujo publicada pelo portal Movimento Econômico.
Com
aproximadamente 1,036 milhão de hectares, a Chapada possui solos profundos,
relevo plano e boa capacidade de infiltração e retenção de água. A altitude
superior a 800 metros também contribui para temperaturas mais amenas,
especialmente durante a noite, favorecendo o desenvolvimento das lavouras. As
características da região são mais próximas das encontradas no Cerrado
brasileiro do que das observadas no semiárido tradicional.
Estudos realizados desde a década de 1990 já apontavam a viabilidade da
produção de soja e sorgo, mas foi somente nos últimos anos que a expansão
ganhou força, impulsionada pelo aumento dos preços dos grãos e pela busca de
empresas nordestinas por fornecedores mais próximos.
Um
dos principais estímulos vem da cadeia de proteína animal. Granjas e criadores
do Nordeste ainda dependem fortemente do milho e da soja transportados do
Centro-Oeste, do Matopiba e de Sergipe. Produzir no Araripe pode reduzir
distâncias, custos de frete e a exposição das empresas às oscilações
logísticas.
Em
áreas de Exu, em Pernambuco, e de Santana do Cariri, no Ceará,
propriedades registraram produtividades de até 152 sacas de milho e 69 sacas de
soja por hectare. Os resultados são atribuídos à combinação entre correção do
solo, agricultura de precisão, escolha adequada de sementes e condições
climáticas favoráveis.
A
localização também amplia a competitividade. A Chapada está próxima do polo
avícola pernambucano e poderá ganhar acesso mais eficiente aos portos
nordestinos com a conclusão da Ferrovia Transnordestina. Além de abastecer o
mercado regional, a nova infraestrutura poderá abrir possibilidades de
exportação.
O
Movimento Econômico mostrou quem tem crescido a busca por financiamento para
projetos agrícolas na região e que o valor das propriedades ainda é um
atrativo, com o hectare sendo negociado entre R$ 7 mil e R$ 10 mil, patamar
considerado competitivo em comparação com áreas agrícolas consolidadas.
As
características competitivas da Chapada do Araripe oferecem uma combinação que
já atrai agricultores de Goiás, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal e do
próprio Nordeste.
A
consolidação desse movimento, entretanto, dependerá de pesquisa, infraestrutura
e segurança ambiental. E Para Pernambuco tirar pleno proveito, de uma ferrovia.
Entre os principais obstáculos estão a demora no licenciamento, a
ausência de estudos mais abrangentes sobre os impactos da expansão agrícola e a
limitada disponibilidade de água para grandes projetos de irrigação.
Os
estados que a Chapada abrange, precisam olhar com atenção para o potencial
da região e, assim, derrubar essas barreiras, permitindo que o
Araripe possa, de fato, se tornar um importante polo agrícola.
Desafios
Apesar do potencial econômico, a expansão agrícola também levanta preocupações
sociais e ambientais. A valorização das terras na Chapada do Araripe aumenta a
pressão sobre agricultores familiares e comunidades locais. Especialistas
defendem que o crescimento dessa nova fronteira agrícola seja acompanhado por
inclusão social.
Floresta
do Araripe
A Floresta Nacional do Araripe-Apodi, também conhecida como Flona do
Araripe, é uma unidade de conservação federal localizada no topo da Chapada do
Araripe, no Ceará. Criada em 1946, foi a primeira Floresta Nacional instituída
no Brasil, com 38.262 hectares. A floresta exerce papel decisivo no equilíbrio
hídrico da região. Preservas essa floresta é preservar a recarga do Aquífero
Araripe, responsável por alimentar numerosas nascentes nas encostas da
Chapada.
Intermodal
A terceira edição da Multimodal Nordeste começou nesta terça-feira (4), no
Recife Expo Center, reunindo empresas, operadores e especialistas para discutir
os avanços tecnológicos e os principais gargalos da logística e do comércio
exterior. A feira segue até quinta-feira (6), com expectativa de receber cerca
de 9 mil visitantes e mais de 140 marcas expositoras.
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