HISTÓRIA DE ARARIPINA: NEM UM LÍDER POLÍTICO SE DESTACA EM SÃO GONÇALO

Estamos vivenciando atualmente uma corrida doida pela aproximação com as eleições de 2026. Serão disputados os cargos majoritários e os cargos proporcionais neste ano. Araripina tem vários destaques políticos influentes e que podem lograr êxito nas eleições deste ano, superando o nosso progenitor, que no início do século passado era quem dava as cartas no Sertão do Araripe e manobrava todo sistema político. Hoje em pleno século XXI – Araripina se destaca como cidade polo político e que avançou nesse tabuleiro, depois de superar os obstáculos que a impedia de  ser a carta principal no baralho da decisões políticas.


Nenhum fato político digno de nota ocorreu em São Gonçalo, nesse primeiro quartel do século. As principais figuras locais eram ligadas aos grupos políticos de Ouricuri, vindos, há mais de 50 anos, de lutas políticas, com atuação não só no Município, como também no Estado. O Pe. Francisco Pedro da Silva, ex-deputado provincial, era o chefe político de Ouricuri, com prestígio nacional. Tinha o título de Cavaleiro da Ordem de Cristo e de Comendador da Ordem da Rosa, outorgados pelo Imperador Pedro II. Seu Vigário formou escola e dela saíram os seus menos habilidosos sucessores Antônio Pedro da Silva e o Coronel Anísio Coelho. Mesmo assim, não lhe faltaram adversários e opositores. Honorato Marinho era o principal deles, exercendo uma liderança tal, que conseguiu eleger-se deputado estadual em duas legislaturas. Esses chefes políticos de Ouricuri tinham projeção e força no âmbito estadual. Eram consultados e ouvidos pelos altos escalões do poder do Estado. 

NEM UM LÍDER POLÍTICO DE DESTAQUE

Em São Gonçalo não se destacou nem um líder de projeção estadual. Nenhum conseguiu alargar o campo de seu prestígio e influência, além das 10 léguas que separavam a Vila de Ouricuri. O Cel. Antônio Modesto, seu irmão Joaquim Modesto, Severo Cordeiro dos Santos, Cel. Pedro Cícero, Totonho Cícero e Chico Cícero eram *“rosistas”. *“Dantistas” eram as famílias do Baixio, do São Paulo, da Boca da Mata, lideradas por João Custódio, mas sem qualquer vocação política. De nada aproveitaram com a ascensão de Dantas Barreto ao governo do Estado. João Custódio, já nos últimos anos de sua vida, aderiu ao “rosismo”, ficando desfalcada a corrente “dantista” do seu mais letrado membro. Nenhum interesse político envolvia João Custódio. Sua vida era dedicada exclusivamente à família e ao seu trabalho. Concentrava em sua casa, filhos, genros, noras, netos, e agregados, num total de mais de duas dezenas de pessoas. Não deixou herança política.

São Gonçalo tinha praticamente uma só corrente política, mesmo assim, sem nenhum horizonte. Foi Chico Cícero, que com sua vinda para São Gonçalo, começou a organização da vida política na Vila.  Graças ao seu prestígio e força junto a Honorato Marinho, conseguiu espaço na política municipal, embora estivesse de baixo. Estimulou os líderes de São Gonçalo a se aglutinarem num só grupo, para trabalharem por São Gonçalo, visando a emancipação. Joaquim Modesto manifestava-se com vocação para assumir a liderança do grupo, devido ao seu grau de intelectualidade. O Cel. Antonio Modesto, com sua postura de patriarca, era aberto às novas ideias. Severo Cordeiro dos Santos, Joaquim Alexandre Arraes – Quincó, Totonho Cícero, Antônio Máximo e outros empenharam-se na integração política de São Gonçalo.

*Rosista – Corrente política em Pernambuco liderada por Francisco de Assis Rosa e Silva (que compra o Diário de Pernambuco em 1901)

Dantista – Corrente política em Pernambuco liderada pelo General Emídio Dantas Barreto, oposição aos Rosistas.

A partir daí, São Gonçalo começa a mexer-se, na procura de sua identidade política e quem assoprava a brasa era o jovem Francisco da Rosa Muniz.











Do Livro: Araripina, História, Fatos e Reminiscência de Francisco Muniz Arraes 

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