Empresário
da Faria Lima foi preso em flagrante por lesão corporal e ameaça, e teve prisão
convertida em preventiva. Giulia Melo Falcão relata histórico de agressões e
diz que já havia registrado outros boletins de ocorrência.
Por Andréia
Sadi, Isabela Leite
Ivo Kos foi preso acusado de agredir a esposa, Giulia Melo Falcão Vel Kos — Foto: Arquivo Pessoal
"Depois dessa tentativa de homicídio, que eu não dou outro nome para isso, depois de quase ser morta, o meu maior medo e a minha maior preocupação, além de morrer, era ser passada como mentirosa", disse Giulia Melo Falcão, agredida pelo então marido, o empresário Ivo Vel Kos.
Em
entrevista ao Estúdio i nesta segunda-feira (17), Giulia afirmou que as
agressões não começaram no episódio que levou à prisão do empresário. Ela disse
que já havia registrado outros boletins de ocorrência contra o empresário,
inclusive um por estupro matrimonial, e chegou a obter uma medida protetiva.
➡️O
empresário Ivo Vel Kos, de 48 anos, foi preso em flagrante por
violência doméstica por agredir e ameaçar a mulher, Giulia Melo Falcão Vel
Kos, de 27 anos, na madrugada deste sábado (15), Zona Oeste de São Paulo. Após
audiência de custódia, o empresário teve a prisão convertida em preventiva. A
defesa de Kos disse que, "em respeito a ambas as famílias, a defesa não
vai se manifestar no momento".
Giulia
relatou que um dos boletins de ocorrência foi registrado "uma ou duas
semanas antes do casamento". Apesar disso, decidiu manter a união porque,
segundo ela, acreditava que o relacionamento poderia mudar.
“O meu ex-marido sempre apresentou um comportamento agressivo. Já tive outros boletins de ocorrência, inclusive um deles uma, duas semanas antes do meu casamento que me fez repensar sobre essa união, só que, ao mesmo tempo, eu acreditava, acreditava no casamento, acreditava nessa união.”
Segundo
Giulia, as agressões assumiam diferentes formas ao longo do relacionamento e
eram seguidas por pedidos de desculpas.
“Então era agressão, manipulação financeira, violência patrimonial em todos os níveis, só que sempre com pedido de desculpa, muito choro, muita lágrima.”
Ela
disse que chegou a obter uma medida protetiva, mas decidiu retirá-la quando
reatou o casamento. Os demais procedimentos, segundo Giulia, continuaram em
andamento.
“Já
tinha feito outros BOs, já tinha entrado com uma medida protetiva, já tinha um
BO por agressão, mais de um. Tenho um BO que também está no Ministério Público
por estupro matrimonial, todos esses processos estão rolando.”
Madrugada
de agressões
Giulia
também deu detalhes da noite em que foi agredida pelo empresário. Ela afirmou
que a violência começou dentro do carro, no trajeto entre um restaurante e a
casa do casal.
Segundo
Giulia, ela tentou chamar a polícia e pedir ajuda a dois seguranças que estavam
na rua, mas não foi socorrida. Depois, ao se recusar a entrar em casa e dizer
que aguardaria a polícia do lado de fora, disse que foi atingida com socos.
Ela
relatou que foi levada para dentro da residência e que as agressões
continuaram. Segundo Giulia, Kos usou uma máquina de choque para intimidá-la e,
em determinado momento, levantou um taco de beisebol em sua direção.
“Eu só chorando e eu tentando correr, deixa eu sair, deixa eu sair e ele tentando me aprisionar mesmo, fazendo com que eu ficasse lá apanhando por ele, quando ele pega um taco de beisebol e levanta na minha direção, eu coloco a mão na frente.”
Giulia Melo Falcão e Ivo Vel Koss — Foto: GloboNews e Reprodução
Medo
de não acreditarem
Giulia
afirmou que amigos e pessoas próximas já sabiam do histórico de violência, mas
que as sucessivas reconciliações fizeram com que algumas pessoas passassem a
duvidar dos relatos.
“Pessoas
próximas a mim já sabiam, próximas a nós já sabiam do que acontecia, mas por
sempre voltar você também perde um pouco da credibilidade e as pessoas acabam
duvidando até que ponto isso é verdade.”
Giulia
afirmou ainda que a diferença de poder financeiro dentro do relacionamento era
usada como forma de controle. Segundo ela, Kos fez com que deixasse o trabalho,
o que tornou o empresário responsável pela maior parte de sua renda.
“Corra”
Giulia
aconselhou outras mulheres que vivem situações de violência a registrar as
agressões e reunir provas.
“Por mais moroso e difícil, ofensivo que seja o processo de fazer uma denúncia, faça, registre o máximo de informação, tenha o máximo de prova, coloque câmera escondida, grave áudios, não adianta, eles vão tentar intimidar, falar que conversa de WhatsApp não é prova, mas o máximo de informações que vocês puderem ter contra o agressor realmente vai ser válido em algum momento.”


