O
plano também prevê uma ampliação da Transnordestina pela costa, em bitola
larga, formando um corredor entre seis capitais, de Salvador a Natal
Por Patricia
Raposo / Folha de Pernambuco
Navegação no Rio São Francisco - Foto: Marinha do Brasil
O
Plano Nacional de Logística 2050 (PNL 2050), lançado pelo governo federal nesta
quarta-feira (12), define as diretrizes que orientarão os investimentos
públicos e privados no setor de infraestrutura até 2050, para os modais
rodoviário, ferroviário, aquaviário, hidroviário e aeroportuário.
O
redesenho da malha ferroviária traz como novidade um eixo pelo litoral
nordestino, entre Salvador e Natal, enquanto, no interior, coloca Petrolina em
posição estratégica na integração entre diferentes modais.
O
plano criou o Eixo Intermodal nº 2 — Hidrovia do São Francisco, que reúne a
consolidação da hidrovia entre Pirapora (MG) e Juazeiro (BA)/Petrolina (PE), a
implantação de terminais portuários em Petrolina, a ampliação da Ferrovia
Centro-Atlântica (FCA) entre Salvador e Petrolina e a construção da ligação
ferroviária Petrolina–Salgueiro.
O
desenho transforma Petrolina em um ponto de conexão entre a Hidrovia do São
Francisco, a FCA e a Transnordestina. Pelo modelo previsto no plano, cargas
transportadas pelo rio poderiam chegar a Petrolina e seguir pela ferrovia até
Salgueiro, onde se conectariam à Transnordestina. A partir daí, teriam acesso
ao corredor em direção ao Porto do Pecém e, caso o trecho Salgueiro–Suape seja
efetivamente implantado, também ao complexo portuário pernambucano.
O
plano também prevê uma ampliação da Transnordestina pela costa, em bitola
larga, formando um corredor entre seis capitais, de Salvador a Natal. Um
segundo trecho seguiria de Natal a Macau, no Rio Grande do Norte. Esse corredor
longitudinal pelo litoral dá nova lógica à ferrovia, interligando alguns dos
maiores centros econômicos da região.
Embora
o Ministério dos Transportes estime que o PNL possa mobilizar R$ 1,225 trilhão
até 2050, o plano não detalha como os recursos serão aplicados. Nos novos
eixos, faltam valores, fontes de financiamento e cronogramas, reforçando seu
caráter estratégico, e não de execução imediata.

