Foto da parte interna do Circo de Fábio. Arquivo Pessoal
Não costumo utilizar a Inteligência Artificial nos textos dissertativos para buscar inspiração para a imaginação ou lembrar de uma era de ouro para quem, como o editor deste, já completou 6.0.
Você quer maior inspiração do que um registro que nos conduz por um túnel do tempo até a Rua Joaquim Rodrigues Nogueira, na esquina com o minúsculo logradouro Raimundo Gomes de Sousa e visto de cima, se depara com uma fileira de casas intactas, com a mesma estrutura colonial, decoradas por réguas e outras ferramentas dos mestres que construíram a maioria das residências antigas e que ainda naquele ponto específico a mão demolidora do tempo não passou.
Ali, naquele emaranhado de caibros redondos, doados muitas vezes pelas obras como sobra de construção, por trás a lona improvisada, uma caixa de som como decoração, o piso de terra batida, aguada na tardinha antes dos espetáculos, e à noite uma plateia espremida para assistir as atrações que iniciava com as dançarinas do trecho, para animar o que viria como programação. Para iluminar tanto dentro do circo, como no seu entorno para coibir a entrada de penetrar que não tinha como pagar ingresso (confeccionado manualmente), gambiarras com fios cheios de lâmpadas incandescentes, puxada muitas vezes da casa dos vizinhos que em sua maioria colaboravam com aquelas loucuras juvenis do tempo.
O “Circo de Fábio” de dona Gualterina moldou aquele espaço trazendo uma cultura circense jamais imaginada por aquele moçada, que unia Fábio, Neto de Dona Zizi, “Chico Doido”, Marcelino e tantos outros que comungavam com o ideal de transformar aquela rua e sua vizinhança em algo mais agitado, de uma geração que praticamente vivia nos campinhos de terra batida jogando pelada e que também era atraída por diversões que não precisava de muito.
Não nos cansamos de lembrar, em uma era que as tecnologias, a IA, o celular, a velocidade da internet e o mais moderno instrumento de comunicação dão as diretrizes de como viver e sobreviver em um espaço menos humanizado que tem se tornado atualmente, que naquela época, fim dos anos 70 e início dos anos 80, nada disso era essencial para um tempo em que apagar o livro doado por um colega da série seguinte era de praxe, ler uma folha de gibi porque não conseguia comprar a revista completa, escrever em papel de pão por falta caderno, ir à escola com a “bermuda” cingida e só levantar no final da aula, ir a uma tertúlia ou balada só com o dinheiro da entrada, por fim, ficaria aqui a noite inteira conversando com vocês sobre tantas coisas que a nossa geração vivenciou e tudo que temos ou não...
... é saudade!
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