Em
2018, senador comemorou decisão judicial contra o petista; oito anos depois,
deixou o Brasil após ser proibido pelo STF de viajar ao exterior.
Congresso
em Foco
Há oito anos, Flávio celebrou a apreensão do passaporte de Lula nas redes sociais.Reprodução/X
O
senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que deixou o Brasil após ser proibido pelo
STF de viajar ao exterior, comemorou em 2018 uma decisão judicial que
determinou a apreensão do passaporte do então ex-presidente Lula (PT). Na
ocasião, afirmou que a medida impediria o petista de fugir para escapar da
prisão.
"Jair Bolsonaro avisou! Ainda não foi dessa vez que Luladrão fugiu para escapar da prisão!", escreveu Flávio no Twitter, atual X, em 25 de janeiro de 2018. A publicação foi resgatada nesta semana pelo humorista Antonio Tabet .
Oito anos depois, o próprio Flávio deixou o país sem cumprir a ordem do ministro Alexandre de Moraes para entregar seus passaportes à Polícia Federal. Derrotado por Lula na eleição presidencial de domingo (25), o senador atravessou a fronteira com a Argentina na noite de terça-feira (27), acompanhado da mulher e das duas filhas, e embarcou em um avião particular com destino aos Estados Unidos, após escala no Equador.
Lula
entregou passaporte e recorreu
Lula
cancelou uma viagem à Etiópia, entregou o documento à Polícia Federal em 26 de
janeiro e recorreu à Justiça. Em 2 de fevereiro, o Tribunal Regional Federal da
1ª Região (TRF-1) determinou a devolução do passaporte por considerar
insuficientes os fundamentos da restrição.
Flávio
descumpriu ordem do STF
A
proibição imposta a Flávio foi determinada em investigação sobre suspeitas de
lavagem de dinheiro envolvendo o senador e o advogado Willer Tomaz, seu amigo.
Moraes também proibiu o contato entre os dois, que negam irregularidades.
Na
segunda-feira (26), Flávio criticou a decisão e prometeu cumpri-la. "Vou
entregar os meus passaportes e me defender dessa aberração, que é uma clara
tentativa de me intimidar. Mas ninguém vai me calar", declarou.
O prazo terminou às 11h de terça-feira sem a entrega dos documentos. Naquela noite, Flávio cruzou a fronteira em Foz do Iguaçu (PR), segundo confirmação da autoridade migratória argentina. Diferentemente de Lula em 2018, que cumpriu a determinação e obteve sua reversão na Justiça, o senador deixou o Brasil apesar da proibição judicial.


