Reação
alérgica grave pode provocar queda brusca da pressão arterial, dificuldade para
respirar e parada cardiorrespiratória em poucos minutos. Especialistas explicam
os riscos, os sinais de alerta e como agir para evitar uma tragédia.
Por
Silvana Reis, g1
Morte em lua de mel por alergia a frutos do mar: por que é possível morrer comendo camarão e como se prevenir — Foto: Redes sociais/Adobe Stock
A
morte da enfermeira brasileira Amanda Marinho Nascimento, durante a lua de mel
em Portugal, chama a atenção para um risco que pode ser fatal: em pessoas
alérgicas, até pequenas quantidades de camarão podem desencadear uma reação
grave, capaz de comprometer a respiração, provocar uma queda brusca da pressão
arterial e levar à morte em poucos minutos. O quadro, conhecido como
anafilaxia, é uma emergência médica que exige tratamento imediato com
adrenalina.
Amanda,
que morava no Distrito Federal e trabalhava na UTI de um hospital particular em
Taguatinga, morreu na quarta-feira (21). Segundo familiares, ela passou mal
após almoçar em um restaurante em Portugal. O cunhado relatou que a enfermeira
era alérgica a frutos do mar e que, ao perguntar aos funcionários sobre os
ingredientes do prato, teria entendido que o alimento servido era peixe. A
reação ocorreu cerca de duas horas depois da refeição, enquanto Amanda e o
marido visitavam pontos turísticos.
No
Brasil, 5% da população tem algum tipo de alergia alimentar, com risco de
anafilaxia. A maioria das reações alérgicas alimentares não é fatal, mas
qualquer pessoa com alergia alimentar mediada por anticorpos IgE pode
apresentar uma reação grave, mesmo quando os episódios anteriores foram leves,
destaca a doutora em Ciências pela USP e coordenadora dos ambulatórios de
Alergia alimentar, Dermatote atópica, e Esofagite eosinofilica no Hospital das
Clínicas de São Paulo (HC-FMUSP) Ariana Campos Yang.
Especialistas
alertam que a gravidade de uma reação alérgica é imprevisível: mesmo quem
já apresentou sintomas leves pode desenvolver um quadro fatal, inclusive após
ingerir pequenas quantidades do alimento. A alergia também pode surgir na vida
adulta, mesmo em pessoas que consumiram camarão durante anos sem problemas. Reconhecer
rapidamente os sinais de anafilaxia, administrar adrenalina e buscar
atendimento de emergência são medidas fundamentais para evitar mortes. No
Brasil, porém, o acesso às canetas autoinjetáveis ainda é um desafio, já que os
dispositivos não estão disponíveis nas farmácias e dependem de importação.
Alergia
a frutos do mar: restaurantes adotam cuidados para evitar crises alérgicas
Yang
explica que não é possível prever com segurança a intensidade de uma nova
reação apenas pelos resultados dos exames ou pelo histórico do paciente. Por
isso, o diagnóstico correto, a prevenção e um plano de ação para emergências
são fundamentais.
Por
que uma pessoa pode morrer ao comer camarão?
A
alergia ao camarão ocorre quando o sistema imunológico identifica determinadas
proteínas do alimento como uma ameaça e desencadeia uma resposta de defesa.
Nesse
processo, anticorpos ligados a células do organismo participam da liberação de
substâncias como a histamina, responsável por diversas manifestações alérgicas.
Nas reações
mais graves, essa liberação ocorre de maneira intensa e pode afetar vários
órgãos simultaneamente.
Entre
as principais consequências estão:
- Dilatação dos vasos
sanguíneos e queda acentuada da pressão arterial;
- Estreitamento das vias
respiratórias, dificultando a passagem do ar;
- Inchaço da garganta e da
língua;
- Comprometimento da
circulação sanguínea, reduzindo o fornecimento de sangue a órgãos
vitais, como cérebro e coração;
- Parada
cardiorrespiratória e morte, caso não haja tratamento rápido.
Quando
a circulação fica gravemente comprometida, ocorre o chamado choque anafilático.
Yang compara esse processo a um alarme de emergência acionado de forma
descontrolada pelo próprio organismo. Segundo a médica, em alguns casos, a
evolução pode ocorrer em poucos minutos. Quanto mais rápida e intensa a reação,
maior pode ser sua gravidade.
A
especialista ressalta, porém, que a anafilaxia tem tratamento e que reconhecer
os sintomas e administrar adrenalina rapidamente pode salvar vidas.
Uma
pequena quantidade de camarão pode provocar uma reação fatal?
Sim.
Pessoas muito sensíveis podem apresentar reações graves mesmo após entrar em
contato com pequenas quantidades das proteínas responsáveis pela alergia.
Isso
significa que o risco não está restrito ao consumo de um prato que contenha
camarão como ingrediente principal. Um alimento aparentemente seguro pode
desencadear uma reação caso tenha entrado em contato com camarão durante o
preparo. É o chamado contato cruzado, que pode ocorrer quando diferentes
alimentos são preparados na mesma chapa, fritos no mesmo óleo ou manipulados
com utensílios compartilhados.
Um
exemplo é o de uma pessoa alérgica que pede peixe grelhado, sem camarão, mas
recebe um alimento preparado na mesma superfície utilizada anteriormente para
cozinhar o crustáceo.
Nesse
caso, pequenas quantidades das proteínas alergênicas podem passar de um
alimento para outro.
“Não
existe uma quantidade universalmente segura para todas as pessoas alérgicas. E
é importante diferenciar essa situação do simples contato do camarão com a
pele, que geralmente provoca, quando muito, sintomas locais. O maior risco de
anafilaxia alimentar está relacionado à ingestão, inclusive acidental, de
proteínas do alimento”, destaca Fernandes.
Yang
acrescenta que, em termos de probabilidade, reações graves são menos frequentes
quando a exposição envolve quantidades mínimas. Mas isso não representa uma
garantia de segurança.
Quanto
tempo depois de comer camarão a reação pode aparecer?
Os
sintomas geralmente começam poucos minutos após a ingestão e podem surgir até
duas horas depois. Em situações excepcionais, também podem aparecer mais tarde.
As
reações alérgicas imediatas ao camarão geralmente começam em poucos minutos até
cerca de duas horas após a ingestão. A maioria das reações ocorre nos primeiros
30 minutos, mas esse intervalo pode variar, explica a presidente da Associação
Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI), Fátima Rodrigues Fernandes.
Portanto, o aparecimento de sintomas aproximadamente duas horas depois da
refeição é compatível com uma possível reação alérgica alimentar.
Yang
destaca que as reações mais graves costumam evoluir rapidamente, frequentemente
nos primeiros 30 minutos.
A
médica alerta que não existe um intervalo considerado seguro para aguardar a
melhora espontânea diante de sinais de anafilaxia. Isso acontece porque a
liberação intensa de substâncias inflamatórias pode comprometer a respiração e
a circulação sanguínea em um curto período. Por isso, diante de sintomas
graves, não se deve esperar para verificar se a reação vai passar.
A
alergia a camarão é genética ou hereditária?
A
alergia a camarão e a outros frutos do mar não costuma ser transmitida
diretamente de pais para filhos, como acontece com algumas doenças genéticas.
Segundo
Yang, o que pode existir é uma predisposição familiar para desenvolver doenças
alérgicas, como asma, rinite, dermatite atópica e alergias alimentares. Ter
familiares com essas condições aumenta o risco, mas não significa que a pessoa
necessariamente desenvolverá alergia a camarão.
A
especialista explica que o surgimento da alergia depende de uma combinação
complexa de fatores genéticos, ambientais e características individuais do
sistema imunológico.
Pessoas
com asma, dermatite atópica ou outras alergias podem ser consideradas mais
vulneráveis. Mas isso não significa que todas desenvolverão anafilaxia.
Fernandes
acrescenta que alguns fatores podem aumentar o risco de reação grave ou fatal,
como histórico de anafilaxia, asma não controlada e demora na administração de
adrenalina. Exercício físico, consumo de bebidas alcoólicas, infecções e
determinados medicamentos também podem contribuir para intensificar uma reação.
Ainda
não existe um marcador capaz de prever com segurança quem terá alergia a
camarão ou quem apresentará uma reação grave. Por isso, a avaliação deve ser
individualizada, realizada por um alergista, com investigação clínica e, quando
necessário, testes específicos.
5%
dos brasileiros têm algum tipo de alergia alimentar
No
Brasil, 5% da população tem algum tipo de alergia alimentar, com risco de
anafilaxia, segundo Yang. Em adultos, o camarão é a causa principal de alergia
alimentar. Em crianças, é mais frequente a alergia ao leite, mas a alergia ao
ovo também é comum.
Já
nos EUA, o amendoim é o alimento mais alergênico. Mas Yang pondera que o país é
o lugar com mais estudos sobre alergia alimentar ao amendoim.
Quem
não comia frutos do mar na infância tem maior risco de desenvolver alergia?
Não
há evidências científicas suficientes para afirmar que deixar de consumir
camarão ou outros frutos do mar durante a infância, por si só, provoque alergia
ou aumente a gravidade de uma reação futura.
Segundo
Yang, a relação entre o momento de introdução dos alimentos, a frequência de
consumo e o risco de desenvolver alergias ainda é investigada.
O
sistema imunológico possui um mecanismo chamado tolerância oral, que ajuda o
organismo a reconhecer determinados alimentos como seguros, evitando respostas
alérgicas desnecessárias.
A
médica compara esse funcionamento a um alarme acompanhado de um sensor de
regulação. Enquanto o alarme identifica possíveis ameaças, o sensor ajuda a
impedir que o sistema de defesa reaja contra alimentos que não representam
perigo.
O
contato regular com determinados alimentos pode contribuir para desenvolver e
manter essa tolerância.
Estudos
científicos importantes demonstraram que a introdução precoce de alguns
alimentos pode ajudar a prevenir determinadas alergias na infância. No caso do
amendoim, por exemplo, as evidências são consideradas fortes.
Entretanto,
Yang ressalta que ainda não existem estudos que comprovem o mesmo efeito
preventivo para o camarão.
Uma
das particularidades desse alimento é que, diferentemente do leite e dos ovos,
ele não costuma fazer parte da alimentação diária.
Isso
levanta a hipótese de que diferentes padrões de exposição possam influenciar a
manutenção da tolerância imunológica.
Mas
ainda não se sabe se consumir camarão com pouca frequência aumenta o risco de
desenvolver alergia.
Portanto,
não é possível afirmar que pessoas que raramente comem camarão sejam mais
propensas a apresentar reações alérgicas, nem recomendar o aumento do consumo
como estratégia de prevenção.
O
que pode tornar uma reação alérgica mais grave?
A
intensidade de uma reação não depende apenas da quantidade de alimento ingerida
ou do tempo que a pessoa passou sem consumi-lo.
Segundo
Yang, diferentes fatores podem influenciar a gravidade de uma reação alérgica,
entre eles:
- Asma mal controlada;
- Histórico de reação
alérgica grave;
- Prática de exercício
físico;
- Uso de determinados
medicamentos;
- Presença de infecções;
- Atraso na administração de
adrenalina.
A
especialista explica que, mesmo considerando esses fatores, nem sempre é
possível identificar por que uma pessoa apresenta uma reação leve enquanto
outra desenvolve um quadro potencialmente fatal.
Da
mesma forma, não existe uma explicação única para o desenvolvimento da alergia
a camarão.
As
pesquisas apontam para uma combinação de predisposição genética, fatores
ambientais e exposições alimentares ao longo da vida, mas ainda há questões sem
resposta.
Quem
já comeu camarão sem problemas pode desenvolver alergia de repente?
Sim.
Uma pessoa pode consumir camarão durante anos sem apresentar qualquer sintoma
e, posteriormente, desenvolver uma reação alérgica.
Segundo
Yang, isso acontece porque o sistema imunológico pode passar por uma fase
silenciosa chamada sensibilização.
Nesse
período, o organismo começa a produzir anticorpos IgE contra proteínas do
camarão, mesmo antes de apresentar manifestações clínicas.
A
médica compara o processo à instalação de um alarme que permanece silencioso
durante algum tempo, até que uma nova exposição desencadeie a reação.
Entretanto,
nem toda sensibilização se transforma em alergia, e uma reação grave pode ser a
primeira manifestação percebida.
Yang
ressalta que isso não significa que pessoas que consomem camarão normalmente
devam retirar o alimento da dieta por medo de desenvolver alergia no futuro.
A
restrição alimentar deve ser orientada por uma avaliação médica, evitando
exclusões desnecessárias.
Quais
são os sinais de alerta de uma reação alérgica grave?
Coceira,
placas vermelhas e inchaço estão entre as manifestações mais comuns das
alergias alimentares. Mas a presença ou a intensidade desses sintomas na pele
não determina, necessariamente, a gravidade da reação.
Segundo
Yang, os principais sinais de alerta são:
- Dificuldade para respirar;
- Tosse persistente;
- Voz rouca;
- Sensação de garganta
fechando;
- Inchaço da língua;
- Tontura intensa;
- Desmaio ou fraqueza súbita;
- Vômitos repetidos,
principalmente quando acompanhados de outros sintomas.
Um
dos pontos que merecem atenção é que a anafilaxia pode ocorrer mesmo sem
manchas vermelhas, coceira ou inchaço visível na pele.
De
acordo com a especialista, entre 10% e 20% dos episódios de anafilaxia podem
ocorrer sem manifestações cutâneas.
Isso
significa que uma pessoa pode apresentar diretamente dificuldade para respirar,
queda da pressão arterial ou desmaio, sem os sinais que normalmente são
associados a uma alergia.
A
ausência de alterações na pele, portanto, não exclui a possibilidade de uma
reação grave.
O
que fazer diante de uma reação alérgica grave?
A
adrenalina é o medicamento de primeira escolha para tratar a anafilaxia.
Segundo Yang, ela ajuda a reverter a queda da pressão arterial, o estreitamento
das vias respiratórias e outros efeitos da reação alérgica.
O
medicamento deve ser administrado por via intramuscular, na parte externa da
coxa, assim que houver suspeita de anafilaxia.
Se a
pessoa tiver uma caneta autoinjetável de adrenalina, deve utilizá-la
imediatamente e acionar o serviço de emergência. No Brasil, o Serviço de
Atendimento Móvel de Urgência (Samu) pode ser chamado pelo número 192.
Caso
não haja adrenalina disponível, é fundamental buscar atendimento médico o mais
rápido possível.
Enquanto
aguarda ajuda, a pessoa deve permanecer deitada, se tolerar essa posição. Se
apresentar dificuldade importante para respirar, pode ficar sentada com as
pernas estendidas. A orientação é não se levantar nem caminhar, pois isso pode
agravar a instabilidade da circulação sanguínea. Gestantes devem ser
posicionadas preferencialmente sobre o lado esquerdo.
Mesmo
quando os sintomas melhoram após a aplicação da adrenalina, é necessário
procurar um serviço de emergência para avaliação médica.
Yang
ressalta que o tempo de resposta faz diferença nas chances de sobrevivência. O
atraso na administração de adrenalina está entre os fatores associados aos
desfechos fatais.
Outras
condições, como asma mal controlada, doenças cardiovasculares, intensidade da
reação e dificuldade de acesso ao atendimento, também podem influenciar a
evolução do quadro.
Tomar
um antialérgico pode impedir a morte?
Não.
Medicamentos antialérgicos, como a fexofenadina, podem aliviar sintomas como
coceira e urticária, mas não conseguem tratar adequadamente as alterações mais
perigosas da anafilaxia.
Isso
porque esses medicamentos não revertem a queda acentuada da pressão arterial
nem o estreitamento e o inchaço das vias respiratórias provocados pela reação
grave.
O
mesmo cuidado vale para corticoides e broncodilatadores: embora possam ajudar
em manifestações específicas, não substituem a adrenalina.
Segundo
a alergista, um dos erros mais perigosos é utilizar um comprimido antialérgico
para tentar ganhar tempo enquanto a reação evolui.
Diante
de sinais de anafilaxia, a orientação é administrar adrenalina imediatamente,
quando disponível, e procurar atendimento de emergência.
Quem
tem alergia a camarão também precisa evitar peixes e outros frutos do mar?
Não
necessariamente. A alergia a camarão não significa, automaticamente, que a
pessoa seja alérgica a todos os alimentos de origem marinha.
As
especialistas alertam que é importante diferenciar os grupos de alimentos e as
proteínas responsáveis pelas reações.
- Os crustáceos
incluem camarão, lagosta, siri e caranguejo. Entre eles existe uma
importante semelhança entre proteínas, especialmente a tropomiosina.
- O grupo dos moluscos inclui
as ostras, mexilhões, polvos e lulas.
- Já os peixes, como
salmão, sardinha e bacalhau, pertencem a outro grupo e possuem
proteínas alergênicas diferentes, sendo a parvalbumina uma das principais.
Pessoas
alérgicas a camarão têm maior probabilidade de reagir a outros crustáceos
porque eles compartilham proteínas semelhantes, especialmente a tropomiosina.
Em
relação aos moluscos, também pode existir reação cruzada, mas isso não acontece
com todos os pacientes.
Segundo
Yang, a estimativa é que cerca de 35% das pessoas alérgicas a crustáceos também
reconheçam e reajam a proteínas de moluscos.
Já a
alergia a peixes é diferente. Uma pessoa alérgica a camarão pode, em geral,
consumir peixe, desde que não tenha alergia a esse outro grupo alimentar e que
sejam considerados os riscos de contato cruzado.
A
recomendação é investigar individualmente quais alimentos realmente oferecem
risco, em vez de excluir todos os frutos do mar sem avaliação adequada.
Como
se prevenir ao comer em restaurantes?
Para
pessoas com diagnóstico confirmado de alergia alimentar, os cuidados devem
começar antes mesmo de a refeição ser servida.
Segundo
Yang, não basta perguntar se determinado prato contém camarão. É importante
verificar também como ele foi preparado e se houve possibilidade de contato com
outros alimentos.
Entre
os principais cuidados estão:
- Informar claramente ao
restaurante sobre a alergia alimentar;
- Perguntar quais
ingredientes são utilizados na preparação;
- Verificar a composição de
molhos, caldos e acompanhamentos;
- Questionar se chapas, óleos
e utensílios são compartilhados com preparações que contenham camarão;
- Confirmar se o
estabelecimento consegue evitar o contato cruzado;
- Manter um plano de ação
individualizado para situações de emergência;
- Ter acesso à adrenalina
autoinjetável, quando indicada pelo médico.
Yang
também destaca a importância de um diagnóstico correto. Um exame positivo,
isoladamente, não significa necessariamente que a pessoa tenha alergia
alimentar.
Por
isso, restrições e orientações preventivas devem ser definidas a partir de uma
avaliação especializada.
Por
que a caneta de adrenalina ainda é um desafio no Brasil?
Para
pessoas com alergia alimentar e risco de anafilaxia, ter acesso à adrenalina
autoinjetável é uma medida importante de proteção.
O
dispositivo, conhecido como caneta de adrenalina, permite que o próprio
paciente ou alguém próximo aplique o medicamento na parte externa da coxa,
antes mesmo da chegada ao hospital.
Segundo
as especialistas, o principal obstáculo no Brasil é o acesso ao produto. Os
autoinjetores não estão disponíveis nas farmácias brasileiras e as famílias
dependem da importação, o que eleva os custos e dificulta a reposição.
As
médicas ressaltam que a adrenalina precisa estar disponível no momento da
emergência, já que a rapidez do tratamento é decisiva.
"A
ASBAI considera fundamental ampliar o acesso a esse medicamento, promover o
treinamento de pacientes e profissionais e fortalecer políticas que permitam o
tratamento precoce da anafilaxia. A adrenalina autoinjetável pode salvar vidas,
e seu acesso não deveria depender da condição econômica do paciente",
destaca Fernandes.
Spray
nasal tem efeito semelhante à adrenalina
Yang
acrescenta que já está disponível também apenas no exterior um spray nasal com
efeito similar ao da adrenalina injetável. O medicamento tem um tempo de
validade maior, mas custo mais elevado que a adrenalina.
- A adrenalina injetável
custa no exterior, em média, R$1.500 e tem validade de um ano.
- O spray nasal custa,
em média, R$ 6 mil no exterior, mas tem validade de dois anos e meio. Uma
vantagem do produto é que ele não apresenta risco de perder a eficácia se
for mantido em temperatura de até 50°C.
Maioria
dos pacientes se recupera quando recebe o tratamento adequado a tempo
Mesmo
após receber atendimento, uma pessoa pode morrer em decorrência de uma
anafilaxia muito grave. Mas a maioria dos pacientes se recupera quando recebe o
tratamento adequado.
No
caso da enfermeira brasileira que morreu em Portugal, Yang ressalta que não há
informações suficientes sobre os sintomas apresentados, o tempo até o
atendimento e os medicamentos utilizados. Por isso, não é possível estabelecer
quais fatores determinaram o desfecho.

