Governadora
chegou ao dia da eleição em empate técnico com João Campos nas principais
pesquisas e conquistou novo mandato no primeiro turno
Alexandre Cunha
Raquel Lyra é reeleita para segundo mandato à frente do Governo de Pernambuco (Foto: Rafael Vieira/DP Foto)
A
governadora Raquel Lyra (PSD) foi reeleita para comandar Pernambuco por mais
quatro anos neste domingo (4), após uma das disputas mais acirradas da eleição
estadual. Com 100% das seções apuradas, Raquel tem 53,27% dos votos
válidos, contra 44,82% do ex-prefeito do Recife João Campos (PSB).
Em
números absolutos, naquele estágio da apuração, a candidata do PSD somava
2.419.446 votos, enquanto João contabilizava 2.049.536 votos. Em terceiro
lugar, Ivan Moraes (PSOL) alcançou 1,58% dos votos.
A
vitória garante a Raquel um segundo mandato à frente do Palácio do Campo das
Princesas e encerra uma campanha marcada pela polarização entre a governadora e
João Campos, que concentraram a ampla maioria das intenções de voto ao longo da
disputa.
Primeira
mulher eleita governadora de Pernambuco, em 2022, Raquel chegou à eleição deste
domingo após quatro anos de gestão e uma campanha baseada principalmente na
defesa das entregas do governo e na promessa de continuidade de projetos nas
áreas de infraestrutura, abastecimento de água, educação, segurança e saúde.
Do
outro lado, João deixou a Prefeitura do Recife para disputar o governo estadual
e tentou reconduzir o PSB ao comando de Pernambuco, dois anos depois de
completar duas décadas consecutivas de governos socialistas no estado, entre
2007 e 2022.
Disputa
chegou aberta ao domingo
Apesar
da vantagem registrada durante a apuração, Raquel e João chegaram ao dia da
votação separados por apenas um ponto percentual na última pesquisa Datafolha.
O
levantamento divulgado na véspera da eleição apontava Raquel com 49% dos votos
válidos, ante 48% de João. Ivan Moraes (PSOL) e Renan Hallais (Missão) tinham
1% cada. Com margem de erro de dois pontos percentuais, o cenário era
considerado de empate técnico.
A
Quaest também indicava uma corrida apertada, embora com uma distância maior
entre os dois principais candidatos. Na pesquisa divulgada na sexta-feira (3),
Raquel aparecia com 52% dos votos válidos, enquanto João tinha 47%.
O
equilíbrio não surgiu apenas nos últimos dias. Em setembro, diferentes
levantamentos já apontavam uma disputa voto a voto. Pesquisa RealTime Big Data
divulgada no dia 15 chegou a mostrar João com 44% e Raquel com 43%, em empate
técnico. No Datafolha de 11 de setembro, a governadora tinha 47%, contra 42% do
adversário.
Campanha
de confronto
A
disputa também ganhou temperatura nas últimas semanas com uma sequência de
ataques entre as duas principais campanhas.
Raquel
apostou na comparação entre os quatro anos de sua gestão e os 16 anos
consecutivos em que o PSB governou Pernambuco, além de explorar críticas à
administração de João na Prefeitura do Recife. A governadora também manteve
distância da polarização nacional e não declarou apoio a um candidato à
Presidência.
João,
por sua vez, concentrou parte da campanha nas críticas às áreas de segurança
pública, saúde e abastecimento de água e buscou associar sua candidatura ao
presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na reta final, os dois
protagonizaram embates mais duros nos debates televisionados e nas propagandas
eleitorais.
A
campanha também foi atravessada por judicializações e acusações entre os dois
grupos políticos, enquanto candidatos como Ivan Moraes buscaram confrontar a
polarização estabelecida entre PSD e PSB.
Segundo
mandato
Aos
47 anos, Raquel Lyra iniciou a trajetória eleitoral como deputada estadual e
posteriormente comandou a Prefeitura de Caruaru por dois mandatos. Em 2022,
tornou-se a primeira mulher eleita governadora de Pernambuco. Com a
reeleição, ela permanecerá no comando do Executivo estadual até 2030, novamente
ao lado da vice-governadora Priscila Krause (PSD).
A
vitória também impede o retorno do PSB ao Palácio do Campo das Princesas. O
partido governou Pernambuco de 2007 a 2022, período iniciado com Eduardo Campos
e seguido pelas duas gestões de Paulo Câmara.

