Retratos de Araripina: 10 prefeitos de São Gonçalo passaram a ser nomeados pela Revolução de 30



Araripina viveu duas fases históricas: A fase dos prefeitos nomeados de acordo com regras da Revolução de 1930 – com toda ordem aparelhadas nas ideias governistas de Getúlio Vargas. E a Fase dos Prefeitos Democráticos, numa transição ainda tímida de escolha dos representantes do povo, que precisavam ainda se desvencilhar do sistema ditado por Vargas.

A Revolução de 30 levou Carlos de Lima Cavalcanti à chefia do governo estadual. Sua primeira providência foi desmontar “todo aparelho político e administrativo” no Estado, que considerava contrário ao programa reivindicatório do movimento revolucionário, como foi declarado no Ato n.º 78, de 18.10.30, dissolvendo o Senado e a Câmara de Deputados de Pernambuco e os Conselhos Municipais de todo o Estado. Dois dias antes, demitira 43 dos prefeitos eleitos em 1928, nomeando para o cargo outros de sua confiança, com a advertência de que deviam se ocupar exclusivamente de chefia política. Recomendou por em ordem a anarquia administrativa, herança política de governos passados e corrigir documentos a fim de promover a responsabilidade dos que desserviram a política e a administração, preservando, contudo, a ordem pública e rigorosa proteção às pessoas e aos bens dos derrotados.

Houve a adesão dos chefes políticos de São Gonçalo ao movimento revolucionário. Embora tenha sido dissolvido o Conselho Municipal, foi preservado o mandato de Joaquim Modesto. Aliás, do Sertão somente os prefeitos de Rio Branco e Afogados da Ingazeira foram demitidos. Era a nova ordem que se implantava em Pernambuco e foi dentro dessa ordem que os prefeitos, a partir de então geriram o município de São Gonçalo.

Começa em Araripina a então “Fase dos Prefeitos Nomeados” e só seguia no comando do município, quem fosse adepto e defensor das causas revolucionárias.

A partir de 1932, a prefeitura de São Gonçalo passou pela administração de 10 prefeitos nomeados, só voltando a normalidade institucional em 1947, com a eleição de um prefeito constitucional. Muito embora fosse expressão de confiança do Interventor, ser nomeado prefeito não representava prestígio ou força política. Em São Gonçalo, os políticos tinham a prefeitura como um pesado encargo, que só fazia atrapalhar a vida do cidadão. Ninguém queria ser prefeito. A alegação era de que seus negócios particulares não permitiam tomar conta da prefeitura. Além do mais, havia dificuldades normais do Município, a rigorosa fiscalização das finanças pelo órgão estadual e, sobretudo, o dever de obediência restrita ao programa revolucionário. A permanência no cargo de prefeito estava condicionada ao bem servir ao dito programa. Ninguém queria correr o risco de ser exonerado compulsoriamente.

VEJA QUEM SÃO OS PREFEITOS NOMEADOS E ELEITOS DEMOCRATICAMENE👇


Fonte: Livro – Araripina, História, Fatos & Reminiscências de Francisco Muniz Arraes

Postar um comentário

Blog do Paixão

Postagem Anterior Próxima Postagem