Segundo Polícia Civil, vítimas são meninos de 6 a 12 anos. Homens foram detidos após a madrasta de um dos garotos abusados encontrar um vídeo que registrou crime.
Por Bianka Carvalho, Iris Costa, TV Globo e g1 PE
Dois irmãos foram presos, nesta quinta-feira (5), por estupro de vulnerável no bairro de Rio Doce, em Olinda. Segundo as investigações, ao menos doze meninos de 6 a 12 anos foram abusados. Entre as vítimas, estão sobrinhos dos suspeitos.
Um dos homens foi localizado em São João, no Agreste do estado, após fugir da comunidade. O irmão dele foi detido durante a madrugada em Rio Doce.
Ambos moravam numa casa sem divisórias, onde circulavam parentes, vizinhos e crianças do entorno. De acordo com a polícia, a dupla confessou os crimes. Os nomes deles não serão divulgados para preservar a identidade das vítimas, em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente.
Conforme a Polícia Civil, as prisões aconteceram após a denúncia feita pela madrasta de um dos garotos abusados, que encontrou um vídeo registrando a violência. Ainda segundo a corporação, novos relatos de abusos continuam chegando.
As investigações apontam que os abusos ocorriam há anos. Um dos meninos filmou o que acontecia e mostrou o vídeo à madrasta, que procurou a delegacia. Após a primeira denúncia, outros familiares e moradores relataram crimes semelhantes.
O delegado Gilmar Rodrigues, titular da Delegacia de Rio Doce, afirmou que a mulher percebeu mudanças no comportamento do menino e, ao questioná-lo, ele relatou os abusos.
“Ela se preparou para vir à delegacia e o menino voltou para a casa onde eles estavam e começou a gravar o vídeo. Nesse vídeo, mostra os familiares passando de um lado para o outro, fazendo almoço, e os suspeitos, dentro do banheiro, no sofá, na cama, praticando diversos atos sexuais com as crianças”, disse.
Parentes indiciados por omissão
De acordo com o delegado, familiares das vítimas que conviviam com os suspeitos serão indiciados por omissão.
“Serão todos indiciados pela omissão, porque poderiam proteger e evitar que essas práticas acontecessem, e não fizeram nada. Elas serão indiciadas em inquéritos policiais, e vai ficar a cargo do Ministério Público denunciá-los ou não ao Poder Judiciário”, afirmou.
Os suspeitos também usavam dinheiro para atrair as vítimas, segundo o delegado.
“Eles trabalhavam com reciclagem e o dinheiro eles usavam para aliciar as crianças. Ainda pagavam para que algumas crianças trouxessem outras. Era a tarde e a noite toda. Eles abusavam dos sobrinhos, de primos e das crianças da vizinhança”, relatou.
Segundo o delegado, as vítimas serão ouvidas em depoimento especializado pela Gerência de Polícia da Criança e do Adolescente (GPCA). Os suspeitos passarão por exames para coleta de DNA em busca de vestígios dos abusos.
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