Segundo
a Polícia Civil, a criança era mantida acorrentada e sofria torturas havia pelo
menos um ano; pai, madrasta e avó paterna foram presos e indiciados por tortura
com resultado morte.
Por Sabina
Simonato, TV Globo e g1 SP — São Paulo
Chris Douglas (à esquerda) foi preso por suspeita de torturar e matar o filho Kratos (à direita). Segundo a polícia, homem admitiu que acorrentava a criança — Foto: Reprodução
O
laudo necroscópico apontou que o menino Kratos Douglas, de 11
anos, morreu de desnutrição grave e maus-tratos. O corpo dele foi
encontrado acorrentado em 11 de maio dentro da casa em que morava com a família
na Zona Leste de São Paulo.
O
pai da criança, Chris Douglas, de 52 anos, a avó paterna Aparecida
Gonçalves, de 81, e a madrasta Camilla Barbosa Dantas Felix, 42,
foram presos e indiciados por tortura com resultado morte do
menino. Segundo a Polícia Civil, Kratos era acorrentado e torturado havia pelo
menos um ano.
A
pena pode chegar a até 16 anos de prisão. A equipe de reportagem
tenta localizar as defesas deles para que comentem o assunto.
"Estamos convictos da participação dos três no crime de tortura", disse à imprensa o delegado Thiago Bassi, do 50º Distrito Policial (DP), Itaim Paulista.
Ainda
segundo o delegado, a família morava na casa do Itaim Paulista havia um ano. E,
nesse período, os vizinhos disseram que nunca viram Kratos sair da
residência.
"Falamos
com diversos vizinhos e todos eles foram unânimes em dizer que a criança nem
sequer era vista. A maioria deles disse que não sabia nem da existência da
criança na casa."
Menino
desnutrido
De
acordo com a investigação, Chris admitiu em seu interrogatório na delegacia que
acorrentava o filho para impedir que ele fugisse de casa. O homem foi preso em
flagrante na segunda‑feira (11), quando o menino foi achado morto na residência
por médicos e policiais.
Chris
segue detido preventivamente. Ele negou que agredisse a criança, mas as
autoridades encontraram lesões nas pernas do menino compatíveis com tortura.
Além disso, Kratos estava desnutrido.
"Mais de um ano que esse menino... olha eu não vou mostrar essa imagem para ninguém, sabe quando você vê aquelas crianças desnutridas, magrinhas, que é só esqueleto? É o caso deste menino", disse Osvaldo Nico Gonçalves, secretário da Segurança Pública de São Paulo.
Aparecida
e Camilla foram presas por determinação da Justiça. A polícia também pediu a
prisão preventiva das duas _ainda não havia uma decisão judicial sobre o pedido
até a última atualização desta reportagem.
Em
seus depoimentos, elas disseram que sabiam que Kratos era acorrentado pelo pai,
mas negaram participação nisso. Disseram que o que faziam era alimentar o
garoto.
"Elas afirmam que tinham conhecimento do acorrentamento, mas alegam que ele fugia", falou Thiago. "E elas informaram que ele não ia à escola porque ao chegar à escola ele fugia, ficava vários dias fora de casa e depois retornava. E esse seria inclusive o motivo da desnutrição dele."
Segundo
a investigação, Kratos não frequentava a escola desde 2024. "A informação
é de que a criança não estava matriculada. A avó veio com a criança de Bauru há
um ano", disse a delegada Ancilla Vega, titular do 50º DP.
Descoberta do caso
Madrasta Camilla Felix (à esquerda) e avó Aparecida Gonçalves (à direita) foram presas pela tortura que resultou na morte de Kratos Douglas — Foto: Reprodução/TV Globo
Kratos
Douglas foi encontrado morto no chão de um dos quartos da casa. A própria
família acionou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e o Corpo de
Bombeiros, alegando que o menino estava passando mal.
Quando
os socorristas chegaram, ele já estava sem vida. O corpo apresentava hematomas
nos braços, nas mãos e nas pernas, além de outros sinais compatíveis com maus‑tratos.
A
Polícia Militar (PM) foi chamada até o local e deteve Chris. Foram encontradas
câmeras de monitoramento interno no imóvel. A investigação quer saber se o pai
gravava a tortura contra o filho. Os equipamentos foram apreendidos e serão
periciados. A corrente usada para prender o garoto também foi recolhida.
Mais
duas crianças que estavam na casa - um menino de 3 anos, filho da madrasta de
Kratos, e outra de 12 anos, filha da mãe de Kratos - foram levadas pelas
autoridades ao Conselho Tutelar.


