Ypê apresenta recurso na Anvisa e diz que recolhimento de produtos está paralisado até nova decisão; agência mantém risco sanitário

Anvisa confirmou ao g1 que recurso tem efeito suspensivo sobre a resolução publicada na quinta-feira (7), mas afirmou que não houve revisão da avaliação técnica de risco e recomendou que consumidores não usem os produtos.

Por Roberto Peixoto, g1


Anvisa determinou suspensão da fabricação e recolhimento de produtos da marca Ypê — Foto: Arquivo Blog

A Ypê informou nesta sexta-feira (8) que apresentou um recurso à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) contra a resolução que determinou o recolhimento e a interrupção da fabricação, da comercialização, da distribuição e do uso de detergentes, sabões líquidos e desinfetantes da marca com numeração de lote terminada em 1.

Procurada pelo g1, a Anvisa confirmou que, de acordo com a legislação em vigor, os recursos administrativos apresentados pelas empresas têm efeito suspensivo sobre as ações determinadas pela agência.

Segundo a empresa, com a apresentação do recurso, a proibição de fabricar e comercializar produtos das categorias lava-louças, lava-louças concentrado, lava-roupas líquido e desinfetantes teve seus efeitos automaticamente suspensos até novo pronunciamento da Anvisa.

A fabricante diz que baseia esse entendimento no artigo 17 da RDC 266/2019 da própria agência.

"Ainda que a interposição do recurso tenha resultado na suspensão dos efeitos da medida anterior, a Ypê reforça que a segurança dos seus consumidores é — e sempre será — sua maior prioridade", afirmou a empresa em nota.

O recurso da Ypê deverá ser julgado nos próximos dias pela Diretoria Colegiada da Anvisa.

A agência afirmou, no entanto, que mantém a avaliação técnica de risco sanitário diante do que foi verificado na inspeção da linha de fabricação dos produtos da marca, na unidade da Química Amparo, em Amparo (SP).

"A Anvisa esclarece que não houve revisão sobre a avaliação técnica do risco sanitário diante do quadro verificado na inspeção", afirmou a agência.

A recomendação ao consumidor segue a mesma, ainda segundo a agência.

A Anvisa orienta que as pessoas NÃO usem os produtos indicados e entrem em contato com o Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) da empresa para receber orientações sobre o procedimento de recolhimento, troca, devolução, ressarcimento ou demais providências cabíveis.

O que motivou a decisão da Anvisa

A inspeção que levou a Anvisa a suspender a fabricação e determinar o recolhimento de produtos da Ypê tem conexão com um "histórico de contaminação microbiológica" registrado na empresa em novembro de 2025.

Em novembro do ano passado, a fabricante havia anunciado um recolhimento voluntário cautelar de lotes após identificar a bactéria Pseudomonas aeruginosa exclusivamente em lava-roupas líquidos.

"A inspeção recente foi realizada justamente em razão do histórico de contaminação microbiológica e de novos elementos que indicavam necessidade de reavaliar as condições de fabricação", afirmou a agência ao g1.

O atual recolhimento de produtos abrange todos os lotes com numeração final 1 de detergentes, sabões líquidos e desinfetantes fabricados na unidade da Química Amparo, em Amparo, no interior de São Paulo.

Segundo a Anvisa, a inspeção atual foi realizada entre os dias 27 e 30 de abril de 2026, em ação conjunta com o Centro de Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo (CVS-SP), o Grupo de Vigilância Sanitária de Campinas e a Vigilância Sanitária municipal de Amparo.

Os fiscais avaliaram principalmente as linhas de produtos líquidos — lava-louças, lava-roupas e desinfetantes fabricados na mesma unidade.


P. aeruginosa com pigmento fluorescente em luz UV — Foto: BiotechMichael/Divulgação

LEIA A NOTA DA YPÊ NA ÍNTEGRA:

"A Ypê informa que apresentou na data de ontem um recurso perante a Agência Nacional de Vigilância Sanitária - Anvisa, com o objetivo de reforçar os compromissos assumidos no seu Plano de Ação e Conformidade, e, ao mesmo tempo, apresentar esclarecimentos adicionais e subsídios técnicos relacionados à Resolução-RE n. 1.834/2026, publicada ontem.

Com este recurso, a proibição de fabricar e comercializar produtos das categorias lava-louças, lava-louças concentrado, lava-roupas líquido e desinfetantes teve seus efeitos automaticamente suspensos até novo pronunciamento da agência, tal como dispõe o art. 17 da RDC n. 266/2019/Anvisa.

Porém, ainda que a interposição do recurso tenha resultado na suspensão dos efeitos da medida anterior, a Ypê reforça que a segurança dos seus consumidores é – e sempre será - sua maior prioridade.

A Ypê, assim, reafirma seu compromisso de 75 anos com a qualidade, a segurança e a transparência, razão pela qual continuará em diálogo constante e permanente com a Anvisa e demais autoridades, sempre baseada em critérios científicos e subsídios técnicos, como forma de encontrar uma solução definitiva para a situação, no menor tempo possível."

LEIA A NOTA DA ANVISA NA ÍNTEGRA:

"Anvisa mantém avaliação do risco sanitário de produtos da Ypê

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) esclarece que não houve revisão sobre a avaliação técnica do risco sanitário diante do quadro verificado na inspeção da linha de fabricação dos produtos da marca, fabricados pela empresa Química Amparo (CNPJ 43.461.789/0001-90), na unidade localizada em Amparo (SP).

A Ypê entrou com recurso contra a Resolução 1.834/2026 e, de acordo com a legislação em vigor, os recursos administrativos apresentados pelas empresas têm efeito suspensivo sobre as ações determinadas pela Agência. O recurso deverá ser julgado nos próximos dias pela Diretoria Colegiada da Anvisa.

No entanto, a recomendação é que os consumidores não usem os produtos indicados e entrem em contato com o Serviço de Atendimento ao Consumidor — SAC da empresa Ypê para receber orientações sobre o procedimento de recolhimento, troca, devolução, ressarcimento ou demais providências cabíveis.

Suspensão e recolhimento

Durante a inspeção, foram constatados descumprimentos em etapas críticas do processo produtivo, o que inclui falhas nos sistemas de garantia da qualidade, produção e controle de qualidade. Os problemas identificados comprometem as Boas Práticas de Fabricação (BPF) de saneantes e indicam risco à segurança sanitária dos produtos, com possibilidade de ocorrência de contaminação microbiológica (presença indesejada de microrganismos patogênicos)".

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