Em
coletiva de imprensa, o advogado de Amisadai Andrade, apontado como coordenador
de um suposto "gabinete do ódio", negou que ele tenha relação com a
governadora Raquel Lyra (PSD) ou com o candidato João Campos (PSB)
Nicolle
Gomes
Amisadai Andrade (Foto: Reprodução/Redes Sociais)
A
defesa de Amisadai Andrade, apontado como coordenador de um suposto esquema de
perseguição digital contra adversários do governo de Pernambuco, nega que ele
tenha relação com a governadora Raquel Lyra (PSD) ou com o candidato João
Campos (PSB). Para o advogado Luiz Rocha, que representa o ex-servidor, o caso
é uma "armação".
Diante
das contestações de Amisadai, uma notícia-crime foi protocolada na Polícia
Federal (PF), nesta terça-feira (1°), para investigar a origem e suposta
manipulação de áudios vazados. No mesmo dia, a defesa concedeu uma coletiva de
imprensa.
“É um relacionamento eminentemente profissional, que eu tenha conhecimento”, comentou o advogado sobre a possibilidade de relação com Raquel ou João, que vem sendo especulada desde a repercussão do caso do suposto "gabinete do ódio".
A
defesa afirma que Amisadai seria, ainda, vítima de uma armação prévia para que
tudo viesse à tona neste período eleitoral.
De
acordo com as informações repassadas pelo advogado, Amisadai foi procurado por
um executivo de São Paulo em 2024, quando era sócio do Portal de Prefeitura,
plataforma que teria recebido mais de R$ 600 mil em contratos de publicidade,
levantando suspeita de financiamento de comunicação política com verbas
públicas.
A
defesa diz que Amisadai admite que cometeu “excessos” para simular influência
governamental e seguir negociando com esse executivo, que não foi identificado,
mas que nenhuma reunião com a governadora aconteceu para tratar da organização
de postagens contra adversários.
“Queremos definir quem tem responsabilidade e qual a real intenção de alguém vir ao Recife, fazer contato com uma pessoa de marketing, com o portal, pedir métricas, pedir publicação, e não mais aparecer por uma ‘mudança de estratégia’. Isso foi guardado para que, em 2026, viesse à tona dentro de um processo político”, argumentou o advogado.
Com
o registro da notícia-crime, a PF tem até 30 dias para decidir se instaura um
inquérito, ou seja, uma investigação formal.
Relembre
Uma
reportagem veiculada pela TV Record no dia 25 de agosto trouxe à tona a
existência de um suposto “gabinete do ódio” arquitetado pelo governo de
Pernambuco para atacar adversários políticos.
A
matéria aponta que um servidor da Caixa Econômica Federal, cedido ao Governo de
Pernambuco, identificado como Amisadai Andrade da Silva, seria coordenador da
produção de conteúdos. Ele teve a exoneração publicada um dia depois.
A
reportagem também relacionou Amisadai ao Portal de Prefeitura, que teria
recebido R$ 600 mil em publicidades. Em nota, o veículo negou as acusações e
disse ter sido surpreendido.
Além
disso, declarou, ainda, que tem compromisso com a informação e que as
publicações passam por avaliação antes da divulgação.
No
dia seguinte à veiculação da reportagem, João Campos reagiu ao material,
argumentando que seria uma prova que reforça a denúncia que vem fazendo há mais
de um ano. Ele acusou, ainda, o governo do estado de promover uma “milícia
digital” contra adversários políticos.
Raquel
Lyra trocou a acusação com o PSB e disse que acionou o TRE sobre um “gabinete
que dissemina ódio o tempo todo” e afirmou que nunca se encontrou com Amisadai.
Posteriormente,
ela compartilhou um vídeo que mostra saudações do ex-prefeito do Recife a
Amisadai Andrade pelo nascimento de uma filha, em 2022. João nega qualquer
relação pessoal ou profissional com Amisadai.
Raquel
também cita que a Prefeitura do Recife, na época da gestão do candidato, teria
destinado recursos para o portal citado no esquema.

