O resgate dos retratos da História de Araripina, olhando um horizonte centenário e vislumbrando avanços que merecem destaque é sempre uma sensação que nem sei explicar como me sinto, falando agora em primeira pessoa, mas pode ter certeza: é uma dádiva poder escrever, dissertar, descobrir, receber, compartilhar, mesmo sabendo ser tão difícil engajamento e reconhecimento em conteúdos que bem podiam ser mais bem aproveitado, como leitura para nos fartar de entender e conhecer um pouco da nossa rica história.
E vamos em frente.
Hoje, dia 12, um dia após Araripina completar 98 anos de história, trouxe para vocês mais dois presentes: Um registro do Matadouro Público Municipal, majestoso e dando os primeiros sinais de que ali começava as primeiras atividades reconhecidas já na administração de Joaquim José Modesto (primeiro prefeito eleito) – que autorizava o exercício de marchante licenciado pela prefeitura.
A foto é emblemática para quem busca entender cada detalhe que nela aparece. A bicicleta (artigo raro da época), encostada no poste de iluminação, com o famoso prato de ágata para encaixar a lâmpada, a pintura com o nome Matadouro Municipal, a parede do prédio já pichado com termos em voga, como: Novo Mobral, Acho Comum e a velha casa ao lado com degraus desgastados e a rua de terra. Ali também já nascia um sonho de que um dia naquele local, surgiria um dos bairros mais populoso de Araripina: o Alto da Boa Vista.
A outra foto, é algo inédito, nunca recebi algo parecido, vista de um ângulo raro, mas estava lá no meu baú de memória, um registro embaçado, que faz parte da turma da saúde dos anos 90, quando o Secretário de Saúde era Dr. Alexandre Lage (um dos melhores que conheci e trabalhei), a gestão era de Dionéia Lacerda e os transportes faziam parte da frota adquirida naquela administração municipal. Naquela época com os recursos escassos e muita racionalidade fazia-se muito com o pouco.
Mas um detalhe chamou minha atenção nesse registro singular, depois de utilizar o processo artificial de manipulação de imagem, aparece intacto aquele que foi o grande templo do esporte amador em Araripina: “O Dosão”.
Como a imagem ficou nítida e não aconteceram alterações que muitas vezes são modificadas com o uso da IA, transformando o cenário, deformando totalmente a originalidade dos fatos, é possível perceber a cabine de rádio, o banco de reservas dos atletas, o local onde se guardava os instrumentos utilizados em dias de jogos e o espaço onde a bola corria e onde os desportistas fazia do futebol a alegria dos Araripinenses.
Que saudade!
Ali onde funcionava o templo do futebol, deu lugar as instalações do SESC Ler - Serviço Social do Comércio que é uma instituição privada mantida pelos empresários do comércio de bens, serviços e turismo. Araripina ganhou um empreendimento, mas perdeu outro que também era importante.
A imagem ainda traz outros detalhes que chamam atenção: a casa de laje em que em dia de jogos, principalmente aos domingos, ficava cheia de espectador - os chamados "torcedores de camarote residencial".
O muro baixo da escola CERU Luiz Gonzaga Duarte, serviu de escada para os penetras em muitas ocasiões. A quadra da escola também pode ser vista nesse momento fotográfico que pode não parecer exclusivo, mas que guarda com toda certeza memórias marcantes e, como estamos comemorando 98 anos de nossa terrinha, ele surge ainda mais especial para os nossos leitores.
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Créditos: Valéria Bandeira // Francisca Lúcia //
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