Fotos do Antigo Clube de Festas "Cactu´s Bar" agora transformado no templo da Igreja Luterana do Brasil. Fotos do Instagram
E nós vivemos.
Os anos 80 foi de uma sensibilidade musical que só se compara aos
anos 60. No Brasil sucessos como Roupa Nova, Capital Inicial, Heróis da
Resistência, Biquini Cavadão, Lulu Santos, Léo Jaime, Ritchie, Dalton, Zé
Ramalho, Djavan, Peninha, Titãs, Fábio Jr e tantos outros que faziam o
ritmo brasileiro ser valorizado musicalmente, embalou os sábados a noites dos
brasileiros por todos os cantos do país.
O Axé Baiano com nomes importantes como Luiz Caldas, Ivete
Sangalo, Banda Cheiro de Amor, Chiclete com Banana, Asa de Águia faziam todos
se envolverem nas discotecas, nas tertúlias e naquela sensação eclética que
trazia para dentro das casas de shows para o delírio de uma geração que hoje
beira os sessenta, como o autor desta pauta.
E vou aqui viajar num flashback (no sentido da palavra) para
também informar que éramos doidos por música internacional da melhor qualidade.
Michael Jackson, Queen, Guns N' Roses, Billy Idol, Cyndi Lauper, Rick
Astley, Elton John, Survivor, Madonna, Roxette, Whitney Houston, Alphaville, se
for citar toda aquela loucura – no bom sentido – que vivemos nos anos 80 dava
para escrever um livro só contando os momentos célebres que vivenciamos numa
década brilhante. Óbvio, que podemos definir aquela geração, aquele decênio
como a pior no sentido de moda (no meu entendimento leigo de moda). Vestíamos
roupas coloridas e vibrantes, ombreiras, calças de cintura alta e minissaias,
jaqueta de couro ou jeans, brincos grandes e chamativos, pulseiras e cintos
largos, além do corte de cabelo que foi considerado o mais estravagante e que
para muitos tem virado tendência para um visual moderno e atual. Desfiados,
repicados, desconectados, bagunçados, os cabelos nesta época viveram em total
liberdade sendo o mullet, que era curto na frente e com um rabona parte de
trás, o mais usado. Particularmente nunca aderi ao estilo, mas as roupas da
época, juro que não tenho um pingo de saudade e segui no mesmo embalo.
E o que marcou o Cactu´s Bar na Geração 80
E juntamos tudo isso que foi descrito de forma minuciosa, o clube
de festa “Cactu´s Bar” – que ficava ali na Rua Vereador Antônio Braz
Sobrinho e que da quinta-feira ao domingo funcionava para receber toda essa
geração libertária, que fazia acontecer toda essa mistura de coisas que
transformavam aquela juventude na mais cultural em termos de musicalidade,
moda, arte de todos os tempos.
As ruas no entorno, como Pio XII, Vereador José Barreto Alencar e outras ficavam repletas de uma multidão jovem que adorava discoteca, tertúlia e cuba libre. Dentro do clube um espaço chamado danceteria, um balcão para aqueles que gostavam de sentar nos bancos de madeira para beber montilla, coca, gelo e limão e o reservado com uma divisória de corda e bambu para garantir lugar para aqueles jovens que gostavam de ficar sentados conversados com suas paqueras.
O globo espelhado deixava o ambiente mais propício para quem era tímido (como eu) e que gostava de ficar livre quando a música baiana e o rock de Paralamas do Sucesso e RPM começavam a tocar para explodir a timidez e ocupar lugar toda aquela expressão de liberdade e de explosão interior.
Nos dias de festas no Cactu´s Bar, quando o ingresso era cobrado, teríamos duas opções: ou ficar ouvindo o som do lado de fora, porque a grana só dava para uma coisa, ou íamos tomar alguma coisa em qualquer outro lugar. Quem sabe no “Cê Que Sabe” – aí entra outra história que deixaremos para outro momento.
Que saudade!










