História de Araripina: Falta de assistência médica e um comércio ainda campestre


Funcionários do Banco do Brasil na Feira Livre de Araripina , na Rua Vereador José Santiago Bringel - foto de 1978

Esse era o cenário de uma vila que ainda dependente da Freguesia de Ouricuri e ainda engatinhando nos passos lentos de quem usava andador para avançar no processo de evolução e conseguir se transformar em município. A pequena povoação vivia em uma vida carente de tudo, desde assistência médica, força política, comércio tímido e as dificuldades que tendo em vista os avanços que ocorreram, tudo era diferente do que é atualmente, apesar de que, em muitos casos, precisamos de passos ainda grandes para alguns traços que ainda hoje tratamos Araripina como vila.

Curavam-se as doenças com as meizinhas. Em casos mais graves, despachava-se Cândido Teotônio, homem de seus 50 e poucos anos, para Santana do Cariri, no Ceará, distante 30 léguas, em busca da medicação, com Joaquim Ferreira Lima, o seu Quinca da Butica. Escrevia-se num pedaço de papel a doença – era a “exposição” – e Cândido Teotônio levava para seu Quinca, que, pela “exposição”, diagnosticava a doença, preparava o remédio e mandava pelo mesmo portador. Eram cinco ou seis dias de viagem, a pé. Cândido Teotônio fazia esse serviço por cinquenta mil réis. Quem não tinha condições de arcar com tamanha despesa morria à míngua. Era a vontade de Deus, a hora era chegada, consolava-se a família.

O COMÉRCIO.


Foto em frente ao Posto Texaco no Bairro da Bomba

O comércio, nessa época, restringia-se aos negócios da feira semanal e de algumas poucas bodegas, onde se vendiam café em grão, arroz, açúcar, miudezas e outras mercadorias de consumo doméstico. Antônio de Barros Muniz – Totonho Cícero, aí pelos anos de 1910 estabeleceu-se na Vila com uma loja de tecidos. Foi a primeira casa comercial de porte a se instalar em São Gonçalo. A feira, aos domingos, era muito concorrida principalmente com a presença dos mascates, que vendiam as novidades: cortes de tecidos finos, sapatos, cinturões de verniz, óculos de todos os tipos, inclusive de grau, suspensórios de elástico (sucesso), utensílios de *ágata, tigelas, bacias, bules, pratos, urinol ou de louça fina, talheres de prata e de latão, linha, agulhas, tesouras, canivetes, navalha e tudo o mais que se possa imaginar.

(1)   *Ágata: Ferro esmaltado

No pátio em frente a Igrejinha e ao redor do Mercado, nos dias de feira ou de festas, armavam-se barracas ou tendas. Vendiam-se redes, cordas de caroá ou de couro, selas, cangalhas, arreios para animais, utensílios de barro ou de flandres, potes, alguidares, panelas, pratos, penicos, canecos, chaleiras, funis e outras tantas bugigangas. As mulheres montavam as barracas de comida, servindo bolos, tapiocas, cuscuz, café, leite, sopa, guisado, arroz, feijão, farofa, cachaça, vinho, etc. havia ainda a feira de animais, onde se comprava, vendia e trocava cavalo, burro, jumento, com ou sem arreios. Na parte interna do Mercado, ficava a feira de farinha, de milho, feijão, arroz e outros cereais. Espalhados pelo chão da rua os lotes das frutas regionais, banana, laranja, manga, caju, abacaxi, ananá, pequi, umbu, goiaba. A prefeitura de Ouricuri cobrava “imposto de chão”.

Do Livro: Araripina, História, Fatos e Reminiscência de Francisco Muniz Arraes 




Panificadora Campinense, um dos primeiros estabelecimentos no ramo de panificação instalado à Rua Vereador José Santiago Bringel


Seu Geraldo que aparece na foto ao lado de uma mulher, é um dos moradores mais antigos da Rua Joaquim Rordigues Nogueira.


Supermercado Tudo Tem, um dos primeiros estabelecimentos varejistas instalado à Rua 11 de Setembro


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