Segundo
o Gaeco, grupo levantava endereços, rotinas, trajetos e informações sobre
familiares do promotor Lincoln Gakiya e do coordenador de presídios Roberto
Medina para repassar à 'Sintonia Restrita' da facção. O setor é apontado como
responsável por planejar atentados.
Por
Bruno Tavares, Isabela Leite, TV Globo, GloboNews e g1 SP — São Paulo
O promotor de Justiça Lincoln Gakiya e do coordenador de presídios Roberto Medina, da Secretaria de Administração Penitenciária. — Foto: Montagem/g1/Reprodução
O
Ministério Público de São Paulo (MP-SP) denunciou quatro homens por suposta
participação em uma organização criminosa armada ligada ao Primeiro Comando da
Capital (PCC) que, segundo a investigação, monitorava autoridades
públicas para subsidiar possíveis atentados.
Entre
os alvos do grupo estariam o coordenador da Coordenadoria das Unidades
Prisionais da Região Oeste (Croeste), Roberto Medina, e o promotor
de Justiça do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) Lincoln
Gakiya.
Os
denunciados são:
- Victor Hugo da Silva,
conhecido como "VH" ou "Falcão";
- Wellison Rodrigo Bispo
de Almeida, o "Corinthinha" ou "Maurício";
- Sérgio Garcia da Silva,
o "Messi";
- Adilson Audinir Oliveira
Junior, o "Ju Machado".
A
denúncia foi apresentada pelo Gaeco na última sexta-feira (24) e protocolada na
Justiça na segunda-feira (27).
Dos
quatro denunciados, dois já estão presos por outros processos relacionados ao
tráfico de drogas. Wellison Rodrigo Bispo de Almeida, o
"Corinthinha", e Sérgio Garcia da Silva, o "Messi", cumprem
prisão na Penitenciária de Avaré I, no interior paulista.
Já
Victor Hugo da Silva, o "VH" ou "Falcão", e Adilson Audinir
Oliveira Junior, o "Ju Machado", respondem em liberdade. Na
denúncia, o MP-SP pediu a prisão preventiva dos dois, sob o argumento de que
eles poderiam continuar atuando em favor da organização criminosa.
Atuação
Segundo
o MP-SP, o grupo atuava de forma coordenada na coleta de informações sobre
autoridades públicas, como endereços, rotinas, trajetos, fotografias, vídeos e
dados de familiares.
O
objetivo, de acordo com a acusação, era encaminhar esse material à chamada
"Sintonia Restrita" do PCC, setor da facção apontado como
responsável por coordenar ações estratégicas, incluindo atentados contra
agentes públicos.
A
Promotoria afirma que Victor Hugo era responsável por monitorar Roberto Medina
em Presidente Venceslau, no interior paulista. Wellison, preso em outro
processo por tráfico de drogas, receberia essas informações e faria o repasse à
cúpula da facção.
Já
Sérgio seria encarregado de levantar dados sobre a rotina do promotor Lincoln
Gakiya em Presidente Prudente, enquanto Adilson teria atuado como interlocutor
do grupo e auxiliado na exclusão de diálogos e na destruição de vestígios
digitais.
Em
outubro, o MP-SP e a Polícia Civil deflagraram uma operação que revelou o plano
do PCC. Na ocasião, oito homens passaram a ser investigados por
suspeita de participação na elaboração do plano para tentar matar o promotor e
o coordenador dos presídios.
Cinco
dos investigados foram presos, entre julho e setembro de 2025, por tráfico de
drogas. A partir da prisão deles e da apreensão de seus celulares, descobriu-se
o plano para matar Gakiya e Medina. O serviço de inteligência da polícia
conseguiu ter acesso a informações que davam conta da intenção dos criminosos
de executarem as autoridades (leia mais abaixo).
O g1
não conseguiu contato com a defesa dos suspeitos denunciados até a última
atualização des
Jefferson Santana ('Proibido'); Diego Lima (Lima); Wellison Almeida ('Corinthinha'); Victor Silva ('Falcão'); e Sergio Silva ('Messi') estão presos por tráfico — Foto: Reprodução
Provas
De
acordo com a denúncia, a investigação encontrou mensagens, registros de
geolocalização, fotografias, vídeos, pesquisas sobre veículos e outros
documentos relacionados ao monitoramento das vítimas.
Também
foram identificados, segundo o MP-SP, indícios de vínculos dos investigados com
atividades do PCC, incluindo tráfico de drogas e de armas.
O
MP-SP sustenta que os quatro integravam, desde ao menos junho de 2025, uma
estrutura organizada do PCC com divisão de tarefas voltada à prática de
diversos crimes, entre eles tráfico de drogas, delitos patrimoniais, crimes
envolvendo armas de fogo e ações contra agentes públicos.
Os
promotores decidiram não denunciar o grupo pelo crime de ameaça. Segundo a peça
acusatória, apesar da gravidade das condutas investigadas, não houve ameaças
diretas às vítimas por palavras, escritos ou gestos, razão pela qual entenderam
que os fatos se enquadram, neste momento, no crime de integração de organização
criminosa armada.
Plano
Em
outubro, o MP-SP e a Polícia Civil deflagraram uma operação que revelou
um plano do PCC para executar o promotor de Justiça Lincoln Gakiya e o
coordenador de presídios Roberto Medina, ambos com atuação na região de
Presidente Prudente (SP).
De
acordo com as investigações, os criminosos alugaram uma casa de luxo a menos de
um quilômetro do condomínio onde vive o promotor e usaram até drones para
monitorar por meses a rotina dele e de Medina.
As
ordens para os ataques partiram de dentro de presídios federais e seriam
executadas por integrantes da facção em liberdade.
Ao todo, 25 mandados de busca e apreensão foram cumpridos em sete cidades do interior paulista. O caso é investigado pelo Gaeco e pela Seccional de Presidente Prudente.


