ARARIPINA 98: A COPA DO INTERIOR E O 11 DE SETEMBRO


Clube de Futebol de Araripina -

Eu ainda menino lembro-me do espetáculo futebolístico do dia 11 de setembro. As ruas lotadas de gente de todos os lugares, em frente ao palco do maior esporte do mundo: “O Dosão”, uma torcida enfrentando filas quilométricas para adentrar naquele estádio para assistir mais um espetáculo inesquecível do nosso futebol amador, como jamais visto na história. Que saudade!

Quando nos aproximamos das comemorações do aniversário da emancipação política de Araripina, que acontece na próxima sexta-feira 911/9), e o município completa 98 anos, algo nos remete a um passado glorioso do esporte amador, principalmente dos anos 70 e 80.

E a Copa do Interior, considerada pelos grandes futebolistas de Araripina com a “Era do Ouro” do esporte amador do nosso município, que movimentava desde expectadores da zona rural e urbana e recebia clubes importantes das cidades de Petrolina, Serra Talhada, Afogados da Ingazeira e Salgueiro trazia aquela nostalgia dos tempos áureos em que celebrar o dia 11 com uma partida de futebol, era algo mais do que comemorativo, mas emblemático para nossa história.

Araújo (professor de história e especialista em futebol amador) afirmou que o futebol profissional acabou com o futebol amador em Araripina, se é que para ele, não existem mais nenhum dos dois, apenas alguns metidos a político, ficam tentando se engajar em campos de várzea da zona rural, com “campeonatos” promovidos de forma a não valorizar o esporte, apenas como meio de se promover. Isso torna o esporte amador cada dia mais dependente desse tipo de artimanha dos politiqueiros de plantão e não surte o efeito desejado, que é, atingir todos os desportistas.

Ressaltou que as empresas antigamente, como Calmina, Artesa, Supergesso bancavam os seus clubes e que a lógica com um time profissional é fortalecer ainda mais o esporte amador, de onde surge as bases dos clubes.

A conversa dos grandes conhecedores da história do futebol de Araripina, fluiu e descontraiu para as partidas que aconteciam ininterruptas, isto é, ao terminar a partida do futebol de campo, os mesmos atletas disputavam partidas de futsal. Lembraram de Zeilton, Amilton, Dazinho, Edilson (os cascas grossas do futebol araripinense).

Araripina foi um grande formador e celeiro de equipes com muitas rivalidades. Na década de 60 início de 70, três grandes clubes de futebol criados na cidade: o Canarinho de Basto, o Planalto de Seu Izaías e o Estudantes de Gilson, Zé Arnaud, Zé Alencar – que foi presidente e proprietário do Sociedade Esportiva Araripina (que estudava fora). Duas equipes na cidade, o Guarani Futebol Clube, incentivado pelo radialista Nelson Lopes, que, impulsionou o esporte em Araripina, inclusive com a formação do time da Grande Serra (Rádio Grande Serra AM). Aos domingos de futebol era liberado para uma equipe, um domingo era o Planalto, outro domingo o Canarinho e, eles, convidavam um time de fora para jogar. Os times dificilmente jogavam entre si por conta da rivalidade, então preferiam as disputas com os clubes de outras cidades. Os treinos que aconteciam antes do jogo, se descobrissem que outro atleta de um clube estava presente, treinando no time rival, era problema na certa. Quando um dos clubes ia enfrentar um time considerado grande, de elite, o outro, por exemplo, o Santa Cruz, desafiava para um “treino” – o Guarani. Era um clássico.







Informações Entrevista de Ediglê e Araújo Souza - Programa Debate Geral de Roberto Gonçalves
Fotos: Ediglê Freire

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